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    Especialidades25 min de leitura03 de jun. de 2026

    Dermatoses Infecciosas e Doenças Reumáticas: Guia Residência

    Dermatoses Infecciosas e Doenças Reumáticas: Guia Residência
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    Dermatoses infecciosas e doenças reumatológicas com manifestações cutâneas formam uma das interseções mais cobradas — e mais desafiadoras — das provas de residência médica no Brasil. Não se trata apenas de reconhecer uma lesão na pele: o raciocínio clínico exige conectar o padrão dermatológico a etiologias infecciosas, autoimunes e inflamatórias, construindo diagnósticos diferenciais precisos e escolhendo condutas baseadas em protocolos atualizados.

    Muitas doenças infecciosas — como sífilis, HIV, hepatites e infecções por arbovírus — cursam com manifestações cutâneas que mimetizam ou desencadeiam quadros reumatológicos. Da mesma forma, doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico, dermatomiosite e vasculites apresentam sinais dermatológicos facilmente confundidos com processos infecciosos. Essa sobreposição exige do residente não apenas conhecimento fisiopatológico, mas capacidade de raciocínio integrado entre Infectologia, Reumatologia e Dermatologia — e é exatamente o que este guia foi criado para desenvolver em você.

    Por Que Este Tema É Decisivo nas Provas de Residência

    Doenças exantemáticas na infância, como sarampo, rubéola, exantema súbito e eritema infeccioso, continuam aparecendo com frequência em questões de clínica médica e pediatria, exigindo domínio dos padrões de exantema (maculopapular, papulovesicular, petequial ou purpúrico), da sazonalidade e das complicações associadas [INTERNAL_LINK: Doenças Exantemáticas: Diagnóstico Diferencial na Pediatria]. Infecções congênitas agrupadas no acrônimo TORCHS — Toxoplasmose, Outras, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes/Sífilis/HIV, Zika — são tema recorrente, especialmente quanto à transmissão vertical, ao rastreamento sorológico gestacional e às manifestações neonatais como hepatomegalia, rinite sifilítica, pênfigo sifilítico e pseudoparalisia de Parrot.

    A sífilis congênita, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, complica cerca de 1 milhão de gestações anualmente no mundo, com aproximadamente 300 mil mortes fetais e neonatais por ano — dados que reforçam a importância de todo profissional de saúde dominar o rastreamento (teste rápido na admissão para o parto) e o tratamento precoce. No campo reumatológico, condições como dermatite atópica e rosácea, além de manifestações cutâneas de vasculites e fenômeno de Raynaud, completam um repertório que aparece em questões de semiologia e de casos clínicos em praticamente todos os processos seletivos.

    Essa amplitude temática se conecta diretamente com a evolução contínua dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs) do Ministério da Saúde. O PCDT de sífilis congênita, por exemplo, teve atualizações importantes em 2021, incluindo o exame físico normal do recém-nascido como critério norteador para seguimento. Estar atualizado com esses protocolos não é opcional: é condição para acertar questões de conduta que definem a aprovação.

    Embora não haja dados oficiais consolidados exclusivamente sobre a frequência de questões de dermatoses infecciosas e reumatológicas nos principais processos seletivos, a análise de provas recentes dos principais programas de residência do país revela que temas como diagnóstico diferencial de exantemas, infecções congênitas, sífilis em suas fases e manifestações cutâneas de doenças autoimunes aparecem de forma transversal — tanto em questões objetivas quanto em provas práticas. A interdisciplinaridade do tema faz dele um candidato natural para casos clínicos integrados, formato que tem ganhado espaço nos concursos mais competitivos.

    Dermatoses Infecciosas: Diagnóstico e Manejo Atualizado para a Prática

    As dermatoses infecciosas representam uma parcela significativa dos atendimentos em atenção primária e em serviços de emergência. Dominar a semiologia dessas lesões — morfologia, distribuição e evolução — é o primeiro passo para um diagnóstico acertado e para a escolha terapêutica adequada.

    Impetigo: a Infecção Cutânea Bacteriana Mais Comum na Infância

    O impetigo é a doença infecciosa da pele mais prevalente no público pediátrico, com pico de incidência entre 2 e 5 anos de idade. Cerca de 70% dos casos correspondem à variante crostosa (não bolhosa), causada predominantemente por Staphylococcus aureus e Streptococcus beta-hemolítico do grupo A.

    Semiologia: as lesões iniciam-se como máculas eritematosas que evoluem para vesículas e pústulas de parede fina, que se rompem facilmente, originando erosões recobertas por crostas espessas de coloração melânica — o chamado aspecto de "mel descascado". A forma bolhosa, menos comum, apresenta bolhas flácidas com conteúdo seroso tornando-se purulento, cercadas por halo eritematoso. As lesões localizam-se preferencialmente em face (perioral e perinasal) e extremidades.

    Diagnóstico: essencialmente clínico. Cultura de secreção pode ser útil em casos recorrentes ou surtos institucionais.

    Tratamento:

    • Formas localizadas (até 5 lesões): mupirocina 2% tópica, 3 vezes ao dia por 5–7 dias; ou ácido fusídico 2% nas mesmas condições.
    • Formas extensas ou com comprometimento sistêmico: cefalexina 25–50 mg/kg/dia, dividida em doses a cada 6–8 horas, por 7 dias; ou amoxicilina-clavulanato 40–50 mg/kg/dia, dividida em 3 doses, por 7 dias.

    Dica para provas: o impetigo crostoso por S. aureus pode produzir glomerulonefrite pós-infecciosa. A nefrite pós-estreptocócica, por sua vez, ocorre após infecções de vias aéreas superiores — vigilância de urina nestes pacientes é mandatória.


    Escarlatina: Exantema com Risco Reumático

    A escarlatina é causada pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo β-hemolítico do grupo A) produtor de eritrotoxina. Acomete preferencialmente crianças de 3 a 15 anos, com transmissão por gotículas respiratórias e período de incubação de 2 a 5 dias.

    Semiologia: o exantema surge 24 a 48 horas após o início da faringite, caracterizando-se por pápulas eritematosas micropapulares que conferem à pele um aspecto de lixa ao toque. A face apresenta rubor difuso com palidez perioral. A língua inicialmente apresenta saburra branca e, ao se desprender, revela papilas hiperemiadas — o clássico aspecto de "língua em framboesa". O exantema predomina em dobras (axilas, inguinais, cotovelos), onde podem surgir petéquias alinhadas (linhas de Pastia). Na convalescência, ocorre descamação furfurácea no tronco e lamelar nas mãos e pés.

    Diagnóstico: clínico, podendo ser confirmado por teste rápido de detecção de antígeno estreptocócico ou cultura de orofaringe.

    Tratamento:

    • Primeira linha: penicilina benzatina intramuscular, dose única — 600.000 UI para pacientes ≤ 27 kg; 1.200.000 UI para > 27 kg.
    • Alternativa oral (10 dias): amoxicilina 50 mg/kg/dia, dividida em 3 doses; ou penicilina V 25–50 mg/kg/dia, dividida em 2 a 4 doses.
    • Alergia à penicilina: azitromicina 12 mg/kg/dia por 5 dias (máximo 500 mg/dia no 1º dia); ou cefalexina 25–50 mg/kg/dia se não houver anafilaxia prévia.

    A adesão ao esquema completo é fundamental para prevenir a febre reumática, complicação não supurativa que pode evoluir para cardiopatia crônica e que representa uma das principais causas de doença cardíaca adquirida em crianças e jovens no Brasil. [EXTERNAL_LINK: Febre Reumática — Diretriz SBC]

    Diagnósticos diferenciais importantes: sarampo (exantema morbiliforme descendente, tosse, coriza, conjuntivite), eritema infeccioso (parvovírus B19, face esbofeteada com exantema reticulado nos membros), Doença de Kawasaki (febre ≥ 5 dias, hiperemia conjuntival, lábios fissurados, edema de extremidades) e reação a medicamentos.


    Difteria: Ameaça Controlada pela Vacinação

    A difteria é causada por cepas toxigênicas de Corynebacterium diphtheriae, bacilo gram-positivo que produz exotoxina com tropismo miocárdico e neurológico. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias ou contato com lesões cutâneas.

    Semiologia: após pródromo gripal, surgem placas pseudomembranosas branco-acinzentadas, aderentes e com bordas mal definidas, localizadas preferencialmente em amígdalas, podendo estender-se a faringe, laringe e fossas nasais. A tentativa de deslocamento provoca sangramento. O edema cervical pode conferir aspecto de "pescoço de touro". A toxina diftérica pode causar miocardite (1ª–2ª semana, principal causa de óbito) e neuropatia periférica (a partir da 3ª semana).

    Tratamento:

    1. Antitoxina diftérica equina: administrar o mais precocemente possível, baseado na suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial. Dose de 20.000 a 100.000 UI (IV ou IM), conforme extensão e tempo de evolução.
    2. Antibióticos: penicilina G cristalina 100.000–150.000 UI/kg/dia IV, dividida em 4 doses, por 14 dias; ou eritromicina 40–50 mg/kg/dia, dividida em 4 doses, por 14 dias.

    Vacinação: a introdução da vacina tríplice bacteriana (DTP) reduziu drasticamente a incidência global. A cobertura global da terceira dose de DTP era estimada em 86% em 2016 (OMS/UNICEF). No Brasil, o PNI mantém o esquema com pentavalente aos 2, 4 e 6 meses; reforços com DTP aos 15 meses e 4 anos; e dT ou dTpa a partir dos 7 anos, com reforço a cada 10 anos. Desde 2014, a dTpa é indicada para gestantes, protegendo o neonato por imunidade passiva.

    Doença Agente Tratamento de escolha Duração
    Impetigo localizado S. aureus / S. pyogenes Mupirocina ou ácido fusídico tópico 5–7 dias
    Impetigo extenso S. aureus / S. pyogenes Cefalexina 25–50 mg/kg/dia 7 dias
    Escarlatina S. pyogenes Penicilina benzatina IM (peso-dependente) Dose única IM ou 10 dias oral
    Difteria C. diphtheriae Antitoxina + Penicilina G cristalina 14 dias
    Difteria (alergia) C. diphtheriae Antitoxina + Eritromicina 40–50 mg/kg/dia 14 dias

    [INTERNAL_LINK: Dermatoses Infecciosas — Guia Residência]


    Micoses Cutâneas e Subcutâneas: Doenças Fúngicas de Relevância Clínica

    As infecções fúngicas da pele representam uma fatia significativa dos atendimentos em dermatologia e clínica médica. Estima-se que 10 a 15% da população mundial seja infectada por dermatófitos ao longo da vida — e as micoses superficiais estão entre os diagnósticos diferenciais mais frequentes em qualquer serviço de atenção primária e secundária.

    Dermatofitoses (Tineas): Agente, Diagnóstico e Tratamento

    As dermatofitoses são micoses superficiais causadas por fungos dos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton, que acometem tecidos queratinizados — pele, pelos e unhas. No Sul e Sudeste do Brasil, as espécies mais prevalentes são T. rubrum, M. canis e T. interdigitale.

    Tinea corporis: placa anular com borda ativa elevada, eritematosa e descamativa, com clareamento central progressivo. O diagnóstico rápido é feito por microscopia direta com KOH a 10–20%, revelando hifas septadas. A lâmpada de Wood tem pouca utilidade aqui, pois T. rubrum e T. interdigitale não fluorescem.

    • Tópico (lesões localizadas): terbinafina 1% creme, 1–2x/dia por 2–4 semanas; ou cetoconazol 2% creme, 1x/dia por 2–4 semanas.
    • Sistêmico (lesões extensas ou falha tópica): terbinafina oral 250 mg/dia por 2–4 semanas; ou itraconazol 200 mg/dia por 1–2 semanas.

    Tinea capitis: exclusiva de crianças, com placas alopécicas e pelos quebrados. M. canis apresenta fluorescência verde-brilhante à lâmpada de Wood; T. tonsurans não fluoresce. O tratamento é obrigatoriamente sistêmico: terbinafina oral 250 mg/dia (> 40 kg) ou 125 mg/dia (15–40 kg) por 4–6 semanas; ou griseofulvina 20–25 mg/kg/dia por 6–8 semanas.

    Onicomicose (Tinea unguium): agente mais prevalente é T. rubrum. O diagnóstico exige KOH a 20% de fragmento subungueal distal. Tratamento: itraconazol 200 mg/dia por 3 meses (ou pulsátil: 200 mg 2x/dia por 1 semana/mês, 3–4 meses); ou terbinafina 250 mg/dia por 6 semanas (unhas das mãos) ou 12 semanas (unhas dos pés).

    Dica de prova: diferencie de candidíase intertriginosa. Esta apresenta lesões satélites e KOH mostrando pseudo-hifas com leveduras — não hifas septadas como nos dermatófitos.


    Esporotricose: Emergência Zoonótica no Brasil

    A esporotricose é causada por fungos dimórficos do complexo Sporothrix schenckii, sendo S. brasiliensis a espécie predominante no Brasil. A transmissão ocorre por inoculação traumática ou de forma zoonótica — os gatos são o principal vetor nos surtos urbanos brasileiros. Em 2023, a Sociedade Brasileira de Infectologia emitiu alerta sobre o aumento expressivo de casos, particularmente nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo.

    Formas clínicas:

    • Forma linfocutânea (mais comum): nódulo ulcerado no sítio de inoculação (geralmente mãos, braços ou face), com linfangite ascendente formando nódulos subcutâneos palpáveis ao longo do trajeto linfático — a chamada "esporotricose em rosário".
    • Forma cutânea fixa: placa ou nódulo ulcerado restrito ao sítio de inoculação, sem comprometimento linfático.

    Diagnóstico: cultura em ágar Sabouraud com conversão dimórfica (padrão-ouro). Histopatologia com coloração de Grocott pode revelar leveduras em "charuto".

    Tratamento:

    • Formas cutâneas: itraconazol 100–200 mg/dia por 3–6 meses, estendendo 4–6 semanas após a cura clínica.
    • Formas graves ou pacientes imunossuprimidos: anfotericina B (desoxicolato ou lipossomal) como indução, com posterior transição para itraconazol de manutenção.

    A prova cobra: esporotricose por gato → itraconazol como primeira linha.


    Pitiríase Versicolor e Dermatite Seborreica: a Interface com Malassezia

    A pitiríase versicolor é causada por Malassezia spp. e atinge prevalência de até 50% em países tropicais, contrastando com cerca de 1% em regiões frias como a Escandinávia. A conversão da forma saprofítica para a forma filamentosa é favorecida por calor, umidade, oleosidade cutânea e imunossupressão.

    Semiologia: manchas ou placas bem demarcadas com descamação fina furfurácea (sinal de Besnier positivo ao raspamento). Coloração varia: hipocrômicas em peles escuras, hiperpigmentadas ou eritematosas em peles claras. Distribuição predominante no tronco superior, pescoço e braços proximais. O KOH revela hifas curtas e esporos agrupados — o clássico padrão de "espaguete e almôndegas".

    Tratamento tópico: cetoconazol 2% xampu ou creme diariamente por 2–4 semanas; ou sulfeto de selênio 2,5% xampu por 7–14 dias. Formas extensas ou recorrentes: itraconazol 200 mg/dia por 5–7 dias, com manutenção periódica para prevenção de recidivas.

    A dermatite seborreica compartilha a associação com Malassezia spp. e apresenta placas eritematosas com escamas amareladas e gordurosas em áreas seborreicas. Sua prevalência pode atingir 20 a 83% em pacientes com HIV/AIDS — dermatite seborreica extensa e de difícil controle deve levantar suspeita de imunossupressão avançada.

    Infecção Agente Diagnóstico-chave Tratamento de escolha
    Tinea corporis T. rubrum, T. interdigitale KOH: hifas septadas Terbinafina tópica 1% (2–4 sem) ou oral 250 mg/dia
    Tinea cruris T. rubrum KOH: hifas septadas Terbinafina tópica 1% (2–4 sem)
    Tinea capitis M. canis, T. tonsurans KOH + lâmpada de Wood (M. canis +) Terbinafina oral 250 mg/dia (4–6 sem)
    Onicomicose T. rubrum KOH subungueal + cultura Itraconazol 200 mg/dia (12 sem pés)
    Esporotricose S. brasiliensis Cultura em Sabouraud Itraconazol 100–200 mg/dia (3–6 meses)
    Pitiríase versicolor Malassezia spp. KOH: "espaguete e almôndegas" Cetoconazol tópico ou itraconazol oral (7 dias)
    Dermatite seborreica Malassezia spp. Clínico Xampu de cetoconazol 2%

    O que mais cai em prova:

    1. Placa anular com borda ativa + KOH com hifas septadas = dermatofitose. Sempre.
    2. Gato + lesão linfocutânea em rosário = esporotricose → itraconazol.
    3. KOH "espaguete e almôndegas" = pitiríase versicolor (Malassezia).
    4. Unha espessada, subungueal, sem periungueíte = onicomicose (diferente de paroníquia, geralmente por Candida).
    5. Dermatite seborreica extensa de difícil controle: investigar HIV.

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    Doenças Exantemáticas na Infância: Guia para o Diagnóstico Diferencial

    O diagnóstico diferencial das doenças exantemáticas se baseia em quatro pilares: tipo de pródromo, características do exantema, sinais patognomônicos e evolução temporal. Sarampo traz pródromo intenso com tosse, coriza e conjuntivite, seguido de exantema que começa atrás das orelhas com manchas de Koplik na mucosa bucal. Rubéola tem pródromo brando, exantema não confluente e manchas de Forchheimer no palato. Eritema infeccioso destaca-se pela "face esbofeteada" e exantema em renda nos membros. Já o exantema súbito apresenta um padrão único: febre alta por 3 a 5 dias que cede abruptamente e então surge o exantema róseo no tronco — febre antes da erupção, nunca ao contrário.

    Sarampo: o Protótipo do Exantema Viral Grave

    Provocado pelo vírus do gênero Morbillivirus (família Paramyxoviridae), altamente transmissível por gotículas respiratórias. Período de incubação: 7 a 14 dias (média de 10 dias até o pródromo).

    Pródromo: dura 2 a 4 dias com a tríade clássica — tosse, coriza e conjuntivite ("3 Cs") — acompanhados de febre alta e fotofobia. As Manchas de Koplik (pápulas branco-azuladas sobre base eritematosa na mucosa jugal) aparecem 1 a 2 dias antes do exantema e são consideradas patognomônicas.

    Exantema: maculopapular, eritematoso e confluente, com início na região retroauricular e progressão craniocaudal (face → tronco → membros) ao longo de 3 dias. Descamação furfurácea fina ocorre na convalescência.

    Complicações: otite média aguda (a mais frequente), pneumonia (principal causa de óbito), encefalite aguda pós-infecciosa (1 em cada 1.000 casos) e panencefalite esclerosante subaguda (SSPE), complicação tardia rara e fatal que surge anos após a infecção.


    Rubéola: Pródromo Sutil, Complicação Devastadora

    Causada pelo vírus da rubéola (Rubivirus, Togaviridae), transmitido por secreções respiratórias. Período de incubação: 14 a 21 dias.

    Pródromo: inexistente ou muito brando em crianças — febre baixa, coriza leve e mal-estar frequentemente passam despercebidos. As Manchas de Forchheimer (petéquias ou pápulas eritematosas no palato mole) são achados sugestivos, porém menos específicos que as de Koplik.

    Exantema: maculopapular róseo, não confluente, de início facial com progressão craniocaudal em menos de 24 horas. Linfonodulação suboccipital e auricular posterior é achado muito característico e pode preceder o exantema por até 1 semana.

    Complicações: na criança, geralmente benigna. A Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) é a complicação mais relevante: infecção no primeiro trimestre causa a tríade de catarata congênita, cardiopatia congênita (persistência do canal arterial e estenose pulmonar) e surdez neurossensorial.


    Eritema Infeccioso (Quinta Doença): a "Face Esbofeteada"

    Causado pelo Parvovírus B19, vírus de DNA de fita simples. Período de incubação: 4 a 14 dias. O exantema evolui em três fases distintas:

    1. "Face esbofeteada": eritema malar bilateral intenso com palidez perioral, súbito, durando 2 a 4 dias.
    2. Exantema reticular: erupção maculopapular em padrão de renda predominante nas extremidades dos membros, poupando palmas e solas.
    3. Recorrências: o exantema pode recidivar por semanas a meses, desencadeado por calor, luz solar, exercício ou estresse.

    Complicações: crise aplástica transitória em pacientes com anemias hemolíticas crônicas (anemia falciforme, esferocitose); artropatia simétrica em adultos; e hidropsia fetal quando a infecção ocorre na gestação.


    Exantema Súbito (Roséola Infantil): Febre que Vai, Exantema que Vem

    Causado principalmente pelo Herpesvírus Humano 6 (HHV-6), e menos frequentemente pelo HHV-7. Período de incubação: 5 a 15 dias (média de 10 dias). Estima-se que 90% dos casos ocorram em crianças menores de 2 anos, com pico entre 7 e 13 meses de idade.

    Ponto-chave para provas: febre alta súbita (39–40 °C) por 3 a 5 dias, com estado geral relativamente preservado apesar da temperatura. O exantema surge subitamente após a cessação da febre — erupção maculopapular rósea iniciando-se no tronco, progredindo para face e membros, desaparecendo em 1 a 2 dias sem descamação.

    Complicações: convulsão febril em cerca de 15% dos casos, pelos picos febris elevados em lactentes.


    Tabela Comparativa das Doenças Exantemáticas na Infância

    Característica Sarampo Rubéola Eritema Infeccioso Exantema Súbito
    Agente Morbillivirus (Paramyxoviridae) Rubivirus (Togaviridae) Parvovírus B19 HHV-6 (principal), HHV-7
    Incubação 7–14 dias 14–21 dias 4–14 dias 5–15 dias
    Pródromo Intenso: tosse, coriza, conjuntivite Brando ou ausente Leve: febre baixa Febre alta 39–40 °C por 3–5 dias
    Sinal patognomônico Manchas de Koplik Manchas de Forchheimer Face esbofeteada Febre cede → exantema surge
    Morfologia Maculopapular confluente Maculopapular róseo, não confluente Reticulado em "renda" nos membros Maculopapular róseo, não confluente
    Duração do exantema 5–6 dias ~3 dias Semanas (com recorrências) 1–2 dias
    Complicações Pneumonia, encefalite, SSPE Rubéola congênita (catarata, cardiopatia, surdez) Crise aplástica, hidropsia fetal Convulsão febril (~15%)

    Vacinação: Impacto Real na Redução de Casos

    O Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente a vacina tríplice viral (SCR) e a tetraviral (SCR-V). O esquema atual preconizado pelo Ministério da Saúde é: 1ª dose aos 12 meses (tríplice viral) e 2ª dose aos 15 meses (tetraviral). A cobertura vacinal ideal para controle efetivo do sarampo é de 95% da população, conforme meta da Organização Mundial da Saúde. O Brasil havia recebido a certificação de eliminação do vírus em 2016, mas perdeu o status em 2019 após surtos sustentados decorrentes da queda nas coberturas vacinais — um alerta que permanece relevante.

    Dominar o diagnóstico diferencial das doenças exantemáticas é uma das habilidades mais cobradas em provas de residência em Pediatria e Infectologia. Para aprofundar o raciocínio diagnóstico com casos clínicos e questões comentadas, confira o material completo: [INTERNAL_LINK: Doenças Exantemáticas: Diagnóstico Diferencial na Pediatria].

    Doenças Exantemáticas na Infância

    Guia de Diagnóstico Diferencial

    Doença Agente Exantema Pródromo Complicação Incubação
    Sarampo Vírus RNA (Morbillivirus) Maculopapular, crânio → pés Tosse, coriza, conjuntivite + manchas de Koplik Pneumonia, encefalite 10–14 dias
    Rubéola Vírus RNA (Rubivirus) Maculopapular rosado, face → corpo Linfadenopatia retroauricular Artrite, síndrome rubéola congênita 14–21 dias
    Varicela Vírus DNA (VZV / HHV-3) Vesículas em "orvalho de rosas" (tronco → extremidades) Febre baixa, mal-estar Infecção secundária, pneumonia, cerebelite 14–16 dias
    Eritema Infeccioso Parvovírus B19 "Face esbofeteada" + reticular em membros Assintomático ou febre leve Crise aplástica (anemia falciforme), hidropsia fetal 4–14 dias
    Exantema Súbito HHV-6 (e HHV-7) Maculopapular rosado, tronco Febre alta 3–5 dias, exantema ao defervescer Convulsões febris 5–15 dias
    Escarlatina Streptococcus pyogenes (EBHGA) Papular difusa, "areia de lixa", sinal de Pastia Faringite, febre, língua em framboesa Febre reumática, glomerulonefrite 2–5 dias

    ⚠️ Pontos-chave para prova

    • Sarampo: Koplik + tríade catarral (tosse, coriza, conjuntivite)
    • Rubéola: Linfadenopatia retroauricular + occipital
    • Varicela: Lesões em diferentes estágios ("céu estrelado")
    • Eritema infeccioso: Parvovírus B19 → face esbofeteada
    • Exantema súbito: Exantema surge após a febre ceder
    • Escarlatina: Eritema perioral preservado + descamação lamelar em mãos/pés

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    Infecções Congênitas (TORCHS/SToRCHZ): Impacto na Saúde Materno-Infantil

    As infecções congênitas representam um dos temas mais cobrados no bloco de Pediatria nos exames de residência médica. Elas são responsáveis por complicações graves em cerca de 1 milhão de gestações anualmente no mundo, com estimativa de 300 mil mortes fetais e neonatais por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde.

    O acrônimo SToRCHZ reúne as principais infecções transmitidas verticalmente: Sífilis, Toxoplasmose, Outras (varicela, parvovírus B19), Rubéola, Citomegalovírus, Herpes/HIV/Hepatite e Zika vírus. A maioria ocorre via transplacentária, embora HIV, hepatite B e herpes também possam ser transmitidos durante o parto. Aproximadamente 90% dos recém-nascidos infectados são assintomáticos ao nascimento — o que torna o rastreio pré-natal a ferramenta mais poderosa para prevenir desfechos graves.

    O Ministério da Saúde recomenda rastreio sorológico para sífilis, HIV e hepatite B no primeiro e terceiro trimestres da gestação, além de teste rápido na admissão para o parto.


    Sífilis Congênita: Rastreio, Diagnóstico e Tratamento (PCDT 2021–2026)

    A sífilis congênita é causada pelo Treponema pallidum e transmitida majoritariamente via placentária. A taxa de transmissão vertical é elevada — em torno de 80% — e as consequências fetais incluem abortamento, malformações, prematuridade e óbito fetal ou neonatal.

    Manifestações clínicas precoces (< 2 anos): hepatoesplenomegalia, rinite sifilítica, pênfigo palmoplantar e pseudoparalisia de Parrot. Manifestações tardias (> 2 anos, por inflamação cicatricial): dentes de Hutchinson, tíbia em sabre e ceratite intersticial — a tríade clássica de Hutchinson.

    Critérios e tratamento conforme o PCDT 2021–2026

    Situação do RN Conduta
    Mãe adequadamente tratada (esquema completo documentado, VDRL materno em queda, tratamento ≥ 30 dias antes do parto), RN assintomático e exame físico normal Seguimento clínico e sorológico; tratar apenas se surgir alteração
    Mãe inadequadamente tratada ou sem documentação de tratamento Avaliação completa (hemograma, Rx ossos longos, punção lombar se indicada); tratar por 10 dias
    RN com manifestação clínica de sífilis congênita Penicilina cristalina 100.000–150.000 UI/kg/dia IV por 10 dias
    VDRL do RN ≥ 4× o materno ou em ascensão Tratar como sífilis congênita confirmada
    VDRL do RN ≤ materno, mãe adequadamente tratada, RN assintomático e exame físico normal Seguimento sorológico mensal até negativação ou queda de 4×

    Esquemas de penicilina para sífilis congênita:

    • Penicilina cristalina: 100.000–150.000 UI/kg/dia IV, dividida a cada 12 horas (1ª semana) ou a cada 8 horas (após 7 dias), por 10 dias.
    • Penicilina procaína: 50.000 UI/kg/dia IM, dose única diária, por 10 dias.
    • Penicilina benzatina: 50.000 UI/kg IM, dose única — indicada apenas em situações específicas de seguimento de RN assintomático de mãe adequadamente tratada.

    Para consulta ao documento oficial: [EXTERNAL_LINK: Ministério da Saúde — PCDT Sífilis Congênita 2021]


    Toxoplasmose Congênita: Tríade Clássica e Manejo

    Causada pelo Toxoplasma gondii e transmitida via placentária, principalmente em infecções primárias da gestante. A tríade clássica é: coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais difusas. Muitos RNs são assintomáticos ao nascimento e desenvolvem coriorretinite anos depois — daí a importância do seguimento prolongado.

    Tratamento do RN: sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico por 12 meses, conforme protocolo do Ministério da Saúde.


    Citomegalovírus Congênito: Diagnóstico e Desafios Terapêuticos

    O CMV pertence à família dos herpesvírus. Estima-se que 60 a 80% da população seja infectada ao longo da vida (estimativa amplamente citada na literatura, sem fonte única definitiva). Quando sintomáticos, os sinais mais comuns são petéquias, icterícia, hepatomegalia e microcefalia. A alteração clássica na neuroimagem são as calcificações intracranianas periventriculares.

    Diagnóstico: PCR ou isolamento viral na saliva ou urina do RN nas primeiras 3 semanas de vida — após esse período, não é possível distinguir infecção congênita de perinatal. O tratamento com ganciclovir ou valganciclovir é indicado para casos sintomáticos com envolvimento do sistema nervoso central.


    Zika, HSV e Hepatites B/C: Pontos-Chave para Residência

    Zika vírus: associado à síndrome congênita com microcefalia, calcificações cerebrais e artrogripose. Diagnóstico por PCR. Sem tratamento específico — manejo de suporte e reabilitação.

    Herpes simples (HSV): transmissão predominante durante o parto por contato com lesões ativas. Tratamento com aciclovir IV 60 mg/kg/dia por 14 a 21 dias. Cesariana indicada quando há lesões ativas no momento do parto.

    Hepatite B: imunoprofilaxia com vacina e imunoglobulina anti-HBs nas primeiras 12 horas de vida reduz drasticamente o risco de transmissão vertical. Para HCV, a transmissão vertical ocorre em cerca de 5–6% dos casos, sem vacina disponível.

    A mensagem essencial: o rastreio pré-natal salva vidas. O tratamento adequado da gestante com sífilis reduz a transmissão vertical para menos de 2%.

    📋 Sífilis Congênita: Rastreio, Diagnóstico & Tratamento

    Conforme PCDT 2021–2026 · Protocolo MATERNO-INFANTIL

    🤰 ETAPA 1 — GESTANTE

    📅

    1º Pré-natal

    Solicitar VDRL/
    RPR urgente

    📅

    28–32 semanas

    Repetir
    sorologia

    🚨

    Admissão

    Se reagente → tratar IMEDIATAMENTE

    🔬 ETAPA 2 — DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

    Reagente Confirmação FTA-ABS IgM

    ⚠️ Reagente ≠ doença ativa — avaliar TÍTULOS e contexto clínico

    👶 ETAPA 3 — RECÉM-NASCIDO

    Exames MÍNIMOS:

    VDRL RN Hemograma Raio-X ossos LCR Fundoscopia USG abdome

    💊 ETAPA 4 — TRATAMENTO (PCDT 2021–2026)

    Gestante

    Benzilpenicilina
    benzatina
    (dose conforme estágio)

    RN Confirmado

    Penicilina cristalina
    100–150k UI/kg/dia
    10 dias IV

    Alternativa*

    Penicilina procaína
    50.000 UI/kg/dia
    10 dias IM

    *Consulte o PCDT 2021–2026 para indicações precisas de cada esquema.

    📊 ETAPA 5 — ACOMPANHAMENTO

    3m

    VDRL

    6m

    VDRL

    12m

    VDRL

    18m

    Alta se
    negativo

    📌 Meta: queda de 4× nos títulos em 3–6 meses · Negativação até 12–18 meses

    Fonte: PCDT Sífilis Congênita 2021–2026 · Ministério da Saúde

    Glomerulopatias, Doenças Reumatológicas e Suas Interfaces com Infecções

    Infecções bacterianas, virais e fúngicas podem desencadear tanto glomerulopatias quanto doenças reumáticas por mecanismos imunológicos — deposição de complexos imunes, mimetismo molecular e ativação inflamatória persistente. Compreender essa interface é o que diferencia o candidato que memoriza do residente que raciocina clinicamente.

    Glomerulopatias Pós-Infecciosas: Quando a Infecção Lesa os Rins

    A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o protótipo das glomerulopatias pós-infecciosas. Costuma surgir 1 a 3 semanas após uma faringite estreptocócica, ou 3 a 6 semanas após infecção cutânea (pioderma). A fisiopatologia envolve deposição de complexos imunes circulantes nos glomérulos e ativação do complemento pela via clássica.

    Quadro clínico (Síndrome Nefrítica):

    • Hematúria macroscópica ou microscópica (urina "cor de chá")
    • Edema periorbital ao despertar
    • Hipertensão arterial
    • Oligúria
    • Proteinúria subnefrótica (< 3,5 g/dia)

    Diagnóstico laboratorial: ASLO elevada, C3 reduzido (consumo pelo complemento), urina com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos. Biópsia renal reservada para apresentações atípicas.

    Manejo: suporte com restrição de sal e líquidos, diuréticos, anti-hipertensivos. Antibioticoterapia apenas se houver infecção ativa. Sem indicação de corticosteroides ou imunossupressores na forma típica.


    Síndrome Nefrítica versus Síndrome Nefrótica: Diferenciação Essencial

    Característica Síndrome Nefrítica Síndrome Nefrótica
    Proteinúria Subnefrótica (< 3,5 g/dia) Maciça (> 3,5 g/dia em adultos)
    Hematúria Presente (dismorfismo eritrocitário) Geralmente ausente
    Edema Leve, periorbital Intenso, anasarca
    Hipertensão Frequente Incomum (exceto com IRC)
    Hipoalbuminemia Ausente ou leve Marcada (< 3,0 g/dl)
    Hipercolesterolemia Ausente Presente
    Cilindros urinários Hemáticos Hialinos, gordurosos
    Exemplo clássico GNPE pós-estreptocócica Doença de Lesões Mínimas (crianças); Nefropatia Membranosa (adultos)

    Para aprofundar: [INTERNAL_LINK: Glomerulopatias: O que o Residente Precisa Saber]


    Infecções como Gatilho de Doenças Reumatológicas

    • Febre Reumática: desencadeada por faringite estreptocócica do grupo A, com manifestações articulares (poliartrite migratória), cardíacas (valvulite), cutâneas (eritema marginado, nódulos subcutâneos) e neurológicas (coreia de Sydenham). Mecanismo: mimetismo molecular.
    • Artrite Reativa: surge após infecções geniturinárias (Chlamydia trachomatis) ou gastrointestinais (Salmonella, Shigella, Campylobacter, Yersinia). Tríade clássica: artrite assimétrica + uretrite/cervicite + conjuntivite/uveíte.
    • Vasculite por crioglobulinemia: fortemente associada ao vírus da Hepatite C. A deposição de crioglobulinas em pequenos vasos gera púrpura palpável, artralgias e glomerulonefrite membranoproliferativa.
    • Lúpus Eritematoso Sistêmico: infecções virais (especialmente EBV) são consideradas fatores ambientais desencadeantes em indivíduos geneticamente predispostos.
    • Dermatite Atópica e S. aureus: a pele de pacientes com DA apresenta redução da barreira cutânea e do peptídeo antimicrobiano cathelicidina, favorecendo a colonização bacteriana que agrava a inflamação por superantígenos.

    Dermatite Atópica: Marcha Atópica, Diagnóstico e Tratamento

    A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória cutânea crônica de etiologia multifatorial, com forte componente genético (mutações da filagrina em até 30% dos casos) e imunológico (desregulação Th2). A marcha atópica descreve a progressão natural: DA na infância → rinite alérgica → asma brônquica. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nos critérios de Hanifin e Rajka.

    Critério obrigatório: prurido — sem ele, não há diagnóstico de DA.

    O tripé do tratamento:

    1. Hidratação cutânea: emolientes sem fragrância com ceramidas, aplicados diariamente, inclusive nas fases de remissão. Banhos mornos curtos (5–10 min) seguidos de emoliente em até 3 minutos ("regra dos 3 minutos").
    2. Controle da inflamação: corticoides tópicos de potência adequada à região (face: baixa potência; tronco e extremidades: média a alta). Inibidores de calcineurina (tacrolimus, pimecrolimus) para face e dobras em uso prolongado.
    3. Controle do prurido: anti-histamínicos de 1ª geração (hidroxizina, dexclorfeniramina) pelo efeito sedativo noturno, reduzindo o ato de coçar durante o sono.

    Rosácea: Fenótipos, Diagnóstico e Abordagem Terapêutica

    A rosácea é um distúrbio inflamatório crônico que envolve alteração imunológica inata, desregulação neurovascular e possível papel do Demodex folliculorum. Afeta predominantemente a face de adultos acima de 30 anos, com prevalência estimada em torno de 10% (variação de 2% a 22% conforme a população estudada).

    Diagnóstico: baseado em fenótipos — a presença de um fenótipo definidor é suficiente:

    • Eritema centrofacial persistente (flushing)
    • Alterações fimatosas (espessamento cutâneo, especialmente rinofima)
    • Pápulas e pústulas inflamatórias centrof faciais, sem comedões (diferencia da acne vulgar)
    • Teleangiectasias
    • Manifestações oculares (blefarite, conjuntivite, queratite)

    Abordagem terapêutica por fenótipo:

    • Eritema e flushing: brimonidina gel 0,33% ou oximetazolina tópica. Laser vascular (PDL ou IPL) para teleangiectasias.
    • Pápulas e pústulas: metronidazol gel/creme 0,75–1% (1ª linha tópica); ivermectina creme 1%; ácido azelaico gel 15%. Casos moderados a graves: doxiciclina oral (40 mg em dose subantimicrobiana ou 100 mg/dia) por 8–12 semanas.
    • Fimatosas: isotretinoína oral em baixas doses para casos progressivos; tratamento cirúrgico para rinofima estabelecido.

    Ponto de prova: rosácea não tem comedões. Eritema centrofacial persistente e alterações fimatosas são fenótipos definidores — basta um para o diagnóstico.

    Como a IA M.A.E.S.T.R.O.® Otimiza seu Estudo para a Residência

    Estudar dermatoses infecciosas e doenças reumatológicas exige integrar conhecimento clínico, microbiológico e imunológico. É exatamente neste ponto que a medmentorIA, com a IA M.A.E.S.T.R.O.®, faz diferença na sua preparação.

    A IA M.A.E.S.T.R.O.® funciona como uma aliada que se adapta ao seu perfil de aprendizagem. Em vez de seguir um roteiro genérico, ela identifica seus pontos fracos a partir do seu desempenho em questões e prioriza os temas com maior recorrência nos exames de residência. Se você erra repetidamente questões sobre esporotricose ou sobre o diagnóstico diferencial de síndrome nefrítica, a IA ajusta automaticamente seu ciclo de revisão para reforçar esse conteúdo nos momentos ideais de retenção.

    Outro diferencial é a oferta de questões comentadas com análises que mostram onde a maioria dos candidatos erra — permitindo que você direcione o foco de estudo com base em dados reais. Para temas como sífilis congênita, a plataforma incorpora as atualizações dos PCDTs de forma contínua, integrando as mudanças do protocolo do Ministério da Saúde aos ciclos de revisão sem que você precise acompanhar cada publicação manualmente.

    O resultado é estudo mais cirúrgico: menos horas desperdiçadas com conteúdo já dominado, mais energia concentrada no que realmente importa para a aprovação.

    Conclusão: Preparação Contínua para o Médico do Futuro

    Ao longo deste guia, ficou evidente que dermatoses infecciosas e doenças reumatológicas com manifestações cutâneas não existem em compartimentos isolados. A candidíase de repetição pode ser a ponta do iceberg de um diabetes descompensado; a artrite reativa após um episódio de diarreia exige o mesmo olhar atento que a esclerodermia no adulto jovem. Essa interconexão entre dermatologia, reumatologia, infectologia e pediatria é o cerne da prática clínica moderna — e é precisamente o tipo de visão holística que as provas de residência mais cobram.

    Dominar temas como sífilis congênita — que afeta cerca de 1 milhão de gestações anualmente no mundo, com manifestações que vão da hepatomegalia ao pênfigo sifilítico (dados OMS) — ou reconhecer o padrão "espaguete e almôndegas" no KOH para distinguir pitiríase versicolor de dermatofitose não é apenas uma questão de aprovação. É uma questão de segurança clínica real. Cada diagnóstico diferencial que você domina hoje pode evitar uma cascata de exames e prescrições desnecessárias amanhã.

    A boa notícia é que o caminho da preparação contínua não precisa ser solitário ou caótico. Com recursos como a IA M.A.E.S.T.R.O.® da medmentorIA, você organiza o estudo de alta complexidade em ciclos inteligentes, revisa esses temas de forma espaçada e direcionada e mantém-se atualizado com os PCDTs sem perder a visão interdisciplinar que a residência exige. Continue estudando com método, mantenha a curiosidade ativa — e lembre-se: cada dermatose é uma história que a pele conta, e o seu papel é saber ouvi-la.

    Perguntas Frequentes

    Quais as principais diferenças entre sarampo, rubéola e eritema infeccioso?

    As diferenças estão no agente etiológico, período prodrômico, tipo de exantema e progressão, e na presença de sinais patognomônicos específicos. No sarampo, as Manchas de Koplik e a tríade catarral (tosse, coriza, conjuntivite) são distintivas. Na rubéola, o pródromo é mínimo e a linfadenopatia retroauricular é característica. No eritema infeccioso, a "face esbofeteada" bilateral com exantema reticulado nos membros é inconfundível — causada pelo Parvovírus B19.

    Como é feito o diagnóstico da sífilis congênita e qual o protocolo de tratamento atual?

    O diagnóstico é multifatorial: rastreio sorológico materno durante a gestação (VDRL/RPR no 1º e 3º trimestres e na admissão ao parto), avaliação clínica e laboratorial do recém-nascido (VDRL sérico, hemograma, raio-X de ossos longos, punção lombar se indicada, fundoscopia e USG abdominal). O tratamento segue o PCDT 2021–2026 do Ministério da Saúde, com penicilina cristalina IV 100.000–150.000 UI/kg/dia por 10 dias como esquema padrão para casos confirmados ou de alto risco.

    Quais os sinais e sintomas mais característicos da mucormicose e quem está em maior risco?

    A mucormicose é caracterizada principalmente pela apresentação rinocerebral — com invasão dos seios paranasais, órbita e encéfalo — ou pulmonar, com necrose tecidual progressiva. Pacientes com diabetes mellitus mal controlado, imunossupressão (transplantados, uso prolongado de corticoides) e, em contextos recentes, pós-COVID-19 com uso de corticoides, estão no maior risco. O diagnóstico exige alta suspeição clínica e biópsia confirmatória.

    O que é pitiríase rósea e qual a duração média da doença?

    A pitiríase rósea é uma dermatose aguda e autolimitada, de provável etiologia viral (possivelmente HHV-6 ou HHV-7), que começa com uma "placa arauto" (lesão única, eritematosa, ovalada, com descamação central) e, em 1 a 2 semanas, progride para lesões menores que seguem as linhas de clivagem da pele em padrão de "árvore de Natal" no tronco. Sua duração média é de 4 a 10 semanas, com resolução espontânea na maioria dos casos.

    Quais os principais agentes das dermatofitoses e como são tratadas?

    Os agentes são fungos dos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. O tratamento varia conforme a localização: formas localizadas de Tinea corporis e cruris respondem a antifúngicos tópicos (terbinafina 1% ou cetoconazol 2%) por 2–4 semanas. Tinea capitis e onicomicose exigem tratamento sistêmico — terbinafina oral por 4–6 semanas (capitis) ou até 12 semanas (unhas dos pés).

    Como a medmentorIA pode auxiliar na revisão desses temas para a residência médica?

    A medmentorIA, com a IA M.A.E.S.T.R.O.®, oferece ciclos de revisão personalizados baseados no seu histórico de erros, questões comentadas com análise de recorrência em provas anteriores e atualização contínua dos PCDTs. Isso permite que você estude de forma cirúrgica — reforçando exatamente os temas em que precisa melhorar, no momento ideal de retenção, sem dispersar energia em conteúdo já dominado.

    Qual o papel da biópsia renal no diagnóstico de glomerulopatias associadas a doenças sistêmicas?

    A biópsia renal é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo de glomerulopatias, especialmente as associadas a doenças sistêmicas como lúpus eritematoso sistêmico, vasculites e diabetes. Ela fornece informações histopatológicas, imunofluorescentes e ultraestruturais que não são obtidas por nenhum outro método — determinando o tipo de glomerulonefrite, orientando a escolha e intensidade da imunossupressão e fornecendo dados prognósticos sobre a progressão para doença renal crônica. Na GNPE típica em crianças, a biópsia é reservada para apresentações atípicas com piora progressiva da função renal ou complemento persistentemente baixo.

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