O Índice de Bishop é o escore mais utilizado para avaliar as condições do colo uterino e predizer o sucesso da indução do parto. Descrito por Edward H. Bishop em 1964 na revista Obstetrics & Gynecology (PMID 14199536), permanece como ferramenta fundamental na prática obstétrica e tema frequente em provas de residência médica.
O que é o Índice de Bishop
O Índice de Bishop, também chamado de escore de Bishop ou escala de maturação cervical, é um sistema de pontuação pélvica desenvolvido pelo obstetra Edward H. Bishop, Professor Emérito de Obstetrícia e Ginecologia, publicado em 1964 no artigo "Pelvic Scoring for Elective Induction" na revista Obstetrics & Gynecology (PMID 14199536).
O objetivo original de Bishop era prever o sucesso da indução eletiva do parto. A duração do trabalho de parto é inversamente correlacionada com o escore: quanto maior o escore, maior a probabilidade de indução bem sucedida e menor o tempo de trabalho de parto.
A avaliação é realizada pelo profissional capacitado durante o exame vaginal (toque), e considera cinco componentes do colo uterino e da apresentação fetal. Cada componente recebe uma pontuação, e a soma determina se o colo está favorável ou desfavorável para a indução.
Os 5 critérios do escore de Bishop
O escore avalia cinco parâmetros que caracterizam as condições do colo uterino e a posição da apresentação fetal:
1. Dilatação cervical
Abertura do colo do útero, medida em centímetros. É habitualmente o indicador mais importante da progressão do trabalho de parto na primeira fase. Avaliada pelo toque, estimada pelos dedos do profissional.
2. Apagamento cervical
Redução do comprimento do colo uterino, expresso como porcentagem (0 a 100%). O colo normalmente tem aproximadamente 3 cm de comprimento. Com a progressão do parto, torna-se mais curto até desaparecer ("apagado"). Reflete quão fino está o colo.
3. Consistência cervical
Dureza ou textura do colo uterino. Em primigestas, o colo é normalmente mais duro e resistente ao alongamento. Com partos subsequentes, torna-se menos rígido, facilitando a dilatação no termo.
4. Posição cervical
Posição do colo uterino em relação à vagina: posterior, média ou anterior. O colo sofre alterações com os ciclos menstruais e tende a tornar-se mais anterior com o aproximar do trabalho de parto.
5. Estação (altura da apresentação)
Posição da cabeça do feto em relação às espinhas isquiáticas, medida em centímetros. Números negativos indicam que a cabeça está acima das espinhas. Números positivos indicam que está abaixo. As espinhas isquiáticas ficam a aproximadamente 3 a 4 cm dentro da vagina.
Tabela de pontuação do Índice de Bishop
Cada um dos 5 critérios recebe uma pontuação de 0 a 3, conforme a tabela abaixo. O escore total é a soma dos pontos de todos os critérios, variando de 0 a 13.
| Critério | 0 pontos | 1 ponto | 2 pontos | 3 pontos |
|---|---|---|---|---|
| Dilatacao (cm) | Fechado (0) | 1 a 2 | 3 a 4 | 5 ou mais |
| Apagamento (%) | 0 a 30 | 40 a 50 | 60 a 70 | 80 ou mais |
| Consistencia | Firme | Media | Mole | - |
| Posicao | Posterior | Media | Anterior | - |
| Estacao (cm) | -3 | -2 | -1 ou 0 | +1 ou +2 |
Nota importante: consistência e posição pontuam de 0 a 2 (não 0 a 3). O escore máximo real é 13 pontos quando todos os critérios atingem o valor máximo atribuível em cada coluna.
Interpretação do escore de Bishop
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Começar grátis →O escore de Bishop classifica o colo uterino em três categorias, orientando a conduta clínica para a indução do parto:
| Escore | Classificação | Significado clínico |
|---|---|---|
| 0 a 4 | Desfavoravel (colo imaturo) | Provavel parto prolongado. Alto risco de falha da inducao. Indica maturacao cervical (ripening) antes da inducao. |
| 5 a 7 | Intermediario | Colo parcialmente maduro. Requer julgamento clinico individualizado. Pode necessitar metodos de maturacao antes da inducao. |
| 8 a 13 | Favoravel (colo maduro) | Alta probabilidade de sucesso da inducao. Escore de 9 ou mais indica que o trabalho de parto provavelmente comecara espontaneamente. |
Alguns autores utilizam pontos de corte alternativos: menor que 6 como desfavorável e maior ou igual a 8 como favorável. A literatura clássica, porém, estabelece menor ou igual a 4 como desfavorável e maior ou igual a 8 como favorável, com 5 a 7 como intermediário. Para fins de pesquisa, um escore de 4 ou menos identifica colo desfavorável e pode ser indicação para maturação cervical.
Aplicabilidade clínica
O escore de Bishop é utilizado nas seguintes situações clínicas:
- Antes da indução eletiva do parto: para avaliar a probabilidade de sucesso e planejar a estratégia.
- Decisão sobre maturação cervical: colos desfavoráveis (menor ou igual a 4) requerem maturação prévia com prostaglandinas ou balão de Foley antes da indução farmacológica.
- Escolha do método de indução: o escore orienta qual método é mais apropriado conforme as condições do colo.
- Predição de risco de cesariana: em nulíparas, um escore de Bishop baixo está associado a maior risco de cesariana após indução (Vrouenraets et al., Obstet Gynecol 2005;105:690-697).
Conduta conforme o escore
Um protocolo clínico frequentemente citado ilustra a aplicação prática do escore:
- Bishop menor ou igual a 3: maturação cervical com dinoprostona de liberação prolongada (insert vaginal PROPESS).
- Bishop 4 a 5: gel de dinoprostona (PROSTINE E2) para maturação.
- Bishop maior ou igual a 6: amniotomia e/ou ocitocina diretamente, sem necessidade de maturação prévia.
Em resumo: colos desfavoráveis exigem maturação cervical antes da indução. Colos favoráveis permitem prosseguir diretamente para amniotomia e ocitocina.
Modified Bishop Score (escala modificada)
Uma variante do escore, chamada Modified Bishop Score, substitui o apagamento pelo comprimento cervical medido em centímetros, com menor variabilidade interexaminador:
- 0 pontos: comprimento maior que 3 cm
- 1 ponto: maior que 2 cm
- 2 pontos: maior que 1 cm
- 3 pontos: 0 cm (colo totalmente apagado)
Esta modificação reduz a subjetividade da avaliação do apagamento, que é um dos componentes mais sujeitos a variabilidade entre examinadores.
Métodos de maturação cervical e indução
Conforme o escore de Bishop, diferentes métodos são empregados:
Prostaglandinas
Usadas para maturação cervical e indução em colos desfavoráveis. Incluem dinoprostona (PGE2, em gel ou insert de liberação prolongada) e misoprostol (PGE1, oral ou vaginal). A Organização Mundial da Saúde (OMS), em suas recomendações sobre indução do parto (2018, ISBN 978-92-4-155041-3), recomenda prostaglandinas para maturação cervical em colos desfavoráveis.
Misoprostol
Análogo sintético da prostaglandina E1. Usado para maturação cervical e indução do parto, administrado via oral ou vaginal (25 a 50 mcg a cada 3 a 6 horas). Recomendado pela OMS para indução em colos desfavoráveis.
Ocitocina
Hormônio sintético que estimula contrações uterinas. Usada para indução ou condução do parto, especialmente em colos favoráveis (Bishop maior ou igual a 6 a 8), geralmente após amniotomia.
Balão de Foley
Método mecânico de maturação cervical. Um cateter de Foley é inserido no canal cervical e insuflado com soro fisiológico. Alternativa não farmacológica para colos desfavoráveis (Bishop menor ou igual a 4), especialmente quando prostaglandinas são contraindicadas (por exemplo, cesariana prévia).
Amniotomia
Ruptura artificial das membranas amnióticas. Usada isoladamente ou em conjunto com ocitocina para indução em colos favoráveis (Bishop maior ou igual a 6 a 8).
Diretrizes oficiais
Diversas entidades reconhecem e recomendam o uso do escore de Bishop na prática obstétrica:
- FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia): possui Protocolos Assistenciais que mencionam o escore de Bishop para avaliação do colo uterino e orientação da indução do parto.
- OMS (Organização Mundial da Saúde): em suas recomendações sobre indução do parto (2018), reconhece a necessidade de avaliação do colo uterino antes da indução e recomenda prostaglandinas e métodos mecânicos para maturação cervical em colos desfavoráveis.
- ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists): reconhece o escore de Bishop como método para avaliar a condição do colo antes da indução. Um escore menor ou igual a 4 indica colo desfavorável e maturação cervical deve ser considerada.
Pontos mais cobrados em provas
Para provas de residência médica, os pontos clássicos sobre o Índice de Bishop incluem:
- Autor e ano: Edward H. Bishop, 1964, artigo "Pelvic Scoring for Elective Induction" no Obstetrics & Gynecology (PMID 14199536).
- 5 componentes: dilatação, apagamento, consistência, posição e estação. Mnemônico clássico: D-A-C-P-E.
- Pontuação: cada critério pontua de 0 a 3 (consistência e posição 0 a 2). Escore total 0 a 13.
- Interpretação: menor ou igual a 4 desfavorável (maturação cervical); maior ou igual a 8 favorável; 5 a 7 intermediário.
- Conduta: colo desfavorável (menor ou igual a 4) usa prostaglandinas ou balão de Foley; colo favorável (maior ou igual a 8) usa amniotomia e ocitocina.
Limitações do escore
O escore de Bishop está sujeito a variabilidade interexaminador, especialmente nos componentes apagamento e consistência, que dependem da subjetividade do toque vaginal. A Modified Bishop Score, que substitui o apagamento pelo comprimento cervical ecográfico, foi desenvolvida para reduzir essa variabilidade.
Além disso, embora o escore prediga a probabilidade de sucesso da indução, ele não é determinante absoluto. Outros fatores como paridade, idade gestacional, índice de massa corporal e condições clínicas maternas e fetais também influenciam o desfecho.
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Conclusão
O Índice de Bishop é uma ferramenta simples, prática e amplamente utilizada para avaliar as condições do colo uterino antes da indução do parto. Seus 5 critérios (dilatação, apagamento, consistência, posição e estação) compõem um escore de 0 a 13 que orienta a decisão clínica: colos desfavoráveis (menor ou igual a 4) requerem maturação cervical prévia com prostaglandinas ou balão de Foley, enquanto colos favoráveis (maior ou igual a 8) permitem amniotomia e ocitocina diretamente.
Para provas de residência médica, dominar a tabela de pontuação, os pontos de corte e a conduta conforme o escore é fundamental. O tema aparece com frequência em questões de Ginecologia e Obstetrícia, muitas vezes associado a métodos de indução e maturação cervical.
Fontes oficiais consultadas: PubMed (PMID 14199536, artigo original de Bishop 1964), artigos clínicos do PubMed Central (PMC), FEBRASGO (Protocolos Assistenciais), OMS (WHO recommendations for induction of labour, 2018), ACOG (Clinical Guidance on Induction of Labor).



