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    Preparação17 min de leitura09 de jun. de 2026

    Permanencia Estudantil e Maternidade na Medicina

    Dra. Lara Santos Rocha
    Dra. Lara Santos Rocha
    Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250
    Permanencia Estudantil e Maternidade na Medicina
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    A jornada pela graduacao em medicina ja e, por si so, uma das mais exigentes do ensino superior brasileiro. Sao seis anos de curso intenso, estagios obrigatorios, plantoes e um volume de conteudo que exige dedicacao quase integral. Agora imagine somar a essa rotina a gestacao, o parto, o puerpero e os cuidados diarios com um recem-nascido. Essa e a realidade de milhares de estudantes de medicina que se tornam maes durante a formacao e enfrentam um cenario onde a permanencia estudantil ainda e um desafio concreto.

    O conceito de permanencia estudantil vai muito alem do auxilio financeiro. Ele abrange toda forma de suporte pedagogico, psicologico, social e estrutural que garanta ao aluno condicoes minimas para concluir o curso. Para maes universitarias em medicina, a permanencia depende de politicas institucionais, redes de apoio, flexibilidade academica e, sobretudo, de um planejamento pessoal e de estudo que permita equilibrar as demandas da maternidade com a formacao medica.

    Neste artigo, voce vai entender o panorama da maternidade na graduacao em medicina no Brasil, conhecer os direitos legais garantidos a gestantes e puerperas no ensino superior, descobrir estrategias praticas de organizacao de estudos e compreender como ferramentas de estudo adaptativo como a medmentorIA podem ser aliadas fundamentais nesse processo. Se voce e estudante, mae ou conhece alguem nessa situacao, este conteudo e para voce.

    O Panorama da Maternidade na Graduacao em Medicina

    Os dados sobre maternidade no ensino superior brasileiro sao preocupantes. Segundo a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconomico e Cultural dos Graduandos das IFES, realizada pela ANDIFES em 2018, cerca de 5% dos estudantes de graduacao em universidades federais tem filhos. Nas faculdades de medicina, embora nao haja levantamento especifico em escala nacional, estudos regionais indicam que a proporcao de maes entre estudantes varia de 3% a 8%, com taxas maiores nos cursos noturnos e nas faixas etarias acima de 25 anos.

    O problema central e que a estrutura da maioria das faculdades de medicina brasileiras foi desenhada para um perfil de estudante que nao tem dependentes. Os horarios sao rigidos, o internato ocupa turnos inteiros, os estagios hospitalares exigem presenca fisica e a carga horaria semanal frequentemente ultrapassa 40 horas. Para uma mae, especialmente no periodo do puerpero imediato ou durante a amamentacao, esse formato e incompativel com as necessidades basicas de cuidado materno e infantil.

    Alem das barreiras estruturais, ha uma dimensao silenciosa e igualmente importante: o estigma. Pesquisas qualitativas com maes estudantes de medicina revelam relatos recorrentes de isolamento social, comentarios desestimulantes de colegas e ate de professores, e a percepcao de que engravidar durante a graduacao e um "erro de planejamento". Esse julgamento velado agrava o estresse psicologico e pode contribuir para quadros de ansiedade e depressao no periodo gestacional e puerperal.

    A boa noticia e que o cenario esta mudando, ainda que lentamente. Universidades como a USP, a UFMG e a UNIFESP tem ampliado politicas de acolhimento, e o debate sobre equidade de genero no ensino medico tem ganhado forca em congressos e publicacoes cientificas. Compreender esse panorama e o primeiro passo para construir uma formacao medica verdadeiramente inclusiva.

    Direitos Legais da Gestante e Puerpera no Ensino Superior

    Muitas estudantes de medicina desconhecem que a legislação brasileira garante direitos específicos a gestantes e puérperas matriculadas em instituições de ensino. Conhecer esses direitos é essencial para que a mãe universitária possa exercer sua maternidade sem abrir mão da formação.

    O marco legal mais importante é a Lei 6.202/1975, que assegura à estudante gestante o direito ao regime de exercícios domiciliares a partir do oitavo mês de gestação, podendo esse período ser antecipado mediante atestado médico. O regime domiciliar pode se estender por até três meses após o parto, garantindo que a estudante não seja prejudicada academicamente durante o período de maior vulnerabilidade física e emocional.

    É fundamental entender o que o regime domiciliar significa na prática: a estudante tem direito a realizar atividades acadêmicas em casa, receber conteúdos e avaliações adaptadas, e manter sua matrícula e frequência computadas normalmente. A instituição é obrigada a fornecer os meios para que a aluna acompanhe o conteúdo. No entanto, a aplicação dessa lei varia enormemente entre faculdades, e muitas mães relatam dificuldade em acessá-la por desconhecimento ou por resistência institucional.

    Além da Lei 6.202/1975, outros dispositivos legais complementam a proteção. O Decreto 1.044/1969 garante tratamento excepcional a estudantes com afecções que impossibilitem a frequência às aulas, o que inclui complicações gestacionais e puerperais. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 227, estabelece a proteção integral à maternidade e à infância como dever da família, da sociedade e do Estado.

    No âmbito institucional, diversas universidades têm regulamentos internos que ampliam esses direitos. Algumas oferecem prorrogação de prazo para conclusão de curso, trancamento parcial de disciplinas sem prejuízo, prioridade em bolsas de assistência estudantil e acesso a creches universitárias. A recomendação para toda mãe estudante de medicina é buscar a coordenação do curso e o núcleo de assistência estudantil logo no início da gestação, documentando formalmente todas as solicitações.

    Impacto Psicológico e Saúde Mental da Mãe Estudante

    A saúde mental é um dos aspectos mais críticos e frequentemente negligenciados da experiência de maternidade durante a graduação em medicina. Estudos publicados na Revista Brasileira de Educação Médica indicam que estudantes de medicina já apresentam prevalência de ansiedade e depressão acima da população geral. Quando se adiciona a maternidade a essa equação, os riscos se amplificam.

    A privação de sono é talvez o fator de maior impacto imediato. Recém-nascidos acordam a cada duas ou três horas para mamar, e a mãe estudante precisa conciliar essas noites fragmentadas com aulas que começam cedo, provas extensas e estágios hospitalares que exigem concentração máxima. A literatura sobre sono e cognição é inequívoca: a privação crônica de sono compromete a memória de trabalho, a atenção sustentada e a capacidade de raciocínio clínico, habilidades essenciais para o aprendizado médico.

    Além da privação de sono, a culpa materna é um sentimento que permeia a experiência de muitas mães estudantes. Quando estão estudando, sentem que deveriam estar com o bebê. Quando estão com o bebê, sentem que deveriam estar estudando. Esse conflito interno constante pode evoluir para quadros de esgotamento emocional e, em casos mais graves, para depressão pós-parto, uma condição que afeta até 20% das puérperas e que pode passar despercebida no contexto acadêmico por falta de rastreamento adequado.

    O isolamento social também desempenha um papel significativo. As mães estudantes frequentemente deixam de participar de atividades extracurriculares, grupos de estudo e confraternizações acadêmicas, o que reduz suas redes de apoio justamente no momento em que mais precisam delas. Esse distanciamento dos pares pode afetar tanto o bem-estar emocional quanto o desempenho acadêmico, já que os grupos de estudo são um recurso valioso de aprendizado colaborativo.

    A mensagem essencial aqui é que buscar ajuda não é fraqueza, é estratégia. Serviços de apoio psicológico universitário, grupos de mães estudantes, terapia online e o próprio acompanhamento obstétrico de qualidade são recursos que devem ser acionados de forma proativa e não reativa.

    Estratégias Práticas de Organização de Estudos Para Mães

    Se há um aspecto em que a mãe estudante de medicina precisa ser excepcional, é na gestão do tempo. O tempo disponível para estudo será, inevitavelmente, menor do que o de colegas sem filhos. Isso não significa que o aprendizado será inferior. Significa que precisa ser mais estratégico e eficiente.

    A primeira estratégia é abandonar a ilusão de estudar tudo. A maternidade impõe uma restrição de tempo que exige priorização radical. Técnicas como a Matriz de Eisenhower, adaptada ao contexto acadêmico, ajudam a classificar os conteúdos em quatro categorias: urgente e importante (prova amanhã sobre tema que não domina), importante mas não urgente (revisão programada de conteúdo já estudado), urgente mas não importante (tarefas administrativas) e nem urgente nem importante (leituras complementares opcionais). O foco da mãe estudante deve estar quase exclusivamente nas duas primeiras categorias.

    A segunda estratégia é maximizar o aproveitamento dos micro-momentos. Enquanto o bebê dorme, durante a amamentação, nos deslocamentos: esses intervalos, que parecem insignificantes, somam horas ao longo de uma semana. É neles que ferramentas de estudo adaptativo fazem a maior diferença. A medmentorIA, por exemplo, utiliza a IA M.A.E.S.T.R.O.® para criar trilhas de estudo personalizadas que se adaptam ao tempo disponível e ao nível de conhecimento do estudante. Em vez de abrir um livro de 800 páginas sem saber por onde começar, você recebe exatamente o conteúdo que precisa revisar naquele momento, otimizando cada minuto.

    A terceira estratégia é adotar a repetição espaçada como método principal de retenção. O ciclo D1, D2, D6, D31 garante que você revise os conteúdos nos intervalos cientificamente comprovados para maximizar a memória de longo prazo. Para a mãe estudante, isso é especialmente valioso porque reduz drasticamente o tempo total de estudo necessário para reter informações, em comparação com a releitura repetitiva tradicional.

    A quarta estratégia é criar rotinas flexíveis, não rígidas. Bebês são imprevisíveis. Um cronograma que funciona perfeitamente na segunda-feira pode ser completamente inviável na terça por causa de uma noite mal dormida ou uma consulta pediátrica de emergência. A mãe estudante precisa de um sistema de estudo que funcione em blocos independentes, não em sequências lineares. Se não conseguiu estudar cardiologia de manhã, pode retomar à noite sem perder o fio condutor.

    Checklist de Organização de Estudos para Mães na Medicina

    Estratégias práticas de gestão do tempo e priorização

    Priorização Radical com a Matriz de Eisenhower

    Abandone a ilusão de estudar tudo. Classifique os conteúdos em quatro categorias — urgente e importante, importante mas não urgente, urgente mas não importante, e nem urgente nem importante. Foque quase exclusivamente nas duas primeiras categorias.

    Maximização de Cada Janela de Tempo

    Aproveite intervalos, momentos de soneca e deslocamentos. Pequenos blocos de estudo consistentes acumulam resultados significativos ao longo do tempo.

    Planejamento Semanal com Blocos Protegidos

    Reserve blocos fixos na semana dedicados exclusivamente ao estudo e proteja-os como compromissos inegociáveis. Comunique a rotina ao seu sistema de apoio.

    Estudo Ativo em Vez de Leitura Passiva

    Prefira flashcards, questões e fichamentos curtos. Com pouco tempo disponível, estratégias de estudo ativo geram mais retenção por minuto investido.

    Uso Estratégico de Recursos Digitais

    Apps de revisão espaçada, videoaulas em velocidade aumentada e audioaulas durante tarefas domésticas ampliam as possibilidades de aprender em contexto.

    Construção de Rede de Apoio Acadêmico

    Forme grupos de estudo com colegas solidários, compartilhe anotações e negocie trocas de material. Ninguém percorre esse caminho completamente sozinha.

    Autocompaixão e Flexibilidade na Rotina

    Permita-se ajustar o plano quando necessário. Haverá dias impossíveis. Seguir em frente com gentileza consigo mesma é tão importante quanto qualquer técnica de estudo.

    ⏱ Menos tempo ≠ Menos aprendizado. Significa aprender de forma mais estratégica.

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    O Papel das Redes de Apoio na Permanência Estudantil

    Nenhuma mãe estudante de medicina consegue chegar à formatura sozinha. A rede de apoio é, possivelmente, o fator mais determinante para a permanência estudantil de mães na graduação em medicina. Essa rede pode ser formal (institucional) ou informal (familiar e social), e idealmente deve combinar ambas as dimensões.

    No âmbito familiar, a participação ativa do parceiro, dos avós e de outros familiares nos cuidados com a criança é essencial. Estudos sobre divisão de trabalho doméstico e desempenho acadêmico feminino mostram correlação direta: quanto mais equitativa a divisão de cuidados parentais, melhor o desempenho acadêmico da mãe. Isso não é um detalhe, é uma variável com impacto mensurável na permanência e no rendimento.

    No âmbito institucional, as universidades têm um papel que vai além de cumprir a legislação. Programas de tutoria e mentoria específicos para mães estudantes, flexibilidade na alocação de horários de estágio, salas de amamentação no campus e creches universitárias com horários compatíveis com a rotina médica são medidas que fazem diferença real. A Universidade Federal de Minas Gerais, por exemplo, mantém o Programa Creche UFMG com vagas subsidiadas para filhos de estudantes em situação de vulnerabilidade.

    A rede de apoio entre pares, formada por outras mães estudantes, também merece atenção. Grupos de WhatsApp, coletivos de mães universitárias e encontros periódicos criam um espaço de acolhimento, troca de experiências e suporte emocional que nenhuma política institucional consegue substituir. Saber que outras mulheres enfrentam desafios semelhantes e os superam tem um efeito motivacional poderoso.

    Uma dimensão frequentemente esquecida da rede de apoio é a tecnológica. Plataformas de estudo que permitem aprender de qualquer lugar e a qualquer hora reduzem a dependência da presença física na faculdade. A mãe que precisa ficar em casa com o filho doente pode continuar estudando pela plataforma, resolvendo questões, revisando flashcards e acompanhando seu progresso sem perder o ritmo. Esse tipo de flexibilidade não é luxo, é condição de permanência.

    Do Internato à Residência: Conciliando a Reta Final Com a Maternidade

    O internato médico, que compreende os dois últimos anos da graduação, representa o período de maior tensão para a mãe estudante. A carga horária é intensificada, os plantões noturnos se tornam obrigatórios, a presença física no hospital é indispensável e a avaliação é predominantemente prática. É nesse momento que muitas mães cogitam o trancamento ou até o abandono do curso.

    As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de medicina estabelecem que o internato deve ter carga horária mínima de 35% da carga total do curso e atividade prática em regime de pelo menos 12 horas semanais nos últimos dois anos. Na prática, a maioria das faculdades exige presença integral em rodízios que incluem clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia-obstetrícia e saúde coletiva, com plantões de 12 ou 24 horas.

    Para a mãe estudante, os plantões noturnos são o ponto crítico. Deixar um lactente durante a noite inteira exige uma rede de cuidados extremamente confiável e planejamento logístico detalhado. Algumas faculdades têm permitido, caso a caso, a reorganização dos plantões para que mães com filhos pequenos realizem escalas diurnas preferencialmente, mas essa flexibilidade não é garantida nem regulamentada e depende da boa vontade da coordenação.

    Uma estratégia que tem se mostrado eficaz é o planejamento antecipado dos rodízios. Conhecer a grade do internato com antecedência permite organizar a rede de apoio para os períodos mais exigentes. Negociar trocas de plantão com colegas, alinhar expectativas com a família e manter um diálogo aberto com preceptores são práticas que reduzem o estresse e aumentam a previsibilidade, algo valioso para quem gerencia simultaneamente uma rotina hospitalar e os cuidados com uma criança.

    Quanto ao preparo para a residência durante o internato, a mãe estudante precisa de eficiência máxima. Estudar entre os rodízios, aproveitar intervalos no hospital e utilizar métodos de aprendizado ativo, como resolver questões comentadas e revisar conteúdos nos intervalos D1, D2, D6 e D31, permite consolidar o conhecimento clínico sem depender de longas sessões de estudo noturno que, para uma mãe, simplesmente não existem.

    A etapa de preparação para as provas de residência, como o ENAMED, o PROFIMED e o Revalida, é um momento de pressão máxima para qualquer formando. Para a mãe, essa pressão é multiplicada pela necessidade de conciliar a preparação intensiva com os cuidados parentais, frequentemente sem o suporte de um cursinho presencial que exige dedicação em tempo integral.

    A primeira decisão estratégica é sobre o formato de preparação. Cursinhos presenciais em período integral são, para muitas mães, simplesmente inviáveis. A alternativa não é abrir mão de um preparo estruturado, mas sim buscar formatos que se adaptem à realidade. Plataformas digitais como a medmentorIA oferecem exatamente isso: um sistema de estudo completo, com questões calibradas por banca, trilhas adaptativas, relatórios preditivos de desempenho e revisão espaçada automática, tudo acessível de qualquer dispositivo e a qualquer horário.

    A segunda decisão é sobre a gestão de expectativas. A mãe que está se preparando para a residência precisa ser realista sobre o tempo disponível e compensar com qualidade de estudo. Resolver 30 questões com análise profunda de cada alternativa é mais eficaz do que resolver 100 questões superficialmente. Estudar 2 horas com foco total é melhor do que 5 horas interrompidas por distração e cansaço. A eficiência, não o volume, é o que diferencia o candidato aprovado.

    A terceira decisao e sobre o cronograma de provas. Algumas maes optam por nao prestar residencia imediatamente apos a graduacao, concedendo a si mesmas um ano adicional de preparacao. Essa decisao e absolutamente legitima e pode resultar em um preparo mais solido e uma aprovacao em programas mais competitivos. Nao existe regra que diga que voce precisa entrar na residencia no ano seguinte a formatura, e a experiencia da maternidade, com toda a maturidade que ela traz, pode ser um diferencial positivo na entrevista de programas que valorizam perfil humanistico.

    📋

    Checklist de Permanência

    Conciliando a reta final da graduação com a maternidade

    ⚡ Ponto de Atenção

    O internato médico é o período de maior tensão para a mãe estudante — carga horária intensificada, plantões noturnos obrigatórios e avaliação predominantemente prática.

    ✅ O que considerar para permanecer no curso

    ✔️

    Verificar se a faculdade oferece regime de plantões adaptados ou possibilidade de redistribuição de carga horária

    ✔️

    Organizar uma rede de apoio para os plantões noturnos — o ponto crítico da conciliação

    ✔️

    Conhecer as Diretrizes Curriculares Nacionais e os direitos previstos para estudantes em situação de maternidade

    ✔️

    Mapear os rodízios obrigatórios (clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia-obstetrícia e saúde coletiva) e planejar a logística

    ✔️

    Buscar acompanhamento psicológico institucional para lidar com a pressão do internato

    ✔️

    Conversar com a coordenação do curso sobre possibilidades de adaptação antes de cogitar trancamento

    ✔️

    Conectar-se com outras mães médicas que passaram pelo internato para trocar experiências e estratégias

    ✔️

    Planejar a transição para a residência médica já durante o internato, antecipando desafios

    💡 Lembre-se

    O trancamento e o abandono são caminhos irreversíveis. Busque todas as alternativas de apoio antes de tomar qualquer decisão.

    O Que as Faculdades Podem e Devem Fazer

    A permanencia estudantil de maes na medicina nao e responsabilidade exclusiva da estudante. As instituicoes de ensino tem obrigacao legal e etica de criar condicoes para que a maternidade nao seja sinonimo de evasao. E o cenario atual, embora em evolucao, ainda esta longe do ideal.

    A primeira medida essencial e a divulgacao ativa dos direitos da gestante. Muitas faculdades possuem regulamentos que amparam a mae estudante, mas esses regulamentos estao enterrados em documentos que ninguem le. Um simples guia informativo, distribuido no ato da matricula e disponibilizado no site institucional, poderia evitar que estudantes desconhecam seus direitos ate o momento em que ja estao em crise.

    A segunda medida e a formacao de docentes e preceptores. Professores que fazem comentarios depreciativos sobre a gravidez de alunas, que se recusam a aplicar avaliacoes substitutivas ou que tratam o regime domiciliar como "privilegio" estao, na pratica, atuando como agentes de evasao. Programas de sensibilizacao sobre equidade de genero e inclusao no ensino medico precisam fazer parte da formacao continuada do corpo docente.

    A terceira medida e estrutural: salas de amamentacao em hospitais universitarios e no campus, fraldarios em banheiros, creches com horarios compativeis com a grade de medicina e politica de acolhimento que inclua acompanhamento psicologico especifico para gestantes e puerperas. Essas nao sao demandas extraordinarias; sao condicoes basicas de permanencia.

    A quarta medida e academica: flexibilidade real, nao apenas formal. Permitir que a mae escolha entre rodizios, oferecer avaliacoes em horarios alternativos, aceitar trabalhos academicos em substituicao a presenca quando medicamente justificado e reconhecer que a estudante que voltou do puerpero pode precisar de um periodo de readaptacao sao praticas que custam pouco a instituicao e significam muito para a estudante.

    Iniciativas como o Programa Nacional de Assistencia Estudantil (PNAES) e os nucleos de assistencia estudantil das universidades federais ja oferecem arcabouco para essas acoes. O que falta, em muitos casos, e vontade institucional e sensibilidade para implementa-las de forma efetiva no contexto especifico do curso de medicina, que tem particularidades de carga horaria e exigencia pratica que outros cursos nao tem.

    Conclusao

    Ser mae e estudante de medicina ao mesmo tempo e um desafio que exige resiliencia, organizacao e, acima de tudo, suporte. A permanencia estudantil de maes na graduacao em medicina depende de um ecossistema que inclui legislacao efetiva, politicas institucionais de acolhimento, redes de apoio familiares e entre pares, e ferramentas de estudo que respeitem a realidade de quem tem tempo limitado mas motivacao de sobra.

    Os direitos existem e precisam ser conhecidos e exercidos. As estratégias de estudo eficiente, como a repetição espaçada nos ciclos D1, D2, D6 e D31 e o uso de plataformas adaptativas, não são luxo: são necessidade para quem precisa aprender mais em menos tempo. E as faculdades precisam entender que inclusão real vai além de aceitar a matrícula; significa criar condições para que a estudante chegue até a formatura e, depois, a aprovação na residência.

    Se você é mãe e está na graduação em medicina, saiba que você não está sozinha. Milhares de mulheres trilham esse caminho todos os anos e chegam lá. Com planejamento, apoio e as ferramentas certas, a maternidade não é o fim da carreira médica. É o início de uma médica que já sabe, na prática, o que significa cuidar de alguém com dedicação integral. E isso, nenhuma prova avalia, mas a vida profissional recompensa todos os dias.

    Dra. Lara Santos Rocha★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.®
    Sobre a autora

    Dra. Lara Santos Rocha

    Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

    Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

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