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    Preparação13 min de leitura15 de jun. de 2026

    4 Doenças do Intestino Mais Comuns: Guia Clínico Completo

    Dra. Lara Santos Rocha
    Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250
    4 Doenças do Intestino Mais Comuns: Guia Clínico Completo
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    As condições intestinais de maior relevância clínica abordadas neste guia são a Síndrome do Intestino Irritável (SII), a Constipação Intestinal Funcional, as Doenças Inflamatórias Intestinais (Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa) e a Obstrução Intestinal. O diagnóstico precoce das condições funcionais se apoia nos critérios de Roma IV; o reconhecimento das doenças orgânicas depende da identificação precisa de sinais de alarme. Saber distinguir esses dois universos é uma das competências mais cobradas no internato, no ENAMED 2026 e nas provas de residência.

    A maior armadilha clínica é tratar como funcional o que é orgânico — e vice-versa. Um paciente com hematoquezia, perda de peso e anemia ferropênica não tem SII até que causas orgânicas sejam descartadas, independentemente de quantos critérios de Roma ele preencha. Por outro lado, iniciar investigação invasiva em todo jovem com dor abdominal e alteração do hábito intestinal gera custo, risco e sofrimento desnecessários. Este guia te dá o mapa para navegar entre esses dois extremos com segurança e precisão.

    1. Síndrome do Intestino Irritável (SII): Diagnóstico Positivo, Não de Exclusão

    A SII deixou de ser entendida como diagnóstico de exclusão a partir da publicação dos critérios de Roma IV em Gastroenterology (2016). Hoje, o diagnóstico é estabelecido por critérios clínicos positivos — desde que sinais de alarme estejam ausentes. Essa mudança de paradigma acelera a conduta e reduz exames desnecessários.

    Critérios de Roma IV para SII

    O diagnóstico exige dor abdominal recorrente que preencha os seguintes critérios, conforme as diretrizes do Rome Foundation PubMed: Rome IV Criteria for Functional Gastrointestinal Disorders:

    • Frequência mínima: pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses
    • Tempo de evolução: início dos sintomas há pelo menos 6 meses antes do diagnóstico
    • Associação (≥2 de 3 obrigatória): dor relacionada à defecação; mudança na frequência das fezes; mudança na forma/aparência das fezes

    Critérios Roma IV para SII

    Checklist de diagnóstico — Síndrome do Intestino Irritável

    1

    Frequência da Dor

    Dor abdominal recorrente em ≥1 dia/semana nos últimos 3 meses

    2

    Relação com Defecação

    Dor associada à defecação (melhora ou piora após evacuação)

    3

    Mudança na Frequência

    Alteração na frequência das fezes (aumento ou diminuição)

    4

    Mudança na Forma

    Alteração na forma/aparência das fezes (Escala de Bristol)

    Critérios presentes nos últimos ≥3 meses, com início dos sintomas ≥6 meses antes do diagnóstico formal

    SII-D vs. Diarreia Funcional: Uma Distinção Que Muda a Conduta

    Característica SII com Diarreia (SII-D) Diarreia Funcional
    Dor abdominal Presente — obrigatória (≥1 dia/semana) Ausente ou não é o sintoma central
    Padrão das fezes Bristol 6 ou 7 em >25% das evacuações e Bristol 1 ou 2 em <25% das evacuações Fezes amolecidas sem dor associada
    Relação defecatória Dor aliviada ou piorada com evacuação Sem relação consistente com dor
    Critério central Dor é o eixo diagnóstico Alteração de consistência sem dor

    A dor abdominal recorrente é o fator que separa a SII-D da Diarreia Funcional. Sem esse eixo, o diagnóstico é outro — e a escolha terapêutica muda completamente.

    Calprotectina Fecal: Afastando DII Antes de Fechar SII

    A calprotectina fecal é o exame não invasivo mais utilizado para diferenciar SII de Doença Inflamatória Intestinal. Os limiares de corte variam conforme o método laboratorial, o contexto clínico e a diretriz utilizada:

    • < 50 µg/g: costuma ter bom valor preditivo negativo para DII, apoiando diagnóstico funcional
    • Faixas intermediárias (50–200 µg/g): zona cinza — exige correlação clínica; limiares variam entre 100, 150 e 200 µg/g conforme o guideline
    • Valores elevados: sugerem inflamação ativa — a indicação de colonoscopia deve considerar o contexto clínico e os sinais de alarme associados

    Em pacientes com SII-D ou diarreia funcional, a calprotectina fecal associada à sorologia para doença celíaca compõe a avaliação mínima recomendada antes de fechar o diagnóstico; em SII-C sem sinais de alarme, a indicação deve ser individualizada. Sinais de alarme — perda de peso não intencional, hematoquezia, febre, história familiar de DII ou câncer colorretal — exigem colonoscopia direta, independentemente do valor da calprotectina.

    No manejo da SII-D, dois pilares estão consolidados: a rifaximina (550 mg três vezes ao dia por 14 dias, com possibilidade de até dois ciclos, para casos com suspeita de supercrescimento bacteriano intestinal) e o protocolo Low FODMAPs, uma dieta de eliminação e reintrodução de carboidratos fermentáveis em três fases, com benefícios consistentes quando acompanhada por nutricionista. Vale reforçar ao paciente: a SII não aumenta o risco de câncer colorretal — essa informação reduz a ansiedade e melhora a adesão ao tratamento.

    Exame Físico Gastrintestinal: Toque Retal

    2. Doenças Inflamatórias Intestinais: Crohn vs. Retocolite Ulcerativa

    As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são condições crônicas, imunomediadas, que afetam o trato gastrointestinal e exigem raciocínio clínico preciso para diagnóstico, classificação e decisão terapêutica. As duas principais formas — Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RCU) — compartilham sintomas, mas diferem profundamente em localização, padrão histológico e comportamento clínico. Essa distinção é diretamente cobrada nas provas de residência e no ENAMED 2026.

    Comparativo Clínico e Histológico: Crohn vs. RCU

    Característica Doença de Crohn Retocolite Ulcerativa
    Localização Qualquer segmento do TGI (boca ao ânus); mais comum no íleo terminal e cólon direito Restrita ao cólon e reto; classicamente começa no reto e progride proximalmente de forma contínua (podem ocorrer exceções, como reto poupado após tratamento ou em contextos específicos)
    Camada afetada Transmural (todas as camadas da parede intestinal) Mucosa e submucosa apenas
    Padrão da inflamação Descontínuo ("skip lesions") Contínuo, sem áreas poupadas entre as lesões
    Achado histológico característico Granuloma não caseoso (presente em minoria das biópsias — frequência variável conforme sítio e técnica) Abscesso de criptas (criptite), sem granulomas
    Manifestações perianais Frequentes: fístulas, fissuras, abscessos perianais Raras
    Risco de fístula Alto (enteroentérica, enterovesical, enterocutânea) Muito baixo
    Sangramento retal Variável; menos comum na DC de delgado Presente na maioria dos casos de RCU ativa
    Risco de câncer colorretal Aumentado (principalmente no Crohn colônico de longa duração) Aumentado — especialmente na pancolite com >8–10 anos de doença

    Sinais de Alarme nas DII

    A suspeita de DII deve ser levantada diante de diarreia crônica (>4 semanas) com sangue, perda de peso não intencional, febre sem foco definido e dor abdominal recorrente — especialmente em adultos jovens entre 20 e 40 anos. Manifestações extraintestinais reforçam a hipótese: artrite periférica, eritema nodoso, uveíte, pioderma gangrenoso e colangite esclerosante primária (esta última mais associada à RCU).

    Quando Indicar Terapia Biológica

    A terapia biológica está indicada nas DII moderadas a graves que não respondem a corticosteroides e imunomoduladores, ou que apresentam dependência de corticoide. Na Doença de Crohn, os imunomoduladores incluem azatioprina, 6-mercaptopurina e metotrexato; na RCU, o metotrexato não é considerado imunomodulador padrão. Em pacientes com fatores de mau prognóstico, estratégias top-down (biológico precoce) podem ser consideradas conforme as diretrizes e o acesso disponível. Os agentes anti-TNF — infliximabe e adalimumabe — são os mais utilizados e com maior evidência acumulada. Terapias com mecanismos distintos, como vedolizumabe (anti-integrina) e ustequinumabe (anti-IL-12/23), têm indicação consolidada para casos refratários ou intolerantes aos anti-TNF, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e do PCDT de DII. Novas moléculas — incluindo inibidores de JAK como upadacitinibe para DC — estão progressivamente incorporadas aos protocolos; a disponibilidade depende de aprovação regulatória e incorporação em PCDT vigente. Consulte o protocolo atualizado do Ministério da Saúde.

    3. Constipação Intestinal Funcional e Manejo Farmacológico

    A constipação intestinal funcional é a segunda queixa gastroenterológica mais comum na prática clínica, acometendo entre 15% e 25% da população geral, segundo dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia e referências como UpToDate. Em idosos acima de 65 anos, essa prevalência sobe para cerca de 40% — o que torna o manejo farmacológico nessa faixa etária um tema de alta relevância para quem atua em atenção primária e geriatria.

    O diagnóstico exige sintomas com início há pelo menos 6 meses, com critérios de Roma IV preenchidos nos últimos 3 meses antes da avaliação. A Escala de Bristol é a ferramenta mais prática para classificar a consistência das fezes: tipos 1 (bolotas duras) e 2 (forma de salsicha grumosa) caracterizam a constipação; tipos 3 e 4 são normais. Essa classificação orienta tanto a anamnese quanto o monitoramento da resposta terapêutica.

    Tipos de Laxantes: Doses e Segurança

    A escolha do laxante deve considerar perfil do paciente, comorbidades e risco de polifarmácia — especialmente no idoso:

    • Formadores de volume (fibra): psyllium (3,5–5 g, 1 a 3 vezes ao dia, com ≥200 mL de água por dose) e metilcelulose (1–3 g, 1 a 3 vezes ao dia). Primeira linha por segurança no uso prolongado. Atenção: em idosos com disfagia ou baixa ingestão hídrica, há risco de impactação.
    • Osmóticos: polietilenoglicol (PEG) — 17 g (1 sachê) em água, 1 vez ao dia, ajustável conforme resposta. Considerado seguro para uso crônico, inclusive em insuficiência renal leve a moderada. Lactulose (15–30 mL/dia) é alternativa, mas causa flatulência e limita a adesão.
    • Estimulantes: bisacodil (5–10 mg/dia oral) e senna (8,6–17,2 mg/dia). Eficazes para uso pontual; não devem ser utilizados continuamente por mais de 2 semanas sem supervisão — há risco de melanose colônica e dependência funcional. Reservar para falha das medidas de primeira linha no idoso.
    • Emolientes (lubrificantes): docusato de sódio (50–200 mg/dia). Adjuvante com evidência limitada em monoterapia.

    Polifarmácia no Idoso: Revisar Antes de Prescrever

    Opioides, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canal de cálcio e antiácidos à base de alumínio ou cálcio são os principais agentes constipantes em uso crônico. A abordagem inicial deve incluir revisão medicamentosa: sempre que possível, substituir ou reduzir a dose dos fármacos constipantes antes de escalar o tratamento laxativo.

    Quando a polifarmácia é inevitável, o PEG é a escolha mais segura como laxante de manutenção, por não interferir na absorção de outros medicamentos e não causar distúrbios eletrolíticos significativos. A combinação formador de volume + osmótico é estratégia eficaz em casos refratários, desde que haja orientação adequada de hidratação.

    A constipação no idoso raramente é um problema isolado — ela se insere em contexto de multimorbidade, sedentarismo e baixa ingestão hídrica que exige abordagem global. Dominar a farmacologia dos laxantes e saber individualizar a prescrição é o que diferencia um manejo adequado de um tratamento que gera mais efeitos adversos do que benefícios.

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    4. Obstrução Intestinal: Emergência, Semiologia e Protocolo

    Obstrução intestinal é uma das emergências abdominais mais frequentes nos pronto-socorros e saber diferenciar rapidamente o tipo — mecânico ou funcional — define se o paciente vai para o centro cirúrgico ou para a sala de observação. As bridas aderenciais — tecido cicatricial formado após cirurgias abdominais prévias — respondem pela maioria das obstruções de intestino delgado; confira o percentual atualizado nas diretrizes vigentes da SBCP. Na anamnese, história de laparotomia prévia em paciente com cólica, distensão e vômitos exige investigação imediata.

    Obstrução Mecânica: Total vs. Parcial

    • Obstrução total: ausência completa de eliminação de gases e fezes, distensão progressiva, alto risco de estrangulamento. A maioria dos casos requer intervenção cirúrgica — confirme os percentuais atualizados no edital ou diretriz vigente. O atraso no diagnóstico de estrangulamento aumenta significativamente a mortalidade.
    • Obstrução parcial: passagem residual de gases ou fezes; quadro mais insidioso. Grande parte dos casos responde ao tratamento conservador — descompressão nasogástrica, reposição volêmica e eletrolítica e observação clínica rigorosa, após exclusão de isquemia ou perfuração.

    A semiologia é sua principal ferramenta. Obstruções altas (duodeno e jejuno proximal): vômitos precoces e volumosos, cólicas epigástricas, pouca distensão abdominal visível. Obstruções baixas (íleo terminal e cólon): distensão mais pronunciada, cólicas mesogástricas, vômitos tardios — eventualmente fecaloides.

    Sinais Radiológicos que Você Precisa Reconhecer

    A radiografia simples de abdômen (em pé e decúbito) é o primeiro exame; a tomografia computadorizada com contraste IV é o padrão-ouro para localizar o ponto de transição e identificar a causa:

    • Níveis hidroaéreos em "escada de mão": clássico de obstrução de delgado, com diâmetro das alças > 3 cm
    • Sinal do grão de café (coffee bean sign): volvo de sigmoide — alça dilatada em U invertido
    • Sinal do pseudotumor: alça fechada estrangulada com líquido entre as paredes edematosas
    • Pneumatose intestinal e gás na veia porta: isquemia avançada — cirurgia de urgência
    • Dilatação cecal > 12 cm: risco de perfuração — levanta hipótese de Síndrome de Ogilvie

    Síndrome de Ogilvie: Pseudo-Obstrução Colônica Aguda

    A Síndrome de Ogilvie mimetiza uma obstrução mecânica de intestino grosso, mas não há bloqueio físico. Trata-se de disfunção motora do cólon, frequentemente desencadeada por distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia), fármacos (opioides, anticolinérgicos, bloqueadores de canal de cálcio), pós-operatório ou doenças sistêmicas graves. O ceco é a região mais vulnerável: quando ultrapassa 12 cm de diâmetro na tomografia, o risco de perfuração se torna significativo.

    O diagnóstico é de exclusão. Descarte causas mecânicas com tomografia e, se necessário, enema opaco ou colonoscopia. O manejo inicial é conservador: correção eletrolítica agressiva, suspensão dos fármacos precipitantes, estímulo à deambulação e, em casos selecionados, descompressão endoscópica ou neostigmina intravenosa, conforme protocolos vigentes de sociedades especializadas (ASGE, ASCRS ou WSES, conforme o cenário clínico).

    Protocolo de Reposição Eletrolítica no Íleo Funcional

    Na obstrução parcial e no íleo funcional (incluindo Ogilvie), a reposição eletrolítica é pilar do tratamento conservador:

    • Soro fisiológico ou Ringer lactato para expansão volêmica inicial (meta de débito urinário: 0,5 mL/kg/h)
    • Potássio: manter K⁺ > 4,0 mEq/L — hipocalemia é causa e consequência do íleo. Repor via acesso periférico diluído (máximo 40 mEq/L por via periférica)
    • Magnésio: manter > 2,0 mg/dL — hipomagnesemia dificulta correção da hipocalemia e perpetua a disfunção motora
    • Sódio e cloro: monitorar especialmente em pacientes com sonda nasogástrica de drenagem prolongada (perda de HCl)
    • Controle glicêmico: evitar hiperglicemia significativa e seguir as metas de controle glicêmico hospitalar institucionais — hiperglicemia não controlada pode comprometer a motilidade intestinal

    A resolução costuma ser clínica: eliminação de gases, redução da distensão, retorno dos ruídos hidroaéreos. Se não houver melhora em 48–72 horas de manejo conservador adequado, reavalie com imagem e considere intervenção cirúrgica ou endoscópica.

    Obstrução Intestinal

    Emergência Abdominal Mais Frequente no PS

    Dados-chave para tomada de decisão clínica rápida

    Principal Causa — Intestino Delgado

    Bridas Aderenciais

    Tecido cicatricial pós-cirúrgico é a causa nº 1 de obstrução mecânica de intestino delgado. História de laparotomia prévia + cólica + distensão + vômitos = investigação imediata.

    Obstrução Total

    Ausência completa de gases e fezes

    ⚠️ Alto risco de estrangulamento — a maioria dos casos requer intervenção cirúrgica

    Risco Cirúrgico

    Atraso no diagnóstico de estrangulamento

    📈 Aumenta significativamente a mortalidade — cada hora conta no protocolo de emergência

    ⚕️ Diferenciação Rápida: Mecânica vs. Funcional

    🔴 Mecânica

    • Cólica abdominal intensa
    • Distensão progressiva
    • Vômitos fecais
    • Ruídos hidroaéreos ↑
    • → Avaliar cirurgia

    🟣 Funcional (Íleo Paralítico)

    • Dor difusa, contínua
    • Distensão uniforme
    • Ausência de ruídos
    • Pós-cirurgia / metabólico
    • → Clínica + observação

    🚨 Decisão Rápida Define o Destino

    Diferenciar mecânica de funcional na admissão determina se o paciente vai para o centro cirúrgico ou para a sala de observação

    Fonte: Diretrizes SBCP — Dados atualizados conforme edital vigente

    Sinais de Alarme: Quando a Colonoscopia É Inegociável

    Nem todo sintoma intestinal exige colonoscopia — mas ignorar certos sinais pode atrasar diagnósticos graves. A presença de qualquer um dos achados abaixo exige propedêutica acelerada e, frequentemente, colonoscopia sem demora:

    • Perda ponderal não intencional (> 5% do peso em 6–12 meses sem dieta ou exercício)
    • Anemia ferropênica em homens ou mulheres na pós-menopausa sem outra causa identificada
    • Hematoquezia (sangue vivo nas fezes), mesmo autolimitada — melena sugere fonte digestiva alta e exige avaliação com endoscopia digestiva alta como exame inicial, podendo ser complementada por colonoscopia conforme achados
    • Massa abdominal palpável ou achados suspeitos em imagem
    • Alteração do hábito intestinal persistente (> 4 semanas) em pacientes acima de 50 anos, ou em qualquer idade com outros sinais de alarme
    • História familiar de primeiro grau com câncer colorretal ou adenomas avançados
    • Idade ≥ 45 anos com sintomas intestinais novos, mesmo sem outros sinais de alarme

    Rastreio de Câncer Colorretal: A Partir dos 45 Anos

    Uma mudança prática importante: as diretrizes atuais recomendam o início do rastreio a partir dos 45 anos em pacientes assintomáticos, acompanhando a tendência internacional motivada pelo aumento de casos em adultos jovens — consulte a diretriz vigente da SBCP para confirmação. As modalidades disponíveis:

    • Colonoscopia a cada 10 anos (padrão-ouro)
    • Pesquisa de sangue oculto nas fezes anual (guaiaco ou imunoquímica)
    • Retossigmoidoscopia flexível a cada 5 anos

    A colonoscopia permanece como exame de escolha quando há qualquer sinal de alarme ou quando os testes não invasivos são positivos.

    Um ponto que gera confusão frequente: a SII por si só não aumenta o risco de câncer colorretal. Os critérios de Roma IV ajudam a padronizar o diagnóstico funcional, mas não eliminam a necessidade de investigação quando há sinais de alarme. Se o paciente tem hematoquezia, perda de peso ou anemia, o diagnóstico provisório de SII deve ser suspenso até que a investigação esteja completa.

    Como Diagnosticar Câncer Colorretal Precocemente

    Conclusão

    Ao longo deste guia, percorremos as principais condições intestinais de relevância clínica — SII, constipação funcional, Doenças Inflamatórias Intestinais e obstrução intestinal — e o fio condutor é sempre o mesmo: raciocínio clínico estruturado orienta cada decisão.

    Dominar os critérios de Roma IV não é exigência apenas de prova — é o que separa o médico que investiga de forma direcionada daquele que pede exames em cascata sem critério. Reconhecer precocemente os sinais de alarme das DII pode antecipar o diagnóstico e evitar complicações graves como fístulas, estenoses e necessidade de cirurgia. Na obstrução intestinal, o discernimento entre manejo conservador e indicação cirúrgica é decisivo — e saber identificar sinais de estrangulamento ou dilatação cecal crítica define o desfecho.

    Esses temas são amplamente cobrados no ENAMED 2026, no Revalida e nas provas de residência. A medmentorIA oferece ciclos de revisão espaçada — D1, D2, D6 e D31 — que permitem consolidar esse conteúdo de forma progressiva e eficiente, com foco nas lacunas individuais de cada estudante.

    Continue treinando casos clínicos, revisando os critérios diagnósticos e simulando cenários de prova. O conhecimento que você construiu aqui só se consolida com prática repetida. Seu próximo paciente com dor abdominal aguda ou queixa intestinal crônica pode estar esperando exatamente o médico que você está se tornando.

    Perguntas Frequentes

    O que diferencia a dor da SII de outras doenças funcionais?

    A dor da SII é recorrente (≥ 1 dia/semana) e está obrigatoriamente associada a mudança na frequência ou na forma das fezes — critério ausente na dispepsia funcional e na diarreia funcional. Sem esse eixo de dor abdominal recorrente associada a pelo menos dois dos critérios (relação com defecação, mudança de frequência ou de forma das fezes), o diagnóstico de SII não se sustenta.

    Qual o papel da calprotectina fecal no diagnóstico diferencial?

    A calprotectina fecal é um marcador de atividade inflamatória neutrofílica no lúmen intestinal. Valores acima de 150–200 µg/g sugerem fortemente DII em vez de distúrbio funcional e indicam colonoscopia. Valores abaixo de 50 µg/g têm alto valor preditivo negativo para DII, apoiando o diagnóstico de SII — mas não dispensam a avaliação clínica completa.

    Laxantes estimulantes podem ser usados cronicamente?

    Não devem ser utilizados como primeira linha no uso crônico. O uso contínuo de bisacodil ou senna por tempo prolongado está associado a melanose colônica e, em alguns casos, a alterações da motilidade (cólon catártico). São reservados para falha das medidas de primeira linha ou uso pontual, sob supervisão médica.

    Qual a principal causa de obstrução intestinal em pacientes operados?

    As bridas ou aderências pós-operatórias respondem pela maioria das obstruções de intestino delgado em pacientes com cirurgia abdominal prévia — confirme percentual atualizado nas diretrizes vigentes. Na anamnese, a história cirúrgica é o primeiro sinal a buscar.

    A partir de qual idade o rastreio de câncer colorretal deve começar?

    Conforme as diretrizes vigentes, o rastreio em pacientes assintomáticos e sem história familiar deve iniciar aos 45 anos — consulte a diretriz SBCP atualizada para confirmação formal. Em pacientes com história familiar de primeiro grau com câncer colorretal ou adenoma avançado, o rastreio começa mais cedo — consulte o protocolo vigente para a definição de cada cenário.

    DL
    ★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.®
    Sobre a autora

    Dra. Lara Santos Rocha

    Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

    Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

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    Caso de sucesso nº 1 da IA M.A.E.S.T.R.O.® — a trajetória de aprovação da Dra. Lara é o primeiro role-model a partir do qual o algoritmo M.A.E.S.T.R.O.® aprende e se calibra (fine-tuning). É o caso 1 de milhares de aprovações que a IA está aprendendo para guiar cada estudante.

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