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title: "Toracostomia com drenagem pleural fechada: indicações e técnica · MedMentorIA"
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Preparação • 12 min de leitura • Publicado em 30 de jun. de 2026 · Atualizado em  24 de ago. de 2026 

# Toracostomia com drenagem pleural fechada: indicações e técnica

Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

![Toracostomia com drenagem pleural fechada: indicações e técnica](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/toracostomia-com-drenagem-pleural-fechada-indicacoes-e-tecnica.jpg)

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#### Neste artigo

-   [Definição e indicações](#definicao-e-indicacoes)
-   [Indicações específicas por cenário clínico](#indicacoes-especificas-por-cenario-clinico)
-   [Anatomia do triângulo de segurança](#anatomia-do-triangulo-de-seguranca)
-   [Ultrassom torácico como parte do procedimento](#ultrassom-toracico-como-parte-do-procedimento)
-   [Técnica de inserção: passo a passo](#tecnica-de-insercao-passo-a-passo)
-   [Sistema de drenagem sob selo d'água](#sistema-de-drenagem-sob-selo-d-agua)
-   [Contraindicações e situações de cautela](#contraindicacoes-e-situacoes-de-cautela)
-   [Complicações](#complicacoes)
-   [Fibrinolíticos intrapleurais na infecção pleural](#fibrinoliticos-intrapleurais-na-infeccao-pleural)
-   [Perguntas frequentes](#perguntas-frequentes)
-   [Conclusão](#conclusao)

## Definição e indicações

A **toracostomia com drenagem pleural fechada** — popularmente chamada de dreno intercostal ou dreno de tórax sob **selo d'água** — é um dos procedimentos mais fundamentais da prática clínica cirúrgica e de emergência. Consiste na introdução de um dreno tubular no espaço pleural, conectado a um sistema externo que funciona como válvula unidirecional: permite a saída de ar ou fluido do tórax e impede o refluxo para a cavidade pleural. Entender quando e como realizá-lo é conhecimento obrigatório para médicos que atuam em pronto-socorro, UTI, cirurgia torácica e até em clínica médica.

Segundo a **BTS Guideline for Pleural Disease 2023** (British Thoracic Society), as indicações consolidadas para a drenagem pleural fechada incluem: **pneumotórax sintomático** (especialmente quando não elegível a manejo conservador ou aspiração isolada), **hemotórax**, **derrames pleurais infectados** (empiema ou derrame parapneumônico complicado) e **derrames sintomáticos volumosos** com comprometimento respiratório. Cada uma dessas situações tem nuances diagnósticas e técnicas que determinam inclusive o calibre do dreno escolhido — ponto frequentemente explorado em provas de residência.

Vale destacar que a drenagem pleural fechada NÃO equivale a toracocentese simples (punção aspirativa sem dreno fixado) nem à toracotomia aberta. Ela ocupa um papel intermediário crucial: é menos invasiva do que a cirurgia, mais durável e controlada do que a punção única e, quando bem executada, tem excelente relação risco-benefício. Ao longo deste artigo, você vai dominar as indicações, a anatomia do sítio seguro, a escolha do calibre, o funcionamento do sistema de drenagem e as principais complicações — tudo com base nas diretrizes atuais.

* * *

## Indicações específicas por cenário clínico

### Pneumotórax

Uma mudança importante trazida pela **BTS 2023** é a adoção da abordagem **baseada em sintomas**, e não mais no tamanho do pneumotórax pela radiografia. Isso significa que um pneumotórax espontâneo primário assintomático ou minimamente sintomático pode ser manejado de forma **conservadora** — com observação e alta ambulatorial — independentemente da extensão radiológica. A aspiração por agulha ou a colocação de dreno torácico fica reservada para pacientes que não são elegíveis ao manejo conservador ou que apresentam sintomas significativos.

No **pneumotórax hipertensivo**, a lógica é diferente e a ordem dos passos importa muito. pneumotórax hipertensivo Trata-se de emergência com risco imediato de vida: a compressão mediastinal compromete o retorno venoso e pode causar parada cardíaca em minutos. Nesses casos, a **descompressão por agulha** precede a colocação do dreno definitivo. Conforme o **ATLS 10ª edição** e o StatPearls, a agulha pode ser inserida no **2º espaço intercostal na linha hemiclavicular** (acima da costela inferior, para evitar o feixe neurovascular) ou, com maior taxa de sucesso e menos complicações, no **5º espaço intercostal na linha axilar anterior** — exatamente o sítio lateral do triângulo de segurança. Só após a descompressão imediata parte-se para a toracostomia tubular definitiva.

Para o pneumotórax espontâneo que necessita de drenagem, a BTS 2023 recomenda dreno de **pequeno calibre (12F)**, inserido por técnica de Seldinger e posicionado dentro do triângulo de segurança — detalharemos esse sítio na próxima seção.

### Hemotórax traumático

No trauma torácico, o **hemotórax** é indicação clássica de dreno torácico. O ATLS 10ª edição recomenda calibre de **28–32 Fr**, tipicamente posicionado no **5º espaço intercostal logo anterior à linha axilar média** — uma mudança em relação a versões anteriores que preconizavam drenos ainda maiores. O objetivo é evacuar o sangue, monitorar o débito e identificar precocemente a necessidade de cirurgia.

Fique atento ao **hemotórax maciço**: conforme o ATLS 10ª edição, a drenagem imediata superior a **1500 mL** de sangue pelo dreno, ou débito superior a **200 mL/hora** por 2 a 4 horas consecutivas, ou ainda necessidade de transfusão, configura hemotórax maciço com indicação de **toracotomia de urgência**. Esse critério é clássico em provas e deve estar na ponta da língua.

### Derrame parapneumônico e empiema

Nem todo derrame parapneumônico requer drenagem — muitos respondem a antibioticoterapia isolada. A decisão de drenar baseia-se em critérios clínicos e bioquímicos do líquido pleural. derrame parapneumônico complicado Segundo a **BTS e a ACCP (American College of Chest Physicians)**, o **pH do líquido pleural < 7,2** é o principal ponto de corte bioquímico que indica derrame parapneumônico complicado com necessidade de drenagem por dreno torácico.

Independentemente do pH, se o líquido for **francamente purulento, turvo ou leitoso**, ou se o Gram ou a cultura forem positivos, a drenagem é indicada imediatamente — sem esperar resultado de pH. Esses critérios visuais e microbiológicos são suficientes para a decisão. Segundo a BTS 2023, para infecção pleural o dreno inicial recomendado é de **calibre 14F ou menor**; drenos maiores que 14F podem causar mais dor sem benefício adicional comprovado.

### Derrames volumosos sintomáticos

Derrames malignos, transudatos maciços ou qualquer derrame que cause dispneia significativa podem justificar drenagem para alívio sintomático. derrame pleural maligno A indicação é paliativa ou temporária quando não há critério de empiema ou pneumotórax, mas o comprometimento ventilatório é real. Nesses casos, considera-se também a pleurodese ou o cateter pleural de longa permanência, dependendo da etiologia e do prognóstico.

* * *

## Anatomia do triângulo de segurança

O conceito de **triângulo de segurança** é o pilar anatômico de toda a técnica. Segundo a **BTS Clinical Statement on Pleural Procedures 2023**, o dreno deve ser inserido nessa região delimitada por:

-   **Limite anterior**: borda lateral do músculo **peitoral maior**
-   **Limite posterior**: borda anterior do **grande dorsal** (latissimus dorsi)
-   **Limite inferior**: nível do **5º espaço intercostal** (linha horizontal na altura do mamilo)

Essa região corresponde à axila e apresenta a menor taxa de complicações para procedimentos pleurais invasivos porque evita grandes vasos, nervos e órgãos sólidos. Drenos inseridos **fora** do triângulo de segurança têm maior risco de perfurar pulmão, pericárdio, coração ou fígado — complicações graves e, por vezes, fatais.

Um detalhe técnico fundamental: a agulha ou o trocarte deve ser introduzido sempre **pela margem superior da costela inferior** do espaço escolhido, nunca pela borda inferior (que abriga o feixe neurovascular — artéria, veia e nervo intercostais). Por exemplo, ao entrar no 5º espaço intercostal, passe rente à **borda superior da 6ª costela**.

* * *

## Ultrassom torácico como parte do procedimento

A BTS 2023 é explícita: **todo paciente submetido a procedimento pleural para fluido (derrame) deve ter ultrassom torácico** como parte do procedimento, para localizar o líquido e reduzir complicações. ultrassom à beira leito O ultrassom identifica o local ideal de punção, diferencia líquido de parênquima sólido, detecta septações, e reduz o risco de punção inadvertida de órgãos subdiafragmáticos (como o fígado e o baço) — risco especialmente relevante em derrames pequenos ou loculados.

Em contexto de **pneumotórax**, o ultrassom também tem papel diagnóstico: a ausência de deslizamento pleural (lung sliding) e o sinal do ponto pulmonar são achados que confirmam o diagnóstico à beira do leito, antes mesmo da radiografia. No entanto, a localização por imagem para inserção do dreno em pneumotórax puro não requer ultrassom de forma obrigatória — o triângulo de segurança é suficiente quando a anatomia é favorável.

* * *

## Técnica de inserção: passo a passo

A toracostomia com drenagem fechada pode ser realizada por **técnica de Seldinger** (guiada por fio-guia, preferida para drenos de pequeno calibre) ou por **técnica de dissecção romba** (blunt dissection, clássica para drenos maiores). A sequência geral segue os mesmos princípios:

1.  **Posicionamento**: decúbito dorsal com o braço ipsilateral abduzido sobre a cabeça (expõe a axila) ou sentado inclinado para frente. Identificar o triângulo de segurança.
2.  **Assepsia e anestesia local**: limpeza rigorosa com clorexidina, campos estéreis, infiltração de anestésico local em leque — pele, subcutâneo, musculatura intercostal e pleura parietal (que é a camada mais dolorosa). Aguarde o tempo de ação do anestésico.
3.  **Incisão**: pequena incisão horizontal na pele, na margem superior da costela inferior do espaço escolhido.
4.  **Dissecção romba** (técnica clássica): com pinça hemostática, dissecção dos planos musculares até atravessar a pleura parietal com suavidade — evite força excessiva que possa lesar estruturas internas. Na técnica de Seldinger, o fio-guia substitui este passo.
5.  **Introdução do dreno**: direcionado para cima e posteriormente para pneumotórax; lateralmente ou inferiormente para líquido. Confirmar posição pelo retorno de ar ou líquido e pela oscilação no selo d'água com a respiração.
6.  **Fixação**: sutura em bolsa-de-tabaco ou ponto em U para fixar o dreno à pele; curativo oclusivo.
7.  **Conexão ao sistema de drenagem sob selo d'água**: o dreno é mergulhado abaixo do nível d'água no frasco, criando uma coluna líquida que funciona como válvula unidirecional.
8.  **Radiografia de tórax pós-procedimento**: confirmação do posicionamento e verificação de complicações imediatas.

* * *

### Técnica de inserção: passo a passo

-   ✓ Posicionamento: decúbito dorsal com o braço ipsilateral abduzido sobre a cabeça (expõe a axila) ou sentado inclinado para frente. Identificar o triângulo de segurança. 
-   ✓ Assepsia e anestesia local: limpeza rigorosa com clorexidina, campos estéreis, infiltração de anestésico local em leque — pele, subcutâneo, musculatura intercostal e pleura parietal (que é a camada mais dolorosa). Aguarde o tempo de ação do anestésico. 
-   ✓ Incisão: pequena incisão horizontal na pele, na margem superior da costela inferior do espaço escolhido. 
-   ✓ Dissecção romba (técnica clássica): com pinça hemostática, dissecção dos planos musculares até atravessar a pleura parietal com suavidade — evite força excessiva que possa lesar estruturas internas. Na técnica de Seldinger, o fio-guia substitui este passo. 
-   ✓ Introdução do dreno: direcionado para cima e posteriormente para pneumotórax; lateralmente ou inferiormente para líquido. Confirmar posição pelo retorno de ar ou líquido e pela oscilação no selo d'água com a respiração. 
-   ✓ Fixação: sutura em bolsa-de-tabaco ou ponto em U para fixar o dreno à pele; curativo oclusivo. 

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## Sistema de drenagem sob selo d'água

O **selo d'água** (underwater seal) é o mecanismo que torna o sistema "fechado". O dreno conecta-se a um frasco onde a extremidade distal fica submersa em solução aquosa: quando a pressão intratorácica supera a coluna líquida, o ar ou fluido escapa para fora; quando a pressão cai (inspiração espontânea), a água impede o refluxo. fisiologia respiratória e pressões pleurais

Elementos importantes de monitorização após a instalação:

-   **Oscilação (tidal movement)**: o nível d'água sobe na inspiração e desce na expiração (em ventilação espontânea). Ausência de oscilação sugere obstrução do dreno, dobramento ou expansão pulmonar completa.
-   **Borbulhamento**: esperado no pneumotórax enquanto há escape de ar. Borbulhamento persistente após expansão completa sugere fístula broncopleural.
-   **Débito**: registrar volume, cor e consistência. Mudança súbita para saída hemática pode indicar lesão vascular.
-   **Aspiração**: em alguns casos, adiciona-se sucção suave ao sistema (conforme protocolo institucional e tipo de patologia); em outros, o sistema funciona por gravidade apenas.

Quanto à **retirada do dreno**, geralmente ocorre quando o débito é mínimo, não há mais escape de ar e a radiografia confirma expansão pulmonar adequada. O protocolo de retirada varia por instituição, mas em geral o dreno é pinçado por algumas horas e, se não houver deterioração clínica, é removido.

* * *

## Contraindicações e situações de cautela

A toracostomia com drenagem fechada raramente tem contraindicação **absoluta** — quando a indicação é inequívoca (ex.: pneumotórax hipertensivo), o procedimento é realizado independentemente de qualquer fator. No entanto, há contraindicações **relativas** importantes:

-   **Coagulopatia clinicamente significativa**: em procedimentos eletivos ou semi-eletivos, conforme StatPearls e revisões de complicações de toracostomia, a coagulação deve ser corrigida previamente. Em emergências, o benefício supera o risco.
-   **Aderências pleurais extensas**: aumentam o risco de lesão pulmonar e dificultam o posicionamento adequado do dreno; podem exigir orientação por imagem ou abordagem cirúrgica.
-   **Hérnia diafragmática**: risco de perfuração de órgão abdominal intratorácico; a drenagem deve ser orientada por imagem e, na dúvida, realizada em centro cirúrgico.
-   **Infecção de pele no sítio de inserção**: risco de empiema iatrogênico; escolher sítio alternativo quando possível.

* * *

## Complicações

As complicações da toracostomia tubular podem ser divididas em **imediatas** e **tardias**. Conforme revisão publicada em PMC4093965 e StatPearls, incluem:

**Imediatas**:

-   **Mau posicionamento**: lesão de pulmão, fígado, baço, diafragma, aorta torácica ou coração — especialmente quando o dreno é inserido fora do triângulo de segurança ou com força excessiva
-   **Hemorragia**: lesão do feixe neurovascular intercostal ou de vasos maiores
-   **Edema pulmonar de reexpansão**: complicação rara (incidência inferior a 1%), porém potencialmente grave e fatal, resultante da reexpansão rápida de pulmão cronicamente colabado

**Tardias**:

-   **Infecção / empiema iatrogênico**: risco aumentado com técnica não estéril ou dreno mantido por tempo prolongado
-   **Obstrução do dreno**: coágulos, fibrina ou dobramento do tubo — causa borbulhamento ou oscilação ausentes
-   **Escape de ar persistente / fístula broncopleural**
-   **Dreno retido ou fraturado**

Sobre o **edema de reexpansão**: para reduzir esse risco, recomenda-se limitar a retirada de líquido pleural por sessão — na prática clínica, costuma-se considerar um volume de até 1000–1500 mL por vez, com cautela adicional em pacientes com comorbidade cardíaca. Esse não é um número de diretriz única formal, mas é consenso amplamente adotado na literatura (CHEST, PulmCrit). Caso seja necessário drenar volumes maiores, a monitorização da pressão pleural pode orientar a segurança do procedimento.

* * *

### Complicações

-   ✓ Mau posicionamento: lesão de pulmão, fígado, baço, diafragma, aorta torácica ou coração — especialmente quando o dreno é inserido fora do triângulo de segurança ou com força excessiva 
-   ✓ Hemorragia: lesão do feixe neurovascular intercostal ou de vasos maiores 
-   ✓ Edema pulmonar de reexpansão: complicação rara (incidência inferior a 1%), porém potencialmente grave e fatal, resultante da reexpansão rápida de pulmão cronicamente colabado 
-   ✓ Infecção / empiema iatrogênico: risco aumentado com técnica não estéril ou dreno mantido por tempo prolongado 
-   ✓ Obstrução do dreno: coágulos, fibrina ou dobramento do tubo — causa borbulhamento ou oscilação ausentes 
-   ✓ Escape de ar persistente / fístula broncopleural 

## Fibrinolíticos intrapleurais na infecção pleural

Para pacientes com **empiema ou derrame parapneumônico complicado** que não respondem adequadamente ao dreno isolado, a terapia fibrinolítica intrapleural pode ser considerada. empiema pleural tratamento O ensaio clínico **MIST2 (Rahman et al., NEJM 2011)** estabeleceu o regime de referência: instilação intrapleural de **alteplase (tPA) 10 mg + dornase alfa (DNase) 5 mg**, duas vezes ao dia, por 3 dias (12 instilações no total). Esse regime demonstrou redução significativa na necessidade de cirurgia.

A combinação é importante: a DNase liquefaz o DNA extracelular das células inflamatórias (que aumenta a viscosidade do exsudato), enquanto o tPA dissolve a fibrina das loculações. O uso isolado de um agente não se mostrou tão eficaz quanto a terapia combinada. Esse dado é um clássico de provas de residência em cirurgia torácica e pneumologia.

* * *

## Perguntas frequentes

### Qual a diferença entre aspiração por agulha e toracostomia com dreno para pneumotórax?

A aspiração por agulha é uma técnica minimamente invasiva — uma punção única com cateter fino — adequada para pneumotórax espontâneo primário de tamanho moderado a grande em pacientes sintomáticos que não são candidatos ao manejo conservador. A toracostomia com dreno é mais indicada quando há pneumotórax recorrente, volumoso, bilateral, ou quando a aspiração falhou. A BTS 2023 valoriza a abordagem sintomática e não exige drenagem para todos os casos.

### Por que o calibre do dreno importa? Dreno maior não é sempre melhor?

Não. Para infecção pleural, a BTS 2023 recomenda drenos de **14F ou menor** como abordagem inicial, pois drenos maiores causam mais dor sem benefício adicional comprovado. Para hemotórax traumático, o ATLS recomenda calibres maiores (28–32 Fr) porque sangue coagulado e detritos precisam de um lúmen maior para fluir. A escolha do calibre deve ser guiada pela viscosidade do conteúdo esperado e pela indicação clínica.

### Posso realizar o procedimento sem ultrassom se tiver experiência?

Para **pneumotórax**, o triângulo de segurança bem identificado é suficiente na maioria dos casos. Para **fluido pleural** (derrame, empiema, hemotórax não traumático), a BTS 2023 é clara: o ultrassom deve ser parte do procedimento, independentemente da experiência do operador. Ele reduz complicações, identifica o melhor sítio e protege contra punção inadvertida de vísceras — especialmente quando o derrame é pequeno ou o diafragma está elevado.

### Quando devo suspeitar de edema pulmonar de reexpansão e como preveni-lo?

O edema de reexpansão ocorre tipicamente após drenagem rápida de grande volume de líquido ou após reexpansão de pulmão que ficou colabado por tempo prolongado. Manifesta-se por hipoxemia, dispneia e infiltrado unilateral na radiografia minutos a horas após o procedimento. Embora raro (incidência inferior a 1%), pode ser grave. A prevenção envolve limitar o volume drenado por sessão — costuma-se considerar até 1000–1500 mL — e monitorar sintomas durante o procedimento.

### Como reconhecer que o dreno está bem posicionado e funcionando?

Após a inserção, os sinais de funcionamento adequado são: retorno imediato de ar ou líquido pelo dreno, oscilação do nível d'água no frasco durante os movimentos respiratórios (tidal movement), borbulhamento em caso de pneumotórax e melhora clínica do paciente. A confirmação radiológica pós-procedimento é obrigatória para verificar posicionamento e documentar a expansão pulmonar ou redução do derrame.

* * *

## Conclusão

A toracostomia com drenagem pleural fechada é um procedimento versátil e potencialmente salvador de vidas, com indicações que vão do pneumotórax hipertensivo ao empiema refratário. Dominar a anatomia do triângulo de segurança, compreender a lógica da escolha do calibre, saber quando usar o ultrassom e reconhecer precocemente as complicações são competências que separam o médico que apenas "coloca drenos" do clínico que realmente entende o raciocínio por trás de cada decisão. As diretrizes da BTS 2023 e do ATLS 10ª edição oferecem o arcabouço mais atual para essas decisões — e ambas reforçam que a técnica cuidadosa, guiada por evidências e anatomia, é o que determina o desfecho do paciente. [trauma torácico abordagem inicial](/blog/trauma-toracico-lesoes-diagnostico-tratamento)

DL

★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.® 

Sobre a autora

### Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250 

Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

1º lugar · FELUMA Aprovada · Einstein (HIAE) 

Caso de sucesso nº 1 da IA M.A.E.S.T.R.O.® — a trajetória de aprovação da Dra. Lara é o primeiro role-model a partir do qual o algoritmo M.A.E.S.T.R.O.® aprende e se calibra (fine-tuning). É o caso 1 de milhares de aprovações que a IA está aprendendo para guiar cada estudante.

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> Lara Rocha · Residente Clínica Médica USP-RP 2026, aprovada Einstein, 1º lugar FELUMA

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