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title: "Mortalidade Materna no Brasil: Índices e Metas 2030 · MedMentorIA"
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Preparação • 14 min de leitura • 15 de jun. de 2026 

# Mortalidade Materna no Brasil: Índices e Metas 2030

Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

![Mortalidade Materna no Brasil: Índices e Metas 2030](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/mortalidade-materna-indices-brasil-metas-2030.jpg)

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#### Neste artigo

-   [O Cenário da Mortalidade Materna no Brasil em 2026](#o-cenario-da-mortalidade-materna-no-brasil-em-2026)
-   [Definição e Classificação: O que o Médico Precisa Saber](#definicao-e-classificacao-o-que-o-medico-precisa-saber)
-   [Principais Causas e o Triângulo da Prevenção](#principais-causas-e-o-triangulo-da-prevencao)
-   [Desigualdades Regionais e Fatores de Risco](#desigualdades-regionais-e-fatores-de-risco)
-   [Metas para 2030: Brasil e o Cenário Global](#metas-para-2030-brasil-e-o-cenario-global)
-   [Mortalidade Materna nas Provas de Residência e ENAMED 2026](#mortalidade-materna-nas-provas-de-residencia-e-enamed-2026)
-   [Tecnologia e IA na Redução da Mortalidade Materna](#tecnologia-e-ia-na-reducao-da-mortalidade-materna)
-   [Conclusão](#conclusao)
-   [Perguntas Frequentes](#perguntas-frequentes)

A mortalidade materna no Brasil continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública em 2026. A grande maioria das mortes ocorridas durante a gestação, o parto ou o puerpério é classificada como evitável por especialistas — um número que não aponta para limitações da medicina, mas para falhas estruturais que o país ainda não conseguiu superar. Compreender esse cenário é essencial tanto para quem atua na linha de frente da obstetrícia quanto para quem se prepara para as provas de residência médica.

O indicador central desse debate é a **Razão de Mortalidade Materna (RMM)**: o número de óbitos maternos para cada 100 mil nascidos vivos. O dado consolidado mais amplamente referenciado, referente a 2016, apontava uma RMM de **64,4 por 100 mil nascidos vivos** (fonte: Ministério da Saúde / SIM — confirme a atualização no Portal de Monitoramento de Mortalidade Materna do Ministério da Saúde). Esse valor é mais do que o dobro da meta brasileira para 2030, fixada em 30 por 100 mil, e ainda distante dos parâmetros internacionais de referência (a meta oficial do ODS 3.1 da ONU é reduzir a RMM global para menos de 70/100 mil nascidos vivos até 2030; o valor de 20/100 mil é frequentemente citado como parâmetro comparativo, não como meta global ODS — consulte o portal oficial da ONU/OMS). O triângulo hipertensão–hemorragia–infecção segue no centro das causas evitáveis — e entender cada vértice desse triângulo é o primeiro passo para mudar esse cenário.

## O Cenário da Mortalidade Materna no Brasil em 2026

A **mortalidade materna** é definida pela OMS como a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de **42 dias após o término da gestação**, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez — excluindo causas acidentais ou incidentais. Esse período de 42 dias é o padrão adotado internacionalmente desde a revisão da CID-10.

O último dado consolidado amplamente referenciado indica uma RMM de **64,4 óbitos por 100 mil nascidos vivos** em 2016 (fonte: Ministério da Saúde / SIM). Durante a pandemia de COVID-19, gestantes e puérperas foram grupo de risco para formas graves da doença, e a sobrecarga dos serviços comprometeu o acesso ao pré-natal e à assistência obstétrica emergencial, com impacto negativo sobre os índices de mortalidade materna naquele período. Os números atualizados mais recentes devem ser consultados diretamente no portal oficial do SIM/MS.

A **meta brasileira para 2030** é chegar a **≤ 30 mortes por 100 mil nascidos vivos** — objetivo factível, mas que exige investimento consistente em atenção primária e rede de atenção obstétrica. As principais causas evitáveis que precisam ser atacadas são:

-   **Hipertensões gestacionais** (pré-eclâmpsia e eclâmpsia) — principal causa direta de óbito materno no país
-   **Hemorragias** no parto e pós-parto, frequentemente associadas a demora no atendimento de emergência
-   **Infecções puerperais**, passíveis de prevenção com medidas simples de higiene e protocolos hospitalares
-   **Abortos inseguros**, que refletem barreiras no acesso à saúde reprodutiva

Um fator crítico que agrava o panorama é a **disparidade regional**: as regiões Norte e Nordeste registram taxas significativamente mais elevadas que o Sul e o Sudeste, evidenciando desigualdades no acesso a serviços de saúde, profissionais qualificados e infraestrutura hospitalar. Essa assimetria geográfica é, em si, um marcador de iniquidade que precisa ser enfrentado com políticas de regionalização da atenção obstétrica.

O caminho até 2030 exige não apenas ampliação da cobertura pré-natal, mas também qualificação da assistência ao parto, fortalecimento das maternidades de referência e investimento em equipes multiprofissionais. A mortalidade materna evitável é, antes de tudo, um indicador de justiça social.

## Definição e Classificação: O que o Médico Precisa Saber

Compreender a classificação da mortalidade materna não é apenas uma exigência das provas de residência — é a base para interpretar estatísticas, identificar falhas assistenciais e conduzir casos de risco na prática clínica.

### Morte Materna Direta e Indireta

-   **Morte materna direta**: resulta de complicações obstétricas, de intervenções, omissão, tratamento incorreto ou de eventos encadeados por esses fatores. Exemplos: eclâmpsia, hemorragia pós-parto, embolia amniótica, aborto séptico, complicações anestésicas.
-   **Morte materna indireta**: resulta de doenças preexistentes agravadas pelos efeitos fisiológicos da gestação — sem que a gravidez seja a causa direta. Exemplos: cardiopatias, lúpus eritematoso sistêmico, nefropatias. Neoplasias só são classificadas como causa indireta quando há relação causal direta com a gestação ou agravamento pelos seus efeitos fisiológicos; quando puramente incidentais, não integram a definição OMS de morte materna.

Para provas, memorize: **causas diretas são exclusivamente obstétricas; causas indiretas são clínicas e se agravam pela gestação.**

### Morte Materna Tardia e a Janela de 1 Ano

A **morte materna tardia** é definida como a morte ocorrida entre **42 dias e 1 ano após o término da gestação**, por causa relacionada ao ciclo gravídico-puerperal. Essa categoria é reconhecida pela CID-10/OMS para capturar condições como cardiomiopatia periparto, complicações tardias de distúrbios hipertensivos e sequelas neurológicas, que podem se manifestar meses após o parto.

Existe ainda o conceito de **morte associada à gravidez** (_pregnancy-associated death_), que abrange qualquer causa de óbito — incluindo causas externas como homicídios, suicídios e acidentes de trânsito — ocorrida durante a gestação ou até um ano após o término. Essas mortes por causas acidentais ou incidentais **não integram a definição OMS padrão de morte materna** nem são contabilizadas na RMM clássica; aparecem em sistemas ampliados de vigilância da mortalidade materna.

Classificação

Período

Exemplos Principais

**Direta**

Gestação até 42 dias pós-parto

Eclâmpsia, hemorragia, embolia amniótica, aborto séptico

**Indireta**

Gestação até 42 dias pós-parto

Cardiopatia descompensada, nefropatia, lúpus agravados pela gestação

**Tardia**

Entre 42 dias e 1 ano após o término

Cardiomiopatia periparto, sequelas neurológicas, complicações tardias de hipertensão

**Morte associada à gravidez (vigilância ampliada)**

Gestação até 1 ano pós-parto

Homicídio, suicídio, acidentes de trânsito — _não integram a RMM padrão OMS_

### Near Miss Materno: O Marcador de Qualidade Assistencial

Se o óbito materno é o evento final, o **Near Miss materno** (quase-perda) é o marcador que permite intervir antes que ele ocorra. Trata-se de uma mulher que sobreviveu a uma complicação grave durante a gestação, o parto ou até 42 dias após o término da gestação. A OMS formalizou esse conceito como ferramenta de auditoria e melhoria assistencial.

Os **critérios diagnósticos de Near Miss materno** (OMS) são organizados em três eixos:

1.  **Critérios clínicos**: choque (hipoperfusão grave), inconsciência prolongada (≥ 12 h), AVC com déficit neurológico, status epilepticus sem resolução espontânea, icterícia em contexto de pré-eclâmpsia grave.
2.  **Critérios laboratoriais**: SpO₂ < 90% por ≥ 60 minutos, PaO₂/FiO₂ < 200, creatinina ≥ 3,5 mg/dL, bilirrubina > 6,0 mg/dL, plaquetas < 50.000/mm³, lactato > 5 mmol/L, pH < 7,1.
3.  **Critérios de intervenção**: transfusão de ≥ 5 unidades de hemácias concentradas, intubação/ventilação mecânica por ≥ 60 minutos não relacionada à anestesia, uso de drogas vasoativas contínuas, histerectomia emergencial por infecção ou hemorragia.

A revisão de casos de Near Miss permite identificar o chamado **"atraso de três demoras"**: (1) demora em decidir buscar atendimento; (2) demora em chegar ao serviço adequado; (3) demora em receber o tratamento correto. Cada uma dessas demoras é um ponto de intervenção.

Para aprofundar o estudo dos temas de Preventiva e Epidemiologia mais cobrados nas provas, confira o guia de [Principais Temas de Preventiva e Epidemiologia para Residência Médica](/blog/residencia-medicina-preventiva-social-guia).

## Causas de Morte Materna

Diretas vs Indiretas — Classificação OMS

### Causas Diretas

Relacionadas a complicações obstétricas durante a gravidez, parto ou puerpério.

-   ● Pré-eclâmpsia e eclâmpsia 
-   ● Hemorragias graves (pós-parto) 
-   ● Infecções (sepse puerperal) 
-   ● Aborto inseguro 
-   ● Obstrução do trabalho de parto 
-   ● Tromboembolismo 

Maioria dos óbitos 

causas diretas — fonte: SIM/MS (consulte dados atualizados no portal oficial)

### Causas Indiretas

Doenças preexistentes agravadas pela gravidez ou condições que se desenvolveram durante a gestação.

-   ● Doenças cardiovasculares 
-   ● Diabetes mellitus pré-existente 
-   ● HIV/AIDS 
-   ● Doenças renais crônicas 
-   ● Doenças autoimunes 
-   ● Malária e outras infecciosas 

Minoria dos óbitos 

causas indiretas — proporção exata varia por fonte e período

A maioria das mortes maternas por causas diretas é **prevenível** com assistência obstétrica adequada, pré-natal qualificado e acesso oportuno a serviços de emergência.

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## Principais Causas e o Triângulo da Prevenção

As três grandes causas de óbito materno formam o chamado "triângulo" da prevenção: **hipertensão gestacional**, **hemorragia pós-parto** e **infecção puerperal**. Cada uma possui protocolos bem estabelecidos que, quando aplicados corretamente, reduzem drasticamente o risco de desfecho fatal.

### Hipertensão e Pré-eclâmpsia: A Líder Silenciosa

A pré-eclâmpsia e suas complicações — eclâmpsia, síndrome HELLP e AVC hemorrágico — estão entre as principais causas diretas de mortalidade materna no Brasil. O manejo começa na identificação precoce: pressão arterial ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou disfunção de órgão-alvo, deve acender o alerta imediatamente.

O **sulfato de magnésio** permanece como anticonvulsivante de escolha para prevenção e tratamento de eclâmpsia; para a crise hipertensiva aguda na gestação, as opções de primeira linha incluem **hidralazina IV**, **labetalol IV** e **nifedipina oral de ação imediata**, conforme disponibilidade e protocolo local. A decisão sobre o momento do parto depende da idade gestacional e da gravidade do quadro — em casos graves antes de 34 semanas, a corticoterapia para maturação pulmonar fetal deve ser considerada antes da interrupção.

### Hemorragia Pós-Parto: Protocolos que Salvam Vidas

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de óbito materno e pode ocorrer em qualquer parto, inclusive em gestantes de baixo risco. As diretrizes da FIGO e da FEBRASGO reforçam a abordagem pelos **4 Ts**:

-   **Tônus uterino**: ocitocina como primeira linha profilática e terapêutica; metilergonovina (contraindicada em hipertensão) e carboprost (contraindicado em asma) como alternativas uterotônicas sequenciais conforme disponibilidade; ácido tranexâmico 1 g IV precocemente no tratamento da HPP diagnosticada (idealmente nas primeiras 3 horas do parto)
-   **Trauma**: revisão sistemática do canal de parto e sutura de lacerações
-   **Tecido**: exploração uterina para retenção de fragmentos placentários
-   **Trombina**: correção de coagulopatia com reposição de fatores e, quando indicado, protocolo de transfusão maciça

### Infecção Puerperal e Síndromes Gripais

A sepse puerperal carrega alta letalidade quando não tratada precocemente. Assepsia rigorosa, antibioticoprofilaxia em cesáreas e reconhecimento precoce dos sinais de infecção (febre, lóquios fétidos, dor abdominal) são medidas fundamentais.

Gestantes com infecções respiratórias virais graves — incluindo influenza e COVID-19 — constituem grupo de risco reconhecido para desfechos maternos graves, como ventilação mecânica, parto prematuro e óbito, reforçando a importância da vacinação e do manejo precoce no pré-natal.

Para quem deseja organizar o estudo da especialidade, confira o guia [Como Estudar Ginecologia e Obstetrícia para Residência Médica](/blog/ginecologia-e-obstetricia-residencia-guia).

Mortalidade Materna no Brasil

## Principais Causas de Morte Materna

Hipertensão, hemorragia e infecções concentram a maioria dos óbitos evitáveis — proporções exatas variam por fonte e período

Fontes: SIM/MS, OMS, OPAS, UNFPA — consulte dados atualizados no portal oficial do Ministério da Saúde

Hipertensão — principal causa direta 

Hemorragias — entre as principais causas diretas 

Infecções — relevante e evitável 

Abortos Inseguros 

Outras Causas Diretas 

Causas Indiretas (minoria dos óbitos) 

💡 A **grande maioria** das mortes maternas no Brasil é considerada **evitável** com acesso a pré-natal qualificado e assistência adequada ao parto.

Estimativas baseadas em SIM/MS, OMS, OPAS e UNFPA — valores aproximados sujeitos a revisão. Consulte o portal oficial do Ministério da Saúde para dados atualizados.

## Desigualdades Regionais e Fatores de Risco

A mortalidade materna no Brasil não é um problema uniforme — é um espelho das desigualdades que estruturam o país. Enquanto o Sul e o Sudeste registram índices que lentamente se aproximam de referenciais internacionais, o Norte e o Nordeste carregam taxas desproporcionalmente mais elevadas, evidenciando que o acesso a serviços de saúde ainda é determinante no desfecho de uma gestação.

### Por que Norte e Nordeste seguem com índices superiores

As causas são estruturais e se retroalimentam:

-   **Pré-natal inadequado**: em muitas localidades do Norte e Nordeste, gestantes realizam menos de seis consultas de pré-natal — aquém dos parâmetros recomendados (a OMS recomenda mínimo de 8 contatos desde 2016) — devido à distância de unidades de saúde e à dificuldade de transporte
-   **Déficit de leitos obstétricos**: a proporção de leitos de UTI obstétrica por nascido vivo é significativamente menor nessas regiões, especialmente em municípios de pequeno porte
-   **Baixa qualificação em emergências**: hemorragias e eclâmpsias exigem resposta rápida e protocolo padronizado, nem sempre disponíveis no interior
-   **Determinantes socioeconômicos**: menor escolaridade materna, renda restrita e menor acesso a informação sobre sinais de risco correlacionam-se diretamente com desfechos adversos
-   **Infraestrutura hospitalar insuficiente**: ausência de bancos de sangue, medicamentos essenciais e equipamentos de suporte compromete a estabilização de casos críticos

A geografia da mortalidade materna brasileira coincide, quase perfeitamente, com o mapa da desigualdade social. Reduzir a RMM para ≤ 30/100 mil em 2030 passa obrigatoriamente por enfrentar esse desequilíbrio regional — não apenas por atualizar protocolos clínicos.

## Metas para 2030: Brasil e o Cenário Global

A cada ciclo de compromissos internacionais, o Brasil reafirma metas que ainda não conseguiu cumprir. No âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, 2000–2015), a meta era reduzir a RMM em 75% em relação aos níveis de 1990 até o final do ciclo em 2015. O Brasil não a cumpriu.

O horizonte atual é a **Agenda 2030 da ONU**, com o **ODS 3 (Saúde e Bem-Estar)**, que fixa uma meta global de redução substancial da RMM (consulte o valor atualizado no portal oficial da ONU/OMS). Para o Brasil, a meta nacional adaptada aos ODS é de **≤ 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030**.

Indicador

Meta 2015 (não cumprida)

Meta Brasil 2030

Meta Global ODS 2030

RMM (por 100 mil NV)

Redução de 75% vs. 1990

≤ 30

Conforme ODS 3 — consulte portal ONU/OMS

RMM atual (último consolidado, 2016)

64,4

Em andamento

Em andamento

Viabilidade

Não atingida

Tecnicamente factível, altamente desafiador

Tecnicamente factível

_Fonte RMM 2016: Ministério da Saúde / SIM. Consulte o portal oficial para dados mais recentes._

Para alcançar a meta de 30/100 mil em 2030, o Brasil precisará de:

-   Acesso universal à atenção obstétrica qualificada, especialmente nas regiões Norte e Nordeste
-   Eliminação das mortes por causas evitáveis: hipertensão, hemorragia, infecção e complicações de aborto inseguro
-   Investimento em infraestrutura hospitalar, capacitação de equipes e monitoramento em tempo real de complicações obstétricas

A falha em cumprir a meta de 2015 é um alerta claro: sem mudança estrutural — e não apenas intencional —, 2030 corre o risco de repetir o mesmo padrão.

## Mortalidade Materna nas Provas de Residência e ENAMED 2026

Nas provas de residência médica e no **ENAMED 2026**, a mortalidade materna aparece recorrentemente como tema de alta relevância. As bancas cobram desde o cálculo e a interpretação da RMM até a capacidade de analisar tendências, identificar disparidades regionais e propor intervenções baseadas em evidências.

Os pontos mais frequentemente cobrados incluem:

-   **Cálculo da RMM**: número de óbitos maternos ÷ nascidos vivos × 100.000 — saber interpretar esse indicador é essencial para questões comparativas entre regiões e períodos
-   **Classificação das causas**: a distinção entre direta, indireta e tardia é pré-requisito para qualquer questão de mortalidade materna
-   **Near Miss materno**: conceito crescente nas provas, associado a critérios diagnósticos da OMS e à lógica de auditoria assistencial
-   **Metas nacionais e internacionais**: dominar os valores de referência da OMS e do ODS 3 pode ser diferencial em questões discursivas

O ENAMED 2026 reforça a tendência de integrar epidemiologia com prática clínica, valorizando a aplicação direta dos indicadores na tomada de decisão. Isso significa que não basta memorizar a RMM — você precisa saber o que ela revela sobre o sistema de saúde e quais intervenções ela orienta.

Para organizar a revisão desse e de outros temas de Ginecologia e Obstetrícia de forma estratégica, a **medmentorIA** oferece cronogramas de estudo estruturados — como o ciclo D31 — que organizam os conteúdos de maior incidência em provas com espaçamento adequado para fixação.

## Tecnologia e IA na Redução da Mortalidade Materna

Algoritmos preditivos já estão transformando a identificação de risco obstétrico — e esse é um dos avanços mais promissores na luta contra a mortalidade materna. Ferramentas de inteligência artificial treinadas com dados clínicos robustos conseguem cruzar variáveis como pressão arterial, histórico gestacional, idade materna, comorbidades e exames laboratoriais para sinalizar, já no primeiro trimestre, gestantes com maior probabilidade de desenvolver pré-eclâmpsia e outras complicações graves.

Esse rastreio precoce muda a lógica assistencial: em vez de reagir à complicação instalada, a equipe pode atuar antes que ela ocorra. É fundamental, porém, frisar que a tecnologia **apoia** — não substitui — o exame clínico e o vínculo entre profissional e paciente.

Veja como a IA já está sendo aplicada no cuidado obstétrico:

-   **Risco de pré-eclâmpsia no 1º trimestre**: rastreios combinados que integram biomarcadores séricos, dopplerfluxometria de artérias uterinas e dados clínicos apresentam desempenho superior ao rastreio convencional isolado em estudos específicos — abordagem validada em contextos selecionados, com implementação ampla dependente de infraestrutura e validação local
-   **Predição de hemorragia pós-parto**: algoritmos que analisam histórico obstétrico e fatores sociodemográficos para alertar equipes ainda no pré-natal
-   **Triagem de parto prematuro**: sistemas que integram dados de ultrassonografia e exame físico para estimar probabilidade de parto antes de 37 semanas
-   **Gestão de leitos e encaminhamento**: ferramentas que agilizam a regulação de leitos obstétricos de alta complexidade para gestantes em estado grave

Na preparação para provas, a **IA M.A.E.S.T.R.O.®** aplica lógica semelhante ao aprendizado: analisa o desempenho individual e direciona o estudo para os conteúdos com maior probabilidade de queda na prova seguinte, tornando a revisão mais eficiente. O consenso entre especialistas é claro: tecnologia é uma aliada poderosa quando combinada a um sistema de saúde organizado e a profissionais capacitados — mas não substitui nem um nem o outro.

## Conclusão

A mortalidade materna no Brasil em 2026 ainda é, em essência, um problema de acesso e prevenção — não de limitação científica. O conhecimento clínico para evitar as mortes por hipertensão, hemorragia e infecção puerperal existe. Os protocolos estão disponíveis. O que falta é a combinação de cobertura pré-natal de qualidade, infraestrutura hospitalar adequada e redução das disparidades regionais que concentram o ônus da mortalidade no Norte e no Nordeste.

Para você, estudante ou residente de medicina, dominar esse tema vai além da prova: significa entender os determinantes que definem se uma gestante vai sobreviver ao parto. A RMM não é apenas um número — é um indicador de justiça social, e reduzi-la é um compromisso que o Brasil ainda precisa honrar até 2030.

Se você quer aprofundar o estudo de obstetrícia com foco nas provas de residência, a medmentorIA tem os recursos certos para organizar sua revisão de forma estratégica e eficiente.

## Perguntas Frequentes

### O que é considerado morte materna tardia?

É o óbito que ocorre após 42 dias e até um ano do término da gestação, por causas relacionadas ao ciclo gravídico-puerperal. O conceito é reconhecido pela CID-10/OMS para capturar complicações de manifestação tardia, como cardiomiopatia periparto e sequelas neurológicas de distúrbios hipertensivos.

### Qual a principal causa direta de morte materna no Brasil?

As síndromes hipertensivas — pré-eclâmpsia e eclâmpsia — historicamente lideram as causas diretas de morte materna no país. O manejo precoce com sulfato de magnésio e anti-hipertensivos e a decisão oportuna sobre o momento do parto são determinantes para o desfecho.

### Como calcular a Razão de Mortalidade Materna (RMM)?

A RMM é calculada dividindo o número de óbitos maternos pelo número de nascidos vivos no mesmo período e área geográfica, e multiplicando o resultado por 100.000. Exemplo: se ocorreram 60 óbitos maternos para 100.000 nascidos vivos, a RMM é 60/100.000 NV.

### Qual o impacto da eclâmpsia nos índices nacionais de mortalidade materna?

A eclâmpsia é uma das principais emergências obstétricas e responde por parcela significativa dos óbitos dentro do grupo das síndromes hipertensivas — a causa direta líder no Brasil. Seu manejo envolve sulfato de magnésio para prevenção e controle de convulsões, controle pressórico e definição do momento do parto conforme a idade gestacional e gravidade do quadro.

### Quais políticas públicas estão em vigor em 2026 para reduzir a mortalidade materna?

As principais estratégias incluem a rede federal de atenção materno-infantil vigente (a nomenclatura exata dos programas federais pode ter sido atualizada desde a Rede Cegonha — consulte o portal do Ministério da Saúde para a denominação e portarias em vigor em 2026), a **Política Nacional de Atenção Básica (PNAB)** com foco em planejamento reprodutivo, os **Comitês de Prevenção da Mortalidade Materna** (estaduais e municipais) para auditoria de óbitos e programas federais de qualificação da atenção básica. As metas do ODS 3 orientam o planejamento federal até 2030.

DL

★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.® 

Sobre a autora

### Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250 

Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

1º lugar · FELUMA Aprovada · Einstein (HIAE) 

Caso de sucesso nº 1 da IA M.A.E.S.T.R.O.® — a trajetória de aprovação da Dra. Lara é o primeiro role-model a partir do qual o algoritmo M.A.E.S.T.R.O.® aprende e se calibra (fine-tuning). É o caso 1 de milhares de aprovações que a IA está aprendendo para guiar cada estudante.

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