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    Preparação13 min de leitura08 de jun. de 2026

    CBEM 2024: Adrenal, Osteometabolismo e Pediatria

    Dra. Lara Santos Rocha
    Dra. Lara Santos Rocha
    Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250
    CBEM 2024: Adrenal, Osteometabolismo e Pediatria
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    O Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM) é um dos eventos mais importantes para quem se dedica à endocrinologia no Brasil. A edição de outubro de 2024 reuniu especialistas de referência nacional e internacional para discutir avanços em áreas como adrenal, osteometabolismo e endocrinologia pediátrica. Para quem está se preparando para provas de residência médica, acompanhar esses congressos é fundamental: as bancas adoram cobrar temas recentes e as discussões do CBEM frequentemente aparecem nas questões.

    Neste artigo, você vai encontrar um resumo objetivo das principais palestras do CBEM 2024 nessas três grandes áreas. Nosso objetivo é traduzir o conteúdo de alto nível científico em conhecimento aplicável tanto para a prática clínica quanto para sua preparação para provas. Se você quer se manter atualizado e ao mesmo tempo ganhar pontos nas provas de residência, este conteúdo é para você.

    Além dos resumos, incluímos insights sobre como esses temas são cobrados em provas e como você pode consolidar esse conhecimento com questões adaptativas e revisão espaçada inteligente.

    Cushing Adrenal e Biologia Molecular: O Que Há de Novo

    Uma das palestras mais aguardadas do bloco de adrenal no CBEM 2024 foi apresentada por Jerome Bertherat, convidado internacional renomado na área de tumores adrenais. O foco foi a biologia molecular do Cushing adrenal, um tema que vem ganhando relevância tanto na pesquisa quanto nas provas de residência médica. O hipercortisolismo endógeno de origem adrenal corresponde a cerca de 20% dos casos de síndrome de Cushing, e o entendimento molecular desses tumores tem avançado de forma expressiva nos últimos anos.

    Os tumores adrenais produtores de cortisol incluem desde adenomas benignos unilaterais (CPA) até carcinomas adrenocorticais (ACC), passando por doenças bilaterais como a hiperplasia adrenal macronodular bilateral primária (PBMAH) e a doença nodular pigmentada adrenal primária (PPNAD). As vias de sinalização mais frequentemente alteradas são a da proteína quinase A (PKA) e a via Wnt/beta-catenina. A identificação de mutações em componentes dessas vias, como PRKACA, CTNNB1 e ARMC5, tem sido possível graças ao sequenciamento de nova geração.

    Para o candidato à residência, o ponto-chave é entender a correlação genótipo-fenótipo: mutações em PRKACA estão associadas a adenomas produtores de cortisol, enquanto alterações em TP53 e CTNNB1 são mais frequentes no carcinoma adrenocortical. A banca pode explorar essa correlação em questões clínicas que apresentam um paciente com hipercortisolismo e pedem a hipótese diagnóstica mais provável com base no perfil molecular. Esse tipo de questão tem se tornado cada vez mais comum, refletindo a tendência de provas mais atualizadas e baseadas em evidências.

    Estudar biologia molecular aplicada à endocrinologia pode parecer intimidante, mas a revisão espaçada nos ciclos D1, D2, D6 e D31 torna esse processo mais eficiente, priorizando os tópicos em que você tem maior dificuldade e consolidando a memória de longo prazo.

    Carcinoma Adrenocortical: Diagnóstico e Estadiamento

    O carcinoma adrenocortical (ACC) é uma neoplasia rara, mas de alta relevância para provas de residência, especialmente nas questões de endocrinologia e cirurgia. Com incidência de aproximadamente 1 a 2 casos por milhão de habitantes por ano, o ACC representa um desafio diagnóstico porque muitas vezes é descoberto incidentalmente em exames de imagem ou se manifesta com síndromes hormonais exuberantes.

    No CBEM 2024, foram discutidos os critérios de Weiss para diferenciação histológica entre adenomas e carcinomas adrenais. O escore de Weiss avalia nove parâmetros histopatológicos, incluindo índice mitótico, atipias nucleares e invasão capsular. Uma pontuação igual ou superior a 3 sugere malignidade. Esse sistema de classificação continua sendo o padrão-ouro e frequentemente aparece em questões de prova.

    O estadiamento pelo sistema ENSAT (European Network for the Study of Adrenal Tumors) também foi abordado. O sistema classifica o ACC em quatro estádios com base no tamanho tumoral, invasão local, acometimento linfonodal e metástases a distância. Pacientes nos estádios I e II (tumores confinados à adrenal, menores ou maiores que 5 cm respectivamente) têm prognóstico significativamente melhor do que aqueles nos estádios III e IV. A sobrevida em cinco anos varia de mais de 60% nos estádios iniciais a menos de 15% no estádio IV.

    Para sua preparação, é essencial dominar a apresentação clínica do ACC. O paciente típico pode apresentar síndrome de Cushing de instalação rápida, virilização em mulheres, feminização em homens, ou uma combinação de síndromes hormonais. A presença de uma massa adrenal maior que 4 cm com características de washout lento na tomografia computadorizada deve levantar a suspeita de malignidade.

    Osteometabolismo: Osteoporose e Novas Abordagens Terapêuticas

    O bloco de osteometabolismo do CBEM 2024 trouxe discussões relevantes sobre osteoporose, uma das doenças metabólicas ósseas mais prevalentes e frequentemente cobrada em provas de residência. No Brasil, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas sejam afetadas pela osteoporose, com predominância em mulheres pós-menopáusicas. As fraturas osteoporóticas, especialmente de quadril e vértebra, representam uma das principais causas de morbimortalidade nessa população.

    As palestras abordaram os avanços na compreensão da fisiopatologia óssea, com destaque para o papel do eixo RANK-RANKL-OPG na regulação da remodelação óssea. O RANKL, produzido por osteoblastos e células do estroma, liga-se ao receptor RANK nos precursores de osteoclastos, promovendo sua diferenciação e ativação. A osteoprotegerina (OPG) atua como receptor-isca, neutralizando o RANKL e inibindo a reabsorção óssea. Esse eixo é a base farmacológica do denosumabe, um anticorpo monoclonal anti-RANKL que tem se consolidado como opção terapêutica de primeira linha em casos selecionados.

    Outro destaque foi a discussão sobre romosozumabe, um anticorpo monoclonal anti-esclerostina. A esclerostina, produzida pelos osteócitos, inibe a via Wnt/beta-catenina nos osteoblastos, reduzindo a formação óssea. O romosozumabe bloqueia essa ação, promovendo simultaneamente aumento da formação e redução da reabsorção óssea. Os estudos FRAME e ARCH demonstraram redução significativa de fraturas vertebrais e não vertebrais, posicionando o romosozumabe como opção para pacientes de alto risco de fratura.

    Para provas de residência, é fundamental dominar a indicação de densitometria óssea (DEXA), os critérios diagnósticos da OMS (T-score menor ou igual a -2,5), o cálculo do FRAX para estratificação de risco e as opções terapêuticas disponíveis. Questões clínicas frequentemente apresentam mulheres pós-menopáusicas com fraturas por fragilidade e pedem a conduta mais adequada.

    📊 Osteometabolismo: Osteoporose em Números

    Dados do CBEM 2024 — Principais destaques sobre osteoporose e novas abordagens terapêuticas

    10M+
    de brasileiros afetados pela osteoporose
    RANKL
    eixo RANK-RANKL-OPG como base do denosumabe
    2
    principais sítios de fratura: quadril e vértebra
    OPG
    osteoprotegerina: receptor-isca que inibe reabsorção óssea
    💡

    A osteoporose é uma das doenças metabólicas ósseas mais prevalentes e frequentemente cobrada em provas de residência. Mulheres pós-menopáusicas são o grupo de maior risco.

    Endocrinologia Pediátrica: Crescimento e Puberdade

    A endocrinologia pediátrica foi outro grande destaque do CBEM 2024, com sessões dedicadas a distúrbios do crescimento e da puberdade. O acompanhamento do crescimento infantil é um dos pilares da pediatria, e as bancas de residência adoram explorar esse tema em questões que integram fisiologia, semiologia e terapêutica.

    O crescimento normal depende de uma interação complexa entre fatores genéticos, nutricionais e hormonais. O eixo GH-IGF-1 é o principal regulador do crescimento pós-natal. O hormônio de crescimento (GH) é secretado de forma pulsátil pela hipófise anterior, e sua ação é mediada pelo fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1), produzido principalmente no fígado. Deficiências nesse eixo podem resultar em baixa estatura, um dos motivos mais comuns de encaminhamento ao endocrinologista pediátrico.

    No CBEM 2024, foram discutidos os critérios diagnósticos para deficiência de GH, incluindo a importância dos testes de estímulo (como os testes com clonidina e insulina) e a correlação com achados de imagem da região hipotálamo-hipofisária. Também foram abordadas as causas não endócrinas de baixa estatura, como baixa estatura familiar, retardo constitucional do crescimento e da puberdade e doenças crônicas.

    A puberdade precoce foi outro tema amplamente discutido. Define-se puberdade precoce como o aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos. A puberdade precoce central (dependente de GnRH) é a forma mais comum em meninas e geralmente é idiopática, enquanto em meninos deve-se sempre investigar causas orgânicas, como tumores do sistema nervoso central. Para aprofundar esse tema, confira nosso artigo sobre Pediatria na Residência Médica: Temas Mais Cobrados. Se você quer ir além, recomendamos a leitura de Calendário Vacinal na Pediatria: Guia Completo para ....

    O tratamento da puberdade precoce central com análogos de GnRH (como leuprorrelina) foi revisado, com ênfase nos critérios de indicação e nos objetivos terapêuticos: preservar o potencial de estatura adulta e evitar consequências psicossociais da maturação sexual precoce. Para provas, lembre-se de que o diagnóstico se confirma com níveis elevados de LH após teste de estímulo com GnRH e que o tratamento só é indicado quando há comprometimento do prognóstico de estatura ou sofrimento psicossocial significativo.

    CBEM 2024

    Endocrinologia Pediátrica

    Crescimento e Puberdade — Eixo GH-IGF-1

    GH
    Hormônio do Crescimento
    Secretado de forma pulsátil pela hipófise anterior
    IGF-1
    Fator de Crescimento
    Produzido principalmente no fígado; medeia a ação do GH
    3
    Pilares do Crescimento
    Fatores genéticos, nutricionais e hormonais
    ⚙️ Eixo GH-IGF-1 — Como funciona
    Hipotálamo
    (GHRH / Somatostatina)
    Hipófise Anterior
    (secreção pulsátil de GH)
    Fígado
    (produção de IGF-1)
    Crescimento
    ósseo e tecidual
    📌 Baixa Estatura

    Um dos motivos mais comuns de encaminhamento ao endocrinologista pediátrico. A deficiência do eixo GH-IGF-1 é uma das principais causas investigadas.

    🎯 Para a Prova

    As bancas de residência exploram questões que integram fisiologia, semiologia e terapêutica do crescimento infantil.

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    Diabetes e Obesidade na Endocrinologia: Conexões com o CBEM

    Embora o foco principal deste artigo sejam as areas de adrenal, osteometabolismo e pediatria, e impossível falar do CBEM sem mencionar as discussoes sobre diabetes e obesidade, que dominaram parte significativa do congresso. A edicao de 2024 trouxe dados importantes sobre o uso de semaglutida em pacientes com insuficiencia cardiaca com fracao de ejecao preservada (ICFEp) e diabetes tipo 2, um estudo publicado no New England Journal of Medicine que gerou grande repercussao.

    A conexao entre endocrinologia metabolica e as subespecialidades discutidas neste artigo e direta. Pacientes com diabetes tipo 2, por exemplo, apresentam maior risco de fraturas osteoporoticas (apesar de densitometria normal, ja que a qualidade ossea esta comprometida), e criancas com obesidade tem maior probabilidade de apresentar puberdade precoce. Essas interrelacoes sao um prato cheio para questoes integradoras em provas de residencia medica, que cada vez mais exigem raciocinio transversal entre especialidades.

    Para quem esta estudando para a prova, a dica e nao compartimentalizar o conhecimento. Os temas de endocrinologia se conectam de forma orgânica, e entender essas pontes entre metabolismo, osso, adrenal e crescimento pode ser o diferencial na hora da prova. A medmentorIA facilita essa integracao com suas trilhas personalizadas, que identificam lacunas no seu conhecimento e criam conexoes entre temas aparentemente distantes.

    Como Esses Temas Sao Cobrados em Provas de Residencia

    Entender o conteudo cientifico e fundamental, mas saber como as bancas cobram esses temas e o que realmente faz a diferenca no dia da prova. Com base na analise de questoes de anos anteriores, podemos identificar padroes claros de cobranca para cada um dos temas discutidos no CBEM 2024.

    Na area de adrenal, as questoes mais frequentes envolvem o diagnostico diferencial de sindrome de Cushing (ACTH-dependente versus ACTH-independente), a investigacao de incidentalomas adrenais e a indicacao cirurgica. Questoes sobre feocromocitoma e hiperaldosteronismo primario tambem aparecem com regularidade. O candidato deve dominar os testes de rastreio (cortisol livre urinario, supressao com dexametasona, dosagem de metanefrinas e relacao aldosterona/renina).

    Em osteometabolismo, o padrao de cobranca gira em torno de casos clinicos de mulheres pos-menopausicas com fraturas e interpretacao de densitometria ossea. As opcoes terapeuticas (bisfosfonatos, denosumabe, teriparatida e romosozumabe) sao frequentemente exploradas em questoes de melhor conduta. O candidato precisa saber diferenciar agentes antirreabsortivos de anabolicos e conhecer as indicacoes especificas de cada um.

    Na endocrinologia pediatrica, as questoes classicas envolvem investigacao de baixa estatura (com diagnostico diferencial entre causas endocrinas e nao endocrinas), puberdade precoce (central versus periferica) e hipotireoidismo congenico no teste do pezinho. Questoes sobre pediatria em provas de residencia tendem a ser integradoras, exigindo que o candidato correlacione dados clinicos com exames laboratoriais e de imagem.

    Estrategias de Estudo para Endocrinologia na Residencia

    A endocrinologia é uma das disciplinas que mais recompensa o estudo estruturado e a revisão espaçada. Os temas são interligados (eixos hormonais compartilham mecanismos de feedback, as vias de sinalização se repetem em diferentes órgãos) e a compreensão profunda de um tópico facilita o aprendizado dos demais. Isso é uma vantagem para quem estuda de forma inteligente.

    A primeira estratégia é organizar o estudo por eixos hormonais, não por doenças isoladas. Ao estudar o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, por exemplo, você cobre ao mesmo tempo insuficiência adrenal, síndrome de Cushing, hiperplasia adrenal congênita e feocromocitoma. Essa abordagem sistemática é mais eficiente do que pular entre temas desconexos e permite construir um mapa mental que integra fisiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento.

    A segunda estratégia é priorizar questões comentadas sobre os temas mais cobrados. A análise de bancos de questões mostra que adrenal, tireoide, diabetes e osteometabolismo representam a maioria das questões de endocrinologia nas provas de residência. Resolver questões ativamente, com análise detalhada de cada alternativa, é mais eficaz do que a leitura passiva de resumos.

    A terceira estratégia é usar a revisão espaçada para consolidar o conhecimento a longo prazo. Os ciclos D1, D2, D6 e D31 garantem que você revise o conteúdo nos momentos ideais antes que o esquecimento ocorra. A IA M.A.E.S.T.R.O.® da medmentorIA automatiza esse processo, identificando os tópicos em que você tem maior dificuldade e ajustando a frequência de revisão de forma personalizada.

    Por fim, acompanhar congressos como o CBEM é essencial para se manter atualizado. As bancas têm incorporado cada vez mais temas recentes em suas questões, e o candidato que conhece as discussões mais atuais sai na frente. Artigos como este podem servir como ponto de partida, mas a prática com questões e a revisão sistemática são o que realmente consolidam o aprendizado.

    Conclusão

    O CBEM 2024 reafirmou a importância de áreas como adrenal, osteometabolismo e endocrinologia pediátrica no cenário da endocrinologia brasileira. Para quem está se preparando para provas de residência, os temas discutidos no congresso representam oportunidades reais de pontuação, já que as bancas têm priorizado conteúdos atualizados e baseados em evidências. Dominar a biologia molecular do Cushing adrenal, os avanços terapêuticos na osteoporose e os critérios diagnósticos em endocrinologia pediátrica pode ser o diferencial entre a aprovação e mais um ano de preparação.

    A chave para transformar esse conhecimento em desempenho na prova é a prática deliberada com questões e a revisão espaçada. Não basta ler sobre os temas: é preciso testar seu conhecimento ativamente, identificar lacunas e revisá-las nos momentos certos. Se você quer uma preparação que se adapta ao seu nível e otimiza seu tempo de estudo, considere utilizar ferramentas baseadas em inteligência artificial que personalizam essa jornada.

    Se você quer aprofundar seu estudo em subespecialidades médicas ou entender melhor como se preparar para as provas com uma abordagem baseada em dados, explore outros conteúdos do nosso blog. E para uma preparação verdadeiramente personalizada, a medmentorIA está pronta para acompanhar você nessa jornada com trilhas adaptativas, questões calibradas e revisão espaçada inteligente.

    Dra. Lara Santos Rocha★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.®
    Sobre a autora

    Dra. Lara Santos Rocha

    Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

    Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

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