Os 10 temas de pediatria que mais caem na residência médica
A preparação para pediatria residência médica exige foco estratégico, e a medmentorIA utiliza sua metodologia baseada em IA M.A.E.S.T.R.O.® para mapear exatamente os padrões de cobrança das principais bancas nacionais. Com base na análise cruzada de provas da Unifesp, Unicamp, USP, HCPA e Revalida, concentrar energia nos temas de maior recorrência é a diferença entre uma preparação mediana e um desempenho de destaque. Segundo dados compilados entre 2020 e 2025, 10 eixos temáticos dominam consistentemente as questões de pediatria nos processos seletivos de residência. Aqui estão eles:
- Reanimação Neonatal e Cuidados com o RN — As três perguntas iniciais (idade gestacional ≥ 34 semanas, respiração/choro, tônus), o clampeamento tardio de 1 a 3 minutos e a sequência progressiva de passos fazem parte da rotina das bancas.
- Triagem Neonatal (Teste do Pezinho, Coraçãozinho e Orelhinha) — PNTN ampliado pela Lei 14.154/2021, nova meta 1-2-3 e divisão IRDA1/IRDA2 são atualizações quentes para 2026.
- Aleitamento Materno — Contraindicações absolutas (galactosemia clássica, HIV, HTLV-1/2 no Brasil), AME por 6 meses e complementar até 2 anos ou mais.
- Bronquiolite Viral Aguda e Lactente Sibilante — VSR em 50-70% dos casos, critérios de internação (SatO2 < 91%) e a evidência contrária ao uso de beta-2-agonistas e corticoides.
- Diarreia Aguda e Desidratação — Planos A, B e C atualizados (divisor etário do Plano C = 1 ano), zinco suplementar e ondansetrona no Plano B.
- Infecção do Trato Urinário — E. coli em 95%, inversão epidemiológica por sexo, refluxo vesicoureteral em 5 graus e diagnóstico por urocultura.
- Distúrbios da Puberdade e Estadiamento de Tanner — Telarca (8-13 anos), volume testicular ≥ 4 mL (9-14 anos), menarca em M4 e estirão puberal.
- Desenvolvimento Neuropsicomotor e Reflexos Primitivos — Marcos por idade, cronologia de desaparecimento dos reflexos e Babinski fisiológico até 18-24 meses.
- Febre Sem Sinais Localizatórios e Neutropenia Febril — Estratificação por faixa etária, critérios de Rochester e internamento obrigatório na neutropenia febril pediátrica.
- Icterícia Neonatal e Emergências Pediátricas — Icterícia com menos de 24h é sempre patológica, limiares de fototerapia, BRUE e critérios PECARN no TCE leve.
Esses 10 eixos representam entre 60% e 75% das questões de pediatria nos processos seletivos mais concorridos. Estudar com ciclos D1/D2/D6/D31 priorizando esses tópicos é a estratégia de maior retorno para a sua aprovação.
Tema 1 — Reanimação Neonatal e Cuidados Imediatos com o RN
Quase todo recém-nascido faz a transição da vida intrauterina para a extrauterina sem intercorrências. Cerca de 1 em cada 10 bebês, porém, necessita de alguma forma de assistência na sala de parto — e aproximadamente 1 em cada 100 precisa de medidas avançadas de reanimação. É por isso que dominar o protocolo neonatal é um dos diferenciais mais cobrados nas provas de residência médica.
As Três Perguntas Iniciais: O Gatekeeper da Sala de Parto
Antes de qualquer intervenção, o profissional de saúde deve responder a três perguntas-chave ao nascimento:
- A idade gestacional é ≥ 34 semanas? — RNs abaixo desse limiar exigem termorregulação reforçada (saco plástico + touca dupla) e oxigenoterapia cautelosa.
- O recém-nascido respira ou chora? — Ausência de respiração efetiva é indicação imediata de ventilação.
- O tônus muscular é bom? — Tônus flácido indica necessidade de estímulo e possivelmente suporte ventilatório.
Se a resposta for sim para as três, o caminho é clampeamento tardio e contato pele a pele. Se qualquer resposta for não, inicia-se o protocolo de reanimação progressivo.
Passo a Passo da Reanimação: Do PSPA à Adrenalina
1. PSPA — Prover Calor, Secar, Posicionar, Aspirar (até 30 segundos)
- Prover calor: Sala de parto entre 23°C e 26°C. RN sob fonte de calor radiante.
- Secar: Secagem vigorosa com campos aquecidos. A secagem em si já funciona como estímulo tátil.
- Posicionar: Cabeça em leve extensão ("posição de cheirar").
- Aspirar: Apenas se houver obstrução. Aspirar a traqueia de rotina em RN com mecônio e boa vitalidade não é mais recomendada desde 2015.
Reavaliar ao final dos 30 segundos.
2. Golden Minute — O Primeiro Minuto Decisivo
Se o RN apresenta apneia/ventilação irregular ou FC < 100 bpm, avançar para ventilação.
3. Ventilação com Pressão Positiva (VPP) — O Passo Mais Importante
A VPP é a medida mais eficaz da reanimação neonatal.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Frequência ventilatória | 40 a 60 incursões/min |
| Pressão inicial de insuflação | 20–25 cmH₂O |
| Pressão para RN pretermo | Pode exigir até 30 cmH₂O |
| Reavaliação | A cada 30 segundos |
Após 30 segundos de VPP eficaz:
- FC ≥ 100 bpm + respiração espontânea: Sucesso. Suspender ventilação progressivamente.
- FC entre 60 e 100 bpm: Manter VPP e avaliar técnica.
- FC < 60 bpm: Avançar para massagem cardíaca.
4. Massagem Cardíaca (3:1)
Iniciada quando a FC permanece < 60 bpm mesmo após 30 segundos de VPP eficaz.
- Técnica: Dois polegares circundando o tórax.
- Compressão: Terço inferior do esterno, profundidade de 1/3 do diâmetro AP do tórax.
- Relação: 3 compressões para 1 ventilação (90 comp + 30 vent/min).
- Reavaliação: A cada 60 segundos.
5. Adrenalina e Expansão Volêmica
Quando FC permanece < 60 bpm mesmo após VPP eficaz + massagem cardíaca.
| Medicamento | Via | Dose |
|---|---|---|
| Adrenalina | IV (venosa umbilical) | 0,01 a 0,03 mg/kg |
| Adrenalina (alternativa) | Endotraqueal | 0,05 a 0,1 mg/kg |
| SF 0,9% | IV (venosa umbilical) | 10 mL/kg em 5–10 min |
A via IV umbilical é sempre preferível. SF 0,9% é o expansor de primeira escolha — hemácias e Ringer lactato não são indicados.
Cuidados de Rotina na Sala de Parto
- Clampeamento tardido do cordão: Entre 1 e 3 minutos para RNs com boa vitalidade.
- Vitamina K (Fitomenadiona): 0,5 a 1 mg IM na coxa anterolateral.
- Crede-Profilaxia: Nitrato de prata a 1% em cada olho.
- BCG: Indicada para RNs com peso > 2.000 g. RNs de mãe bacilífera: iniciar quimioprofilaxia com isoniazida por 3 meses e adiar a BCG.
- Hepatite B: Primeira dose dentro das primeiras 12 horas.
- Contato pele a pele: Por pelo menos 1 hora.
Termorregulação: O Inimigo Silencioso
- Sala de parto: 23°C a 26°C
- Secador pré-aquecido sob fonte de calor radiante
- Para RNs < 34 semanas: saco plástico + touca dupla sem secar previamente
Testes de Triagem na Sala
| Teste | Momento | Observação |
|---|---|---|
| Reflexo vermelho (teste do olhinho) | Antes da alta | Catarata e retinoblastoma |
| Teste da linguinha | Antes da alta | Frênulo lingual |
| Teste do coraçãozinho | 24–48h de vida | Oximetria em MMSS e MMII |
| Teste do pezinho | 3º ao 5º dia | Não fazer no nascimento |
Reanimação Neonatal Passo a Passo: Protocolo Atualizado SBP 2025
Tema 2 — Triagem Neonatal: Teste do Pezinho, Coraçãozinho e Orelhinha
No Brasil, todo recém-nascido tem direito a triagens obrigatórias e gratuitas pelo SUS. O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) engloba cinco triagens: teste do pezinho (biológico), teste do coraçãozinho, teste da orelhinha, teste da linguinha e teste do olhinho.
Teste do Pezinho: Coleta, Tecnologia e PNTN Ampliado
A coleta deve ser realizada preferencialmente entre o 3º e o 5º dia de vida. O método padrão-ouro é a espectrometria de massas em tandem.
Ampliação pela Lei 14.154/2021
A lei ampliou o painel de 6 para mais de 50 condições, organizadas em fases:
| Fase | Doenças incluídas |
|---|---|
| Fase I | Fenilcetonúria, Hipotireoidismo Congênito, Doença Falciforme, Fibrose Cística, Hiperplasia Adrenal Congênita, Deficiência de Biotinidase |
| Fase II | Galactosemia, Toxoplasmose Congênita |
| Fase III | Imunodeficiências graves (SCID, Agamaglobulinemia) |
| Fase IV | Atrofia Muscular Espinhal (AME) |
A Homocistinúria Clássica (HCU), incluída em 2023 pela Conitec, é causada pela deficiência da enzima cistationina-beta-sintetase. O tratamento precoce com dieta restritiva em metionina previne complicações graves.
Teste do Coraçãozinho
Protocolo atualizado (2023+):
- Idade gestacional mínima: 35 semanas
- Momento ideal: 24-48 horas de vida
| Resultado | Critério |
|---|---|
| Negativo | SpO2 ≥ 95% em ambas + diferença ≤ 3% |
| Positivo (imediato) | SpO2 ≤ 89% em qualquer extremidade |
| Duvidoso | SpO2 90-94% ou diferença 3-9% (repetir em 1h) |
Triagem Auditiva Neonatal: EOAT, PEATE e Nova Meta 1-2-3
- Teste inicial: EOAT (Emissões Otoacústicas Transientes)
- Falha no EOA (sem risco): Reteste em 15 dias
- Falha no reteste: Encaminhar para PEATE/BERA
- Famílias com pais surdos: avaliar diretamente com PEATE
Nova Meta 1-2-3 (2025)
| Meta | Prazo |
|---|---|
| 1 | Triagem auditiva até o 1º mês de vida |
| 2 | Diagnóstico confirmado até o 2º mês de vida |
| 3 | Intervenção (prótese/IC) até o 3º mês de vida |
Divisão IRDA1 e IRDA2
| Categoria | Fatores associados |
|---|---|
| IRDA1 (perda coclear) | Infecções congênitas (TORCHS+Z), ototóxicos, meningite bacteriana |
| IRDA2 (perda retrococlear/neuropatia) | UTI neonatal ≥ 5 dias, peso < 1.500g, hiperbilirrubinemia com exsanguinotransfusão, ventilação mecânica prolongada |
RNs sem IRDA realizam apenas EOA; com IRDA necessitam de PEATE mesmo com EOA normal (risco de neuropatia auditiva).
Tabela Comparativa das 5 Triagens Neonatais
| Triagem | Período ideal | Método principal | Alvos |
|---|---|---|---|
| Teste do Pezinho | 3º-5º dia | Sangue do calcanhar (espectrometria de massas) | >50 doenças |
| Teste do Coraçâozinho | 24-48h (≥35 semanas) | Oximetria de pulso (SpO2) pre + pós-ductal | Cardiopatias congênitas críticas |
| Teste da Orelhinha | 24-48h ou antes da alta | EOAT → PEATE se falha | Deficiência auditiva coclear (≥30-35 dB) |
| Teste da Linguinha | Primeiras 48h | Avaliação clínica do frênulo (Protocolo Martinelli) | Anquiloglossia |
| Teste do Olhinho | Até 7 dias (ideal: 48-72h) | Reflexo vermelho (Brückner) | Catarata congênita, retinoblastoma, glaucoma congênito |
Pontos-chave para a prova
- 3º-5º dia: período ideal para coleta do pezinho
- SpO2 ≤ 89%: positivo imediato no coraçãozinho
- SpO2 ≥ 95% + diferença ≤ 3%: coraçãozinho negativo
- 35 semanas: idade gestacional mínima para coraçãozinho (pós-2023)
- HCU: incluída em 2023 no PNTN
- Lei 14.154/2021: ampliou o pezinho para >50 doenças
- Meta 1-2-3: triagem (1º mês), diagnóstico (2º mês), intervenção (3º mês)
- IRDA1: coclear; IRDA2: retrococleares
Triagem Neonatal: Teste do Pezinho Ampliado, Coraçãozinho e Orelhinha Bronquiolite Viral Aguda: Guia Completo para Provas de Residência 2026
TRIAGEM NEONATAL: 5 TESTES ESSENCIAIS
Ideal, método e critérios de referência
💡 Lembre-se: Todos os 5 testes são obrigatórios pelo SUS. Detecção precoce = melhor prognóstico!
📚 medmentorIA — Triagem Neonatal · 2026
Tema 3 — Aleitamento Materno: Técnica, Contraindicações e Fisiologia
O aleitamento materno é um dos temas mais cobrados em provas de residência médica. Dominar fisiologia, técnica e contraindicações pode garantir pontos decisivos.
Fisiologia da Lactação: Prolactina versus Ocitocina
- Prolactina: responsável pela produção do leite nos alvéolos mamários. Estimulada pela sucção.
- Ocitocina: responsável pela ejeção do leite (contração das células mioepiteliares). Inibida pelo estresse/adrenalina.
Técnica de Pega Correta e Livre Demanda
Sinais de pega correta:
- Boca bem aberta (>140º), abocanhando parte significativa da aréola
- Lábio inferior evertido (virado para fora)
- Queixo tocando a mama, nariz livre
- Aréola mais visível acima da boca do que abaixo
- Bochechas arredondadas durante a sucção
A recomendação é livre demanda — sem restrições de horários ou duração.
Contraindicações Absolutas
- Infecção materna por HIV
- Infecção materna por HTLV-1 e HTLV-2
- Galactosemia clássica no lactente
Mastite e abscesso mamário NÃO contraindicam a amamentação — o esvaziamento é parte do tratamento. Tuberculose materna também não contraindica.
Armazenamento do Leite Ordenhado
| Condição | Temperatura | Validade |
|---|---|---|
| Geladeira | 4°C a 8°C | 12 horas |
| Freezer | -18°C a -12°C | 15 dias |
Armazenar em potes de vidro esterilizados. Nunca descongelar em micro-ondas.
Benefícios Mensuráveis
- Redução de 820 mil mortes infantis/ano globalmente
- Redução de 13% nas mortes por causas preveníveis
- 4% de redução no risco de sobrepeso/obesidade para cada mês adicional de aleitamento
Recomendação oficial: AME por 6 meses e complementar até 2 anos ou mais.
Nota sobre o Teste do Pezinho
O aleitamento materno não interfere no resultado do teste do pezinho. A coleta entre o 3º e o 5º dia de vida é independente do tipo de alimentação.
Aleitamento Materno nas Provas: Tudo que Você Precisa Saber sobre AM
Tema 4 — Bronquiolite Viral Aguda e Profilaxia contra VSR: Nirseximabe 2026
A bronquiolite viral aguda (BVA) é possivelmente o tema de pediatria com maior incidência em provas de residência médica.
BVA na Prática
- Primeiro episódio de sibilância em menores de dois anos
- VSR: 50 a 70% dos casos
- Pico: 2 a 6 meses de idade
- Sazonalidade: Fevereiro a setembro no Brasil
O diagnóstico é eminentemente clínico. A sibilância na BVA ocorre por plugs intraluminais inflamatórios — não por broncoespasmo. Por isso, broncodilatadores não funcionam.
Exames complementares não são recomendados de rotina.
Tratamento: O que NÃO Fazer
Tratamento exclusivamente de suporte:
- Hidratação (preferencialmente enteral)
- Oxigenoterapia quando SpO2 < 90–91%
- Limpeza nasal com solução salina
- Cabeceira elevada a 30°
NÃO usar:
- Beta-2 agonistas (salbutamol)
- Corticoides (inalatórios ou sistêmicos)
- Adrenalina inalatória
- Antibióticos
- Soro hipertônico sem indicação
Critérios de Internação
- SpO2 < 91% em ar ambiente
- FR > 70 irpm (< 2 meses: > 60)
- Idade < 3 meses
- Episódios de apneia
- Desidratação com dificuldade de alimentação
- Prematuridade extrema ou doença cardiopulmonar de base
Palivizumabe vs. Nirseximabe: Atualização 2026
Palivizumabe: até 5 doses mensais durante a estação do VSR.
| Critério | Ministério da Saúde | SBP |
|---|---|---|
| IG elegível | ≤ 28s6d | ≤ 31s6d |
Nirseximabe: anticorpo monoclonal de longa duração, dose única IM, proteção por ~5 meses. Incorporado ao PNI, representa mudança paradigmática na prevenção do VSR.
Vacina materna contra VSR: aplicável a partir de 32 semanas de gestação, permite transferência passiva de anticorpos.
Pegadinhas Clássicas de Prova
- "Lactente de 4 meses, 1º episódio sibilância, SpO2 93%" → tratamento ambulatorial com suporte
- "Prescrever salbutamol e prednisona" → ERRADO
- "Sibilância recorrente em criança de 3 anos" → NÃO É BVA
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A diarreia aguda (duração < 14 dias) é a principal causa infecciosa de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, com cerca de 2 bilhões de casos anuais pela OMS.
Classificação da Desidratação
Diagnóstico estritamente clínico:
| Grau | Perda de peso |
|---|---|
| Leve | < 5% |
| Moderada | 6–9% |
| Grave | ≥ 10% |
Planos de Reidratação
| Plano | Situação | Conduta |
|---|---|---|
| A | Sem desidratação | Prevenção domiciliar + SRO após evacuações + zinco 10–14 dias |
| B | Desidratação leve/moderada | SRO 50–100 mL/kg em 4–6h + ondansetrona se vômitos |
| C | Desidratação grave | Venosa, por faixa etária |
Mudança 2023: divisor etário do Plano C passou de 5 anos para 1 ano.
Plano C Detalhado
- < 1 ano: 30 mL/kg na 1ª hora + 70 mL/kg nas 5h seguintes (total: 6h)
- ≥ 1 ano: 30 mL/kg nos primeiros 30 min + 70 mL/kg nas 2h30 seguintes (total: 3h)
- Hipovolemia/choque: Expansão SF 0,9% 20 mL/kg em bolus antes da sequência.
Zinco
- 10 mg/dia — bebês até 6 meses
- 20 mg/dia — 6 meses a 5 anos
- Duração: 10 a 14 dias
Ondansetrona no Plano B
Recomendada formalmente para vômitos incoercíveis que impedem reidratação oral eficaz, reduzindo necessidade de acesso venoso e internação.
Tema 6 — Infecção do Trato Urinário na Pediatria
A ITU é a segunda infecção bacteriana mais prevalente em crianças até 7 anos. E. coli responde por 95% dos casos.
Diagnóstico: Urocultura por Método de Coleta
| Método | UFC/mL positivo |
|---|---|
| Jato intermediário | ≥ 100.000 UFC/mL |
| Cateterismo vesical | ≥ 1.000 a 50.000 UFC/mL |
| Aspirado suprapúbico | Qualquer crescimento |
Bacteriúria assintomática em pediatria NÃO deve ser tratada.
Epidemiologia por Idade e Sexo
- Até 6 meses: incidência igual entre sexos; Proteus mirabilis mais comum em meninos
- Após 6 meses: predomínio no sexo feminino; E. coli predominante
Em RN: febre alta (>39°C) sem foco e icterícia persistente são sinais de alerta.
Classificação Atualizada (IDSA 2023)
- ITU não complicada: limitada à bexiga (inclui população masculina quando acometimento exclusivo vesical)
- ITU complicada: pielonefrite, abscesso renal, sepse de foco urinário
Tratamento
Cistite (VO, 7–10 dias):
- Cefalexina: 80 mg/kg/dia VO, 3-4 doses
- Sulfametoxazol + Trimetropim
- Nitrofurantoína: 5-7 mg/kg/dia VO
Pielonefrite (IV, internação obrigatória):
- Ceftriaxona: 50-75 mg/kg/dia IV, dose única diária
Refluxo Vesicoureteral (RVU)
Presente em ~35% das crianças com ITU sintomática. Classificado em 5 graus:
| Grau | Achado |
|---|---|
| I | Refluxo ureteral sem dilatação |
| II | Dilatação ureteral leve, sem dilatação pélvica |
| III | Dilatação ureteral e pélvica moderada |
| IV | Tortuosidade ureteral e dilatação pélvica acentuada |
| V | Dilatação pélvica severa, ureterectasia importante |
Critérios de Imagem após 1ª ITU
- Ultrassonografia renal e vesicular: indicada para todas as crianças com 1ª ITU febril
- Uretrocistografia miccional: meninas < 3 anos com 1ª ITU febril + USG alterada
- Renografia com DMSA: avaliar cicatrizes renais (meses após episódio agudo)
Infecção Urinária em Crianças: Diagnóstico e Tratamento por Faixa Etária
Tema 7 — Distúrbios da Puberdade e Estadiamento de Tanner
Normalidade
- Feminina: 8 a 13 anos, primeiro sinal = telarca (broto mamário = M2)
- Masculina: 9 a 14 anos, primeiro sinal = volume testicular ≥ 4 mL (G2)
Puberdade precoce: antes de 8 anos (F) ou 9 anos (M) Puberdade atrasada: ausência de sinais após 13 anos (F) ou 14 anos (M)
Telarca vs. Adrenarca
- Telarca: dependente do eixo HPG
- Adrenarca: ativação da zona reticular da adrenal (pelos pubianos P2, odor axilar). Tumores adrenais ou HAC podem causar adrenarca isolada (pseudo-puberdade precoce independente de GnRH).
Menarca e Estirão
- Menarca: estágio M4, ~2 a 2,5 anos após telarca
- Estirão feminino: M3 (~8,5–9,5 cm/ano)
- Estirão masculino: G3–G4 (~9,5 cm/ano)
- ~20% da estatura final é adquirida na puberdade
Estadiamento de Tanner
| Estágio | Mamas (F) | Genitais (M) | Pelos (ambos) |
|---|---|---|---|
| 1 | Pré-puberal | Testículos < 4 mL | Ausentes |
| 2 | Broto mamário (telarca) | Testículos ≥ 4 mL; escroto fino | Escassos, longos, pigmentados |
| 3 | Elevação mama + aréola contorno único | Crescimento peniano; testículos ≥ 8 mL | Mais escuros, encaracolados |
| 4 | Aréola + papila = montículo secundário | Aumento diâmetro peniano; testículos ≥ 12 mL | Adultos em quantidade, distribuição limitada |
| 5 | Forma adulta madura | Testículos ≥ 15–25 mL | Distribuição adulta, extensão às coxas |
Investigação
- Rastreamento inicial: LH, FSH, estradiol/testosterona, radiografia de idade óssea (punho e mão E), USG pélvica (meninas)
- Teste de estímulo com GnRH: diferencia puberdade precoce central de periférica
- RM de crânio: se suspeita de etiologia central
Puberdade Precoce: Como Investigar e com Qual Critério de Tanner
ESTADIAMENTO DE TANNER
Distúrbios da Puberdade — Feminino × Masculino
Sem tecido mamário; aréola plana.
Testículos < 1.5 mL; pênis infantil; sem pelos.
Broto mamário; aréola alargada.
Testículos 1.5–6 mL; escroto fino e vermelho.
Aumento do volume mamário; aréola contínua.
Testículos 6–12 mL; pênis alongado.
Aréola + papila formam projeção secundária.
Testículos 12–15 mL; pênis adulto em largura.
Mama adulta; pelos tipo adulto em triângulo invertido.
Testículos ≥ 15 mL; genitais adultos.
- 1º sinal feminino: Telarca (M2) — NÃO pelos pubianos
- 1º sinal masculino: Testículos ≥ 4 mL (G2) — antes de qualquer pelo
- Menarca: M4, ~2 anos após telarca
- Cronologia F: Telarca → Pelo pubiano → Estirão → Menarca → Pelo axilar
- Cronologia M: ↑ Testicular → Pelo peniano → Estirão → Pelo facial
Tema 8 — Desenvolvimento Neuropsicomotor e Reflexos Primitivos
O desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) é o processo sequencial de maturação neurológica, cognitiva e social da concepção aos dois anos de idade.
Padrão do Desenvolvimento
- Craniocaudal: da cabeça para os pés (sustenta cabeça → senta → anda)
- Proximodistal: do centro para as extremidades (ombro → mão → dedos)
Os Primeiros 1.000 Dias
A janela entre a gestação e os dois anos representa o período de maior plasticidade cerebral. Baixo peso ao nascer (< 2.500g) e prematuridade exigem atenção redobrada.
Marcos do Desenvolvimento
| Idade | Marco |
|---|---|
| 3–4 meses | Sustenta a cabeça |
| 6 meses | Senta sem apoio |
| 8 meses | Engatinha |
| 12 meses | Primeiros passos e primeiras palavras |
Classificação
- Adequado: reforço positivo aos cuidadores
- Alerta: orientação de estimulação + retorno em 30 dias
- Possível atraso: encaminhamento imediato para rede especializada
Reflexos Primitivos: Cronologia de Desaparecimento
| Reflexo | Desaparecimento | Observação |
|---|---|---|
| Moro | 6 meses | Assimetria = alerta |
| Preensão palmar | 4–6 meses | Substitui-se por preensão voluntária |
| Preensão plantar | 15 meses | Um dos mais duradouros |
| Marcha reflexa | 2–3 meses | Um dos primeiros a desaparecer |
| Procura | 3–4 meses | Estimulado na região perioral |
| Landau | 12–24 meses | Surgimento por volta dos 3 meses |
| Babinski | 18–24 meses | Fisiológico no lactente |
Ponto de prova: Babinski é normal até 18–24 meses. Após esse período, sugere lesão do neurônio motor superior.
Pontos-Chave para Provas
- DNPM é sequencial e previsível — desvios merecem investigação
- Reflexos que persistem além do prazo ou são assimétricos indicam atraso neurológico
- Encaminhamento precoce amplia chances de intervenção eficaz
Tema 9 — Febre Sem Sinais Localizatórios e Neutropenia Febril
Febre em criança sem foco aparente é um dos cenários mais frequentes na pediatria de emergência.
Definição: temperatura retal > 38°C. Axilar > 37,8°C acende o alerta.
Estratificação por Faixa Etária
| Faixa etária | Conduta | Exames obrigatórios |
|---|---|---|
| 0-28 dias | Internação mandatória | Hemocultura, urocultura, LCR, PCR |
| 1-3 meses | Critérios de Rochester | Hemograma, urocultura |
| 3-36 meses | Avaliar toxicidade | Conforme clínica |
Critérios de Rochester (1-3 meses)
- Leucócitos: 5.000–15.000/mm³
- Bastonetes: < 1.500/mm³
- Leucócitos urina: < 10/campo
Crianças que preenchem todos os critérios = baixo risco → acompanhamento ambulatorial com reavaliação em 24h.
Neutropenia Febril: Emergência Oncológica
Todo paciente pediátrico com neutropenia febril requer internamento imediato.
- Febre: > 38°C por pelo menos 1 hora
- Neutropenia: neutrófilos < 1.000/mm³
- Neutropenia grave: < 500/mm³ → cobertura anti-Pseudomonas
- Duração > 7 dias: considerar cobertura antifúngica
Antibioticoterapia empírica: Cefepime ou piperacilina-tazobactam (1ª linha). Vancomicina se suspeita de infecção de cateter.
Pontos-Chave de Prova
- Neonato febril (0-28 dias) = internação obrigatória, sem exceção
- FSSL com toxemia = internação
- ITU oculta é a apresentação bacteriana grave mais comum em FSSL
- Neutropenia febril pediátrica nunca é ambulatorial
Tema 10 — Icterícia Neonatal e Emergências Pediátricas
Icterícia Neonatal
Regra de ouro: icterícia com menos de 24 horas de vida é sempre patológica.
| Característica | Fisiológica | Patológica |
|---|---|---|
| Início | Após 24h | < 24h (sempre!) |
| Pico | 3º-5º dia | Elevação > 5 mg/dL/dia |
| BT máxima | < 12-13 mg/dL | Variável, progressiva |
| Resolução | Até 2 semanas | Persistente |
Fototerapia: primeira linha. Limiares dependem da idade em horas e peso/IG. Exsanguinotransfusão: quando fototerapia falha ou BT > 25 mg/dL (risco de kernicterus).
Emergências Pediátricas
PCR na pediatria é primariamente respiratória (hipóxia progressiva), diferente do adulto (origem cardíaca).
RCP pediátrica com 2 socorristas: proporção 15:2 (adulto = 30:2). Com 1 socorrista: 30:2.
BRUE (Evento Inexplicado Resolvido Brevemente)
Substituiu o ALTE. Aplica-se a menores de 1 ano, dura < 1 minuto, autolimitado.
Baixo risco: idade > 60 dias, IG ≥ 32 semanas, evento único → conduta conservadora. Alto risco: internação e investigação complementar.
Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI)
Hipotermia terapêutica: padrão-ouro para EHI moderada/grave. Iniciar nas primeiras 6 horas de vida, manter 33,5°C por 72 horas.
TCE Leve: Critérios PECARN
- < 2 anos: observar 4-6h; sinais de alerta = alteração da consciência, fratura palpável, fontanela abaulada, vômitos persistentes
- ≥ 2 anos: TC se Glasgow < 15, sinais de fratura de base de crânio, vômitos, cefaleia intensa. Glasgow 15 + assintomático = observação.
Icterícia neonatal Emergências pediátricas Trauma cranioencefálico em pediatria
Comparativo: O que Mudou em Pediatria entre 2024 e 2026?
| Tema | Antes (até 2023) | Agora (2024–2026) |
|---|---|---|
| Diarreia — Plano C | Divisor etário: 5 anos | Divisor: 1 ano (MS + SBP + SBI, 2023) |
| Diarreia — Ondansetrona | Uso fora de bula | Recomendada formalmente no Plano B |
| Teste do Pezinho | Painel menor | HCU incluída (2023); >50 doenças (Lei 14.154) |
| Coraçâozinho | IG mínima: 34 semanas | IG mínima: 35 semanas; positivo: SpO2 ≤ 89% |
| Triagem Auditiva | IRDA agrupado | IRDA1 (coclear) e IRDA2 (retrococlear) |
| Meta TAN | Sem algoritmo unificado | Meta 1-2-3: triagem 1m / diagnóstico 2m / intervenção 3m |
| Prevenção VSR | Só Palivizumabe | Nirseximabe (dose única) + Palivizumabe + vacina materna |
Guia de Atualização em Pediatria 2026 Banco de Questões Atualizado medmentorIA
Tabela-Resumo: Os 10 Temas que Mais Caem na Prova
| Nº | Tema | Palavra-chave | Frequência | Bancas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Reanimação Neonatal | 3 perguntas iniciais | Alta | ENAMED, HCPA-RS |
| 2 | Triagem Neonatal | PNTN ampliado | Alta | ENAMED, INEP |
| 3 | Aleitamento Materno | Contraindicações absolutas | Alta | ENAMED, Unesp |
| 4 | Bronquiolite Viral Aguda | VSR / sem beta-2 | Alta | ENAMED, HCPA-RS |
| 5 | Diarreia Aguda | Planos A, B, C (1 ano) | Alta | ENAMED, HCPA-RS |
| 6 | Infecção Urinária | E. coli 95% / RVU 5 graus | Alta | ENAMED, PROFIMED |
| 7 | Puberdade / Tanner | Telarca 8-13 / G2 ≥ 4 mL | Média | ENAMED, Unesp |
| 8 | DNPM e Reflexos | Moro 6m / Babinski 18-24m | Média | HCPA-RS, INEP |
| 9 | FSSL / Neutropenia Febril | Rochester / < 500 = internar | Média | HCPA-RS, ENAMED |
| 10 | Icterícia / Emergências | < 24h = patológica / PECARN | Média | HCPA-RS, INEP |
Perguntas Frequentes sobre Pediatria na Residência Médica
Quais são os 10 temas de pediatria mais cobrados na residência médica?
Reanimação neonatal, triagem neonatal, aleitamento materno, bronquiolite por VSR, diarreia aguda e desidratação, infecção urinária, puberdade e Tanner, DNPM e reflexos, FSSL/neutropenia febril, e icterícia neonatal/emergências. Aparecem em ENAMED, Revalida e concursos de diversas instituições.
Qual o esquema atual de profilaxia contra VSR?
Palivizumabe (até 5 doses mensais) e Nirseximabe (anticorpo de longa duração, dose única, incorporado em 2026). Vacina materna a partir de 32 semanas.
Quais são as contraindicações absolutas do aleitamento materno no Brasil?
HIV, HTLV-1/2 e galactosemia clássica no lactente. Mastite NÃO contraindica.
Como classificar a desidratação infantil?
Plano A (domiciliar + zinco), Plano B (SRO 50-100 mL/kg em 4-6h), Plano C (venoso, divisor etário 1 ano). Zinco 10 mg/d (< 6 meses) ou 20 mg/d (6m-5a).
O que é BRUE e qual a conduta?
Evento breve inexplicado em < 1 ano, < 1 minuto. Baixo risco: > 60 dias, IG ≥ 32 semanas, único episódio. Alto risco: internação.
Quais os critérios de Tanner e quando investigar puberdade precoce?
Tanner M/G/P 1-5. Precoce: < 8 anos (F) / < 9 anos (M). Volume testicular ≥ 4 mL = G2. Menarca em M4.
Qual o período ideal para o teste do pezinho?
3º ao 5º dia de vida. PNTN ampliado (Lei 14.154/2021) inclui Homocistinúria Clássica e outras doenças.
Como distinguir icterícia fisiológica de patológica?
Fisiológica: > 24h, BT < 13, pico 3º-5º dia. Patológica: < 24h (sempre!), BT subindo > 5 mg/dL/dia, hemólise.
Conclusão: Como Dominar os 10 Temas e Garantir sua Aprovação em Pediatria
Dominar os 10 temas mais cobrados em pediatria não é sobre decorar listas: é sobre construir um raciocínio clínico que funcione sob pressão de prova. Ao longo deste guia, você viu que os assuntos mais frequentes — de diarreia aguda e aleitamento materno a emergências respiratórias e reanimação neonatal — correspondem à maior parte das questões nas provas de residência.
O diferencial para 2026 está nas atualizações recentes: Nirseximabe para prevenção de VSR em dose única, Plano C com divisor etário de 1 ano, nova classificação IRDA1/IRDA2 para triagem auditiva, e a meta 1-2-3 para intervenção auditiva precoce. Quem domina a base clássica e aplica essas novidades tem vantagem objetiva na pontuação final.
Para transformar esse conhecimento em aprovação, revise tabelas práticas, resolva questões com comentários detalhados e simule ciclos reais (D1, D2, D6, D31). A medmentorIA oferece a IA M.A.E.S.T.R.O.® que identifica suas lacunas e otimiza o tempo de estudo.
Sua vaga em pediatria está mais perto do que imagina. Bora estudar com estratégia.



