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title: "Endocardite Infecciosa: Manifestações Clínicas e Diagnóstico · MedMentorIA"
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Preparação • 18 min de leitura • 06 de jun. de 2026 

# Endocardite Infecciosa: Manifestações Clínicas e Diagnóstico

![Dra. Lara Santos Rocha](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/authors/dra-lara-santos-rocha.jpg)

Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

![Endocardite Infecciosa: Manifestações Clínicas e Diagnóstico](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/endocardite-infecciosa-manifestacoes-clinicas-diagnostico.jpg)

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#### Neste artigo

-   [A sequência fisiopatológica: do endotélio lesado à infecção](#a-sequencia-fisiopatologica-do-endotelio-lesado-a-infeccao)
-   [O papel do gradiente de pressão: por que as válvulas são acometidas de forma assimétrica](#o-papel-do-gradiente-de-pressao-por-que-as-valvulas-sao-acometidas-de-forma-assimetrica)
-   [Por que a valva mitral é a mais acometida](#por-que-a-valva-mitral-e-a-mais-acometida)
-   [Classificação: Aguda, Subaguda, Protética e Nosocomial](#classificacao-aguda-subaguda-protetica-e-nosocomial)
-   [Manifestações Clínicas Cardíacas e Sistêmicas](#manifestacoes-clinicas-cardiacas-e-sistemicas)
-   [Fenômenos Embólicos e Imunológicos na Endocardite Infecciosa](#fenomenos-embolicos-e-imunologicos-na-endocardite-infecciosa)
-   [Critérios de Duke Modificados — Versão 2000](#criterios-de-duke-modificados-versao-2000)
-   [Atualização Duke-ISCVID 2023: o que mudou](#atualizacao-duke-iscvid-2023-o-que-mudou)
-   [Abordagem Diagnóstica Passo a Passo](#abordagem-diagnostica-passo-a-passo)
-   [Epidemiologia e Agentes Etiológicos no Brasil](#epidemiologia-e-agentes-etiologicos-no-brasil)
-   [Quando Suspeitar e Como Agir na Prática](#quando-suspeitar-e-como-agir-na-pratica)
-   [Diferenciação: Endocardite vs Febre Reumática e Outros Diagnósticos Diferenciais](#diferenciacao-endocardite-vs-febre-reumatica-e-outros-diagnosticos-diferenciais)
-   [Conclusão](#conclusao)
-   [Perguntas Frequentes](#perguntas-frequentes)

A endocardite infecciosa (EI) é uma infecção do endocárdio — principalmente das válvulas cardíacas — caracterizada pela formação de vegetações compostas por plaquetas, fibrina e microrganismos. O diagnóstico definitivo se baseia nos Critérios de Duke modificados (atualizados em 2023 pelo ISCVID), que combinam achados clínicos, microbiológicos (hemoculturas) e de imagem (ecocardiograma, PET/TC ou TC cardíaca). As manifestações clínicas incluem febre (80–90% dos casos), sopro cardíaco novo, insuficiência cardíaca e sinais periféricos como nódulos de Osler e lesões de Janeway.

Dominar a EI é essencial para quem presta provas de residência em clínica médica, infectologia e cardiologia — e, mais importante, para quem atende no plantão. Neste guia, você vai entender a fisiopatologia, reconhecer as manifestações clínicas, aplicar os critérios de Duke (versão 2000 e atualização 2023) e conduzir a abordagem diagnóstica passo a passo, da suspeita à conduta.

## A sequência fisiopatológica: do endotélio lesado à infecção

A EI segue uma cascata bem definida, e entendê-la muda completamente a forma como você identifica pacientes de risco no plantão. O processo tem quatro etapas que se encadeiam de forma lógica:

**1\. Lesão endotelial.** O endotélio valvular — que em condições normais é liso e resistente à adesão de microrganismos — sofre dano por diversos mecanismos: jatos de alta velocidade em valvas com regurgitação, cardiopatias congênitas com shunts, próteses valvares ou cateteres indwelling. O dano expõe a matriz subendotelial, rica em colágeno.

**2\. Deposição de plaquetas e fibrina (vegetação estéril).** Uma vez exposto o colágeno, o corpo responde como faria com qualquer lesão vascular: há adesão plaquetária e deposição de fibrina, formando um pequeno trombo estéril sobre a superfície valvar. Essa massa amorfa de plaquetas e fibrina é o "solo fértil" para o que vem a seguir.

**3\. Bacteremia transitória.** Microrganismos entram na corrente sanguínea a partir de diversas portas — abscessos dentários, lesões cutâneas, cateteres vasculares, manipulação de mucosas ou procedimentos invasivos. Na maioria das vezes, o sistema imune elimina essas bactérias rapidamente. Mas, na presença da vegetação estéril...

**4\. Colonização e formação da vegetação infectada.** Os microrganismos circulantes aderem ao complexo plaqueta-fibrina, colonizam a superfície e ativam a via extrínseca da coagulação, perpetuando e ampliando a vegetação. A partir desse ponto, o ciclo se autoalimenta: mais plaquetas e fibrina se depositam, mais bactérias se abrigam no interior da vegetação (protegidas de anticorpos e antibióticos), e a massa cresce.

## O papel do gradiente de pressão: por que as válvulas são acometidas de forma assimétrica

Um dos pontos que mais aparecem em provas — e que faz muita diferença na prática — é entender **onde** na valva a vegetação se forma. A resposta está na hemodinâmica local.

Quando existe um orifício estreito ou uma regurgitação, o sangue é ejetado em alta velocidade de uma câmara de alta pressão para outra de baixa pressão. O jato de alta velocidade lesa o endotélio **do lado de baixa pressão** — é ali que o endotélio sofre o maior estresse mecânico por impacto. Vegetações se formam exatamente nesse ponto de lesão:

-   **Valva mitral:** as vegetações se formam predominantemente no **lado atrial**, porque o jato regurgitante do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo lesa o endotélio atrial da mitral.
-   **Valva aórtica:** as vegetações se localizam no **lado ventricular**, já que o jato de regurgitação aórtica atinge o endocárdio do ventrículo esquerdo diante da folheta valvar.

Esse princípio do gradiente de pressão também explica por que lesões como defeito de septo ventricular e persistência do canal arterial predispõem a EI: o jato de alta pressão através do defeito lesa o endotélio adjacente.

## Por que a valva mitral é a mais acometida

Embora a valva aórtica tenha ganhado destaque nas últimas décadas (especialmente pela associação com _Staphylococcus aureus_ em idosos e usuários de drogas injetáveis), a **mitral continua sendo a válvula mais frequentemente acometida** no cenário geral da EI nativa. Isso se deve a fatores hemodinâmicos: o ventrículo esquerdo gera a maior pressão do sistema circulatório, e a mitral é a grande "porta de saída" entre o átrio e o ventrículo esquerdos. Qualquer grau de insuficiência mitral — mesmo leve — cria um jato regurgitante de extrema alta velocidade que impacta diretamente o endotélio atrial da valva, favorecendo a lesão endotelial inicial. Somam-se a isso a alta prevalência de prolapso mitral na população geral (um dos principais fatores de risco em países desenvolvidos) e a histórica contribuição do reumatismo em países como o Brasil, que deixou um contingente significativo de pacientes com doença mitral crônica.

Essa base fisiopatológica é fundamental porque será o alicerce para entender os critérios diagnósticos, as complicações embólicas e as indicações cirúrgicas que veremos nas próximas seções.

## Classificação: Aguda, Subaguda, Protética e Nosocomial

A forma como a endocardite infecciosa se apresenta e evolui depende de três variáveis principais: o tempo de evolução dos sintomas, o tipo de válvula acometida e o local onde a infecção foi adquirida. Compreender essa classificação não é apenas um exercício acadêmico — ela direciona diretamente a sua **suspeita etiológica** e, por consequência, a escolha da antibioticoterapia empírica enquanto aguarda-se a cultura de sangue.

Um ponto que gera confusão frequente: a classificação em aguda ou subaguda é baseada no **tempo de evolução dos sintomas**, e não no tempo de tratamento instituído.

### Classificação pelo tempo de evolução

**Endocardite Aguda (< 6 semanas)**

-   **Agente mais provável:** _Staphylococcus aureus_ — microrganismo de alta virulência, capaz de colonizar válvulas previamente íntegras.
-   **Quadro clínico predominante:** Estado toxêmico grave e evolução rápida. O paciente apresenta febre alta, calafrios, sepse e pode evoluir para insuficiência cardíaca franca em dias.
-   **Prognóstico:** Geralmente reservado, em parte pela virulência do _S. aureus_ e pela rapidez do dano valvar.

**Endocardite Subaguda (≥ 6 semanas)**

-   **Agente mais provável:** _Streptococcus viridans_ — microrganismo de baixa virulência que exige superfície endocárdica previamente lesada para se fixar.
-   **Quadro clínico predominante:** Evolução insidiosa, com semanas a meses de história de febre baixa intermitente, sudorese noturna, mialgia e perda de peso.
-   **Prognóstico:** Geralmente melhor que a forma aguda quando tratada adequadamente, porém o diagnóstico tardio permanece como fator de risco para complicações.

### Classificação pelo tipo de válvula acometida

**Endocardite em válvula nativa:** a valva mitral é a mais frequentemente acometida globalmente, seguida pela valva aórtica. O dano valvar resulta predominantemente em insuficiência (regurgitação), não em estenose.

**Endocardite em valva protética:** dividida em **precoce** (< 1 ano após a cirurgia) e **tardia** (≥ 1 ano após a cirurgia). A precoce está frequentemente associada a contaminação intraoperatória, com estafilococos coagulase-negativos (_S. epidermidis_) como agentes mais comuns. A tardia tem perfil etiológico mais semelhante à EI em valva nativa. Implantes por via transcateter (TAVI) possuem risco de infecção similar ao das próteses cirúrgicas tradicionais.

**Endocardite associada a dispositivos cardíacos:** marcapassos e CDI estão presentes em parcela significativa dos casos de EI confirmadas e foram formalmente incluídos como fator de risco nas atualizações mais recentes dos critérios diagnósticos. O agente predominante é _S. aureus_ e estafilococos coagulase-negativos.

### Classificação pelo local de aquisição

**Endocardite nosocomial:** manifesta-se após 48 horas da internação ou está relacionada a procedimentos hospitalares. Agentes mais comuns: _S. aureus_ (incluindo MRSA), enterococos e Gram-negativos. Prognóstico tipicamente pior.

**Endocardite comunitária:** adquirida fora do ambiente hospitalar. Em usuários de drogas intravenosas, há predomínio de _S. aureus_ e acometimento preferencial da valva tricúspide.

### Correlação prática: tipo × agente × prognóstico

Tipo

Agente mais provável

Válvula típica

Prognóstico

Aguda

_S. aureus_

Previamente íntegra

Pior — sepse, IC rápida

Subaguda

_S. viridans_

Já danificada

Melhor — evolução lenta

Protética precoce

Estafilococos coagulase-negativos

Prótese < 1 ano

Reservado — alto risco cirúrgico

Protética tardia

_S. aureus_, estreptococos

Prótese ≥ 1 ano

Intermediário

Nosocomial

MRSA, Gram-negativos

Nativa ou prótese

Pior — comorbidades associadas

Essa correlação é o que transforma a classificação em ferramenta clínica real. Quando você recebe um paciente com febre, sopro novo e história de prótese aórtica implantada há 3 meses, a suspeita de endocardite protética precoce por estafilococo coagulase-negativo deve ser imediata — e a antibioticoterapia empírica deve cobrir esse espectro antes mesmo do resultado das hemoculturas.

## Endocardite Infecciosa

Comparação entre as formas Aguda e Subaguda

Critério

Aguda

Subaguda

Agente Predominante

**S. aureus**

**S. viridans**

Tempo de Evolução

Dias a semanas

Semanas a meses

Tipo de Válvula

Previamente **sadia**

Previamente **doente**

Quadro Clínico

Febre alta, sepse, ICC aguda

Febre baixa, sudorese, fadiga

Prognóstico

⚠️ Reservado  — alta mortalidade

✓ Melhor  — resposta a ATB

**💡 Dica:** A EI aguda por _S. aureus_ pode acometer válvulas previamente sadias e evoluir com destruição valvar rápida, exigindo intervenção cirúrgica precoce.

## Manifestações Clínicas Cardíacas e Sistêmicas

A endocardite infecciosa é uma doença de apresentação clínica ampla. A febre está presente em 80 a 90% dos casos, sendo o sintoma mais comum. A combinação de febre e sopro cardíaco ocorre em 85–90% dos pacientes com EI. A hematúria ocorre em cerca de 25% dos pacientes, e a esplenomegalia em aproximadamente 11%.

### Achados clínicos por frequência

-   **Febre (80–90%)**: pode ser baixa e insidiosa na forma subaguda ou alta e acompanhada de estado toxêmico na forma aguda.
-   **Sopro cardíaco (80–90%)**: a identificação de um **sopro novo** ou a **alteração de um sopro previamente conhecido** deve sempre levantar a hipótese de EI.
-   **Hematúria (25%)**: pode indicar glomerulonefrite imunocomplexa ou infarto renal por embolia séptica.
-   **Esplenomegalia (11%)**: reflete resposta imunológica prolongada e, em alguns casos, infartos esplênicos.
-   **Manifestações cutâneas**: petéquias, nódulos de Osler, lesões de Janeway e manchas de Roth — menos frequentes, mas altamente sugestivas quando presentes.
-   **Insuficiência cardíaca**: complicação mais frequente da EI, especialmente quando há acometimento da valva aórtica.

### Embolias sistêmicas: quando a vegetação migra

As vegetações são fragmentos instáveis que, ao se desprendem, podem embolizar para múltiplos órgãos: cérebro (AVC isquêmico ou abscesso), baço (infartos esplênicos), rins (infarto renal ou glomerulonefrite por imunocomplexos), extremidades (isquemia aguda de membros) e artéria coronariana (menos comum, mas possível). A ocorrência de embolias sistêmicas é mais frequente na EI aguda por _S. aureus_.

### Bloqueios de condução: o papel do abscesso de anel

O aparecimento de **bloqueios atrioventriculares** em pacientes com EI pode indicar formação de **abscesso de anel** — coleção purulenta no anel fibroso valvar que comprime ou destrói o sistema de condução (nó AV e feixe de His). A presença de novo bloqueio de condução em paciente com EI suspeita ou confirmada é sinal de gravidade e pode indicar necessidade de intervenção cirúrgica precoce. O ecocardiograma transesofágico é o método de escolha para identificar essa complicação.

## Fenômenos Embólicos e Imunológicos na Endocardite Infecciosa

Saber diferenciar o que é embólico do que é imunológico na EI é um dos diferenciais mais cobrados em provas de residência. A lógica é direta: fenômenos embólicos resultam de fragmentos de vegetação que se desprendem e obstruem vasos, enquanto fenômenos imunológicos decorrem da deposição de complexos imunes circulantes nos tecidos.

### Fenômenos Embólicos

As embolias arteriais são a manifestação extravalvular mais temida. Fragmentos da vegetação seguem a corrente sanguínea, podendo atingir cérebro, baço, rins e artérias periféricas. As **manchas de Roth** — hemorragias retinianas com centro pálido — são achado sugestivo e representam microembolias sépticas na retina.

### Fenômenos Imunológicos

Os **nódulos de Osler** são nódulos dolorosos, geralmente localizados nas polpas digitais e nas eminências tênares. **Não são embolias** — resultam de vasculite por deposição de complexos imunes circulantes na microvasculatura cutânea. Essa é a questão clássica de prova: se o enunciado descreve nódulo _doloroso_ em polpa digital, a resposta correta é fenômeno imunológico, não embólico.

A **glomerulonefrite focal** também pertence ao grupo imunológico, causada pela deposição de complexos antígeno-anticorpo nos glomérulos.

### Outros Sinais Periféricos

As **lesões de Janeway** são máculas eritematosas indoloras, localizadas nas palmas das mãos e plantas dos pés, e representam **embolos sépticos na pele** — ou seja, são embólicas, não imunológicas. A distinção-chave: **Janeway (indolor, embólico) versus Osler (doloroso, imunológico)**.

Sinal

Localização

Dor?

Fisiopatologia

Nódulos de Osler

Polpas digitais, entãoar

Sim

Imunológico (complexos imunes)

Lesões de Janeway

Palmas e plantas

Não

Embólico (séptico)

Manchas de Roth

Retina

Não

Embólico (microembolia)

Na prática clínica, a EI subaguda tende a apresentar mais fenômenos imunológicos (Osler, glomerulonefrite), enquanto a forma aguda associa-se mais a embolias sépticas (Janeway, AVC).

## Critérios de Duke Modificados — Versão 2000

O diagnóstico de EI exige a integração de dados clínicos, microbiológicos e de imagem dentro de um sistema padronizado: os **Critérios de Duke Modificados** (revisados em 2000). Os critérios classificam o caso como **EI definitiva**, **EI possível** ou **EI rejeitada**.

### Critérios Maiores

**1\. Hemoculturas Positivas para EI:**

-   Duas hemoculturas positivas para organismos típicos de EI: _S. aureus_, _S. viridans_, grupo HACEK ou _Enterococcus_ em paciente sem foco primário identificado.
-   Hemoculturas persistentemente positivas: dois pares coletados com intervalo superior a 12 horas, ou três ou mais positivas com intervalo mínimo de 1 hora entre a primeira e a última.
-   Uma única hemocultura positiva para _Coxiella burnetii_ ou título de anticorpos IgG > 1:800.

**2\. Evidência de Comprometimento Endocárdico por Imagem:**

-   Vegetação (massa intracardíaca oscilante).
-   Abscesso ou falso aneurisma cardíaco.
-   Deiscência parcial de prótese valvar nova.
-   Nova regurgitação valvar (mudança ou aumento de regurgitação previamente documentada é insuficiente).

### Critérios Menores

Critério menor

Detalhamento

**Febre**

Temperatura > 38°C

**Predisposição cardíaca**

Cardiopatia predisponente ou uso de drogas IV

**Fenômenos vasculares/embolizantes**

Embolia arterial maior, infarto pulmonar séptico, aneurisma micótico, hemorragia intracraniana, lesões de Janeway

**Fenômenos imunológicos**

Glomerulonefrite, nódulos de Osler, manchas de Roth, fator reumatoide positivo

**Evidência microbiológica não maior**

Hemocultura positiva que não preenche critérios maiores, ou sorologia positiva sem preencher critério maior

**Evidência ecocardiográfica não maior**

Achados sugestivos, porém insuficientes para critério maior

### Regra de Fechamento Diagnóstica

-   **EI Definitiva:** 2 critérios maiores, OU 1 maior + 3 menores, OU 5 menores.
-   **EI Possível:** 1 maior + 1 a 2 menores, OU 3 a 4 menores — demanda investigação complementar.
-   **EI Rejeitada:** nenhuma combinação atendida.

### Pontos para Memorização em Prova

1.  **IgG > 1:800 para _Coxiella_** é o único resultado sorológico que configura critério maior isoladamente.
2.  **Ecocardiograma transesofágico** é preferencial na suspeita de EI com prótese valvar, dispositivo implantado ou quando o transtorácico é inconclusivo.
3.  **Hemoculturas**: devem ser coletadas em **dois sítios venosos diferentes** e, idealmente, **antes** do início da antibioticoterapia.

CRITÉRIOS DE DUKE MODIFICADOS (2000) 

Endocardite Infecciosa

Manifestações Clínicas e Diagnóstico

CRITÉRIOS MAIORES

Evidência direta de infecção

1\. Hemoculturas Positivas

**a) Organismos típicos:**

• _Streptococcus viridans_

• _S. bovis_

• Grupo HACEK

• _S. aureus_ adquirido na comunidade

• Enterococos

**b) Amostras persistentemente positivas:**

• ≥ 2 amostras positivas com intervalo > 12h

• Todas as ≥ 3 amostras positivas (1ª e última com intervalo ≥ 1h)

**c) Única hemocultura positiva:**

• _Coxiella burnetii_ ou fase IgG ≥ 1:800

2\. Evidência de Comprometimento Endocárdico

**a) Ecocardiografia positiva:**

• Massa oscilante em válvula ou estrutura de suporte

• Abscesso ou deiscência parcial de prótese

• Nova regurgitação valvar (piora ou mudança de sopro pré-existente **NÃO** é suficiente)

**b) Nova deiscência parcial de prótese valvar**

CRITÉRIOS MENORES

Evidência indireta / suporte

1\. Predisposição

• Cardiopatia predisponente  
• Uso de drogas IV

2\. Febre

• Temperatura ≥ 38°C

3\. Fenômenos Vasculares

• Embolia arterial maior  
• Infarto pulmonar séptico  
• Aneurisma micótico  
• Hemorragia intracraniana  
• Hemorragias conjuntivais  
• Lesões de Janeway

4\. Fenômenos Imunológicos

• Glomerulonefrite  
• Nódulos de Osler  
• Manchas de Roth  
• Fator reumatoide positivo

5\. Evidência Microbiológica

• Hemocultura positiva que **NÃO** atende critério maior  
(ou sorologia para organismo consistente com EI) 

REGRAS DE FECHAMENTO DIAGNÓSTICO

✅ DEFINIDA

• 2 critérios maiores  
• 1 maior + 3 menores  
• 5 critérios menores

⚠️ POSSÍVEL

• 1 maior + 1 a 2 menores  
• 3 a 4 critérios menores

❌ DESCARTADA

• Diagnóstico alternativo firme  
• Resolução em ≤ 4 dias de ATB  
• Nenhum critério patológico na cirurgia/autópsia

📋 Adaptado de: Li JS, et al. _Clinical Infectious Diseases_, 2000;30:633–638

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## Atualização Duke-ISCVID 2023: o que mudou

A atualização dos critérios diagnósticos de EI publicada em 2023 pela Sociedade Internacional de Doenças Cardiovasculares Infecciosas (ISCVID) trouxe mudanças significativas que impactam diretamente a prática clínica e as provas de residência.

### Principais mudanças

-   **PET/TC com FDG como critério maior de imagem** — elevada a critério maior para suspeita de EI em próteses valvares ou dispositivos cardíacos implantáveis, quando o ecocardiograma transesofágico é equívoco ou inconclusivo.
    
-   **TC cardíaca como critério maior complementar** — reconhecida para detecção de abscessos perivalvares e complicações supurativas, especialmente útil em próteses metálicas com artefatos ecocardiográficos.
    
-   **TAVI reconhecido como fator de risco formal** — o implante transcateter de valva aórtica foi incluído como fator de risco de EI com magnitude similar ao implante cirúrgico tradicional.
    
-   **Dispositivos cardíacos permanentes como fator de risco** — marcapassos e CDI foram formalmente incorporados como fator de risco nos critérios.
    
-   **Evidência patológica perioperatória** — a confirmação histopatológica de vegetações ou abscessos em material obtido durante cirurgia cardíaca passou a ter peso formal como critério maior.
    

### O cenário brasileiro: disponibilidade e incorporação

A disponibilidade do PET/TC com FDG varia enormemente entre centros no Brasil. Hospitais de referência em capitais geralmente oferecem o exame, mas o acesso no sistema público ainda é limitado. A TC cardíaca tem distribuição um pouco mais ampla, mas também depende de equipamentos de alta resolução e protocolos específicos.

Até o momento, não há confirmação oficial de incorporação total dessas atualizações pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia ou da Sociedade Brasileira de Infectologia — informação em verificação. Para fins de prova, é prudente conhecer tanto os critérios clássicos de Duke modificados quanto as novidades de 2023.

Duke-ISCVID 2023 modified criteria for infective endocarditis — PubMed

## Abordagem Diagnóstica Passo a Passo

Quando o plantonista se depara com um paciente febril, com sopro cardíaco novo e fatores de risco, a EI precisa entrar no radar. Seguir uma sequência lógica de investigação evita atrasos e erros.

**1\. Suspeita clínica: reconhecer o cenário**

A tríade clássica que deve acender o alerta é **febre de origem obscura + sopro cardíaco novo + fatores de risco para EI**. Fenômenos embólicos (nódulos de Osler, lesões de Janeway, AVC isquêmico inexplicado) e insuficiência cardíaca de início recente reforçam a hipótese.

**2\. Hemoculturas: o pilar microbiológico**

Antes de qualquer antibiótico, colete **3 pares de hemoculturas** (aeróbias e anaeróbias) em **sítios venosos periféricos diferentes**, com intervalo mínimo de 1 par a cada hora. A única exceção é o paciente instável — com choque séptico, insuficiência cardíaca aguda ou embolização maciça — em que a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente.

**3\. Ecocardiograma: do TTE ao TEE**

O **ecocardiograma transtorácico (TTE)** é o exame de primeira linha (sensibilidade ~60%). Quando o TTE é negativo mas a suspeita clínica permanece alta, ou em casos de **valva protética, TAVI, ou suspeita de complicações**, o **ecocardiograma transesofágico (TEE)** se torna preferencial (sensibilidade ~90–95%). Ecocardiograma transtorácico vs transesofágico — indicações

**4\. Laboratório complementar**

-   **Hemograma**: leucocitose com desvio à esquerda é frequente.
-   **VHS e PCR**: quase sempre elevados.
-   **Urina tipo I**: hematúria presente em cerca de 25% dos casos.
-   **FAN e fator reumatóide**: podem estar positivos como parte da resposta imune crônica (critérios menores de Duke).

**5\. Critérios de Duke modificados: fechando o diagnóstico**

O diagnóstico definitivo de EI exige **2 critérios maiores, OU 1 maior + 3 menores, OU 5 menores**.

Para quem está se preparando para provas de residência, memorizar essa combinação de critérios é essencial. A plataforma medmentorIA oferece flashcards e resumos sobre os critérios maiores e menores de Duke, ideais para revisão espaçada antes da prova — transformando um conteúdo denso em algo aplicável na hora da decisão clínica.

## Epidemiologia e Agentes Etiológicos no Brasil

A endocardite infecciosa mantém incidência global estimada entre 7 e 15 casos a cada 100 mil pessoas por ano. No Brasil, a incidência gira em torno de 9 casos por 100 mil pessoas/ano, com predominância na faixa etária de 40 a 70 anos e razão homem:mulher de 2:1. A mortalidade permanece em torno de 25%, mesmo com os avanços diagnósticos e terapêuticos das últimas décadas.

Mais de 50% dos pacientes apresentam alguma alteração valvar predisponente — cardiopatia reumática nos jovens e doença degenerativa nos idosos.

### O papel da febre reumática no cenário brasileiro

Enquanto em países desenvolvidos a valvulopatia degenerativa e o uso de próteses dominam o perfil epidemiológico, no Brasil a **febre reumática** continua sendo o fator de risco mais comum para EI em jovens. Isso reflete diretamente o perfil de agentes etiológicos: o _Streptococcus viridans_ — clássico agente da endocardite subaguda em valva nativa — lidera as estatísticas brasileiras, diferentemente do que se observa nos Estados Unidos, onde o _Staphylococcus aureus_ já é o patógeno predominante.

Essa distinção tem implicações práticas diretas. Pacientes jovens com história de cardiopatia reumática e quadro febril prolongado devem levantar suspeição de EI por estreptococos, enquanto quadros agudos com sepse rapidamente progressiva apontam mais para estafilococos.

### Agentes etiológicos por cenário clínico

Cenário clínico

Agente mais provável

Esquema empírico geral

Valva nativa — subaguda

_Streptococcus viridans_

Ampicilina + Gentamicina

Valva nativa — aguda

_Staphylococcus aureus_

Oxacilina ou Vancomicina (se risco de MRSA)

Prótese valvar precoce (< 1 ano)

_S. aureus_, estafilococos coagulase-negativa, Gram-negativos

Vancomicina + Gentamicina + Rifampicina

Prótese valvar tardia (≥ 1 ano)

_S. viridans_, estafilococos, enterococos

Ampicilina + Gentamicina ± Vancomicina

Dispositivos eletrônicos implantáveis

_S. aureus_, estafilococos coagulase-negativa

Vancomicina + Rifampicina

Usuários de drogas injetáveis

_S. aureus_ (tricúspide)

Oxacilina ou Vancomicina

Em usuários de drogas injetáveis, o _S. aureus_ é claramente prevalente, acometendo preferencialmente a valva tricúspide. Infecções fúngicas — por _Candida_ ou _Aspergillus_ — representam menos de 5% dos casos, mas devem ser consideradas em pacientes imunossuprimidos, pós-cirúrgicos ou com uso prolongado de cateteres venosos centrais.

Para aprofundar os critérios diagnósticos da febre reumática como fator de risco, consulte nosso material sobre Febre reumática aguda — critérios de Jones revisados 2015. Dados complementares sobre epidemiologia e microbiologia da EI no Brasil podem ser encontrados em Epidemiology and microbiology of infective endocarditis in Brazil — PubMed.

## Quando Suspeitar e Como Agir na Prática

Diante de um paciente febril na emergência, a EI raramente é a primeira hipótese — e justamente por isso ela é diagnosticada tarde demais com frequência. O plantonista precisa de um gatilho mental claro para acender o alerta vermelho no momento certo.

### Quando suspeitar de EI na prática clínica

-   **Febre acima de 38 °C de origem obscura** com mais de uma semana de investigação sem diagnóstico definido, especialmente se o paciente tiver qualquer fator de risco (valvulopatia conhecida, prótese valvar ou dispositivo cardíaco implantável, uso de drogas intravenosas, cateter venoso central de longa permanência, história de EI prévia, cardiopatia congênita).
-   **Sopro cardíaco novo ou alteração de sopro preexistente** — presente em 85–90 % dos pacientes com EI.
-   **Fenômenos embólicos inexplicados**: AVC isquêmico em jovem, esplenomegalia com infarto esplênico, hemorragias conjuntivais, lesões de Janeway ou nódulos de Osler, embolização séptica pulmonar em usuários de drogas IV.
-   **Instabilidade hemodinâmica de causa obscura** num portador de prótese valvar ou dispositivo.
-   **Insuficiência cardíaca de instalação aguda**, sobretudo se acompanhada de febre — no acometimento da valva aórtica, a IC é a complicação mais frequente.

> **Nota clínica:** A EI aguda, tipicamente por _S. aureus_, evolui em dias com estado toxêmico grave e alto risco de IC. A forma subaguda, mais associada a _S. viridans_ no cenário brasileiro, arrasta-se por semanas a meses com sintomas insidiosos. Essa distinção muda a urgência da conduta.

### Fluxograma de Ação Imediata para o Plantonista

A decisão mais crítica nos primeiros minutos é: **coletar hemoculturas primeiro ou começar antibiótico agora?** A resposta depende de uma avaliação rápida de gravidade.

#### Paciente ESTÁVEL (sem sinais de gravidade)

-   **Coletar 3 pares de hemoculturas periféricas** (de sítios distintos, com intervalo mínimo de 1 hora entre o primeiro e o último par) **ANTES de qualquer antibiótico**.
-   Solicitar **ecocardiograma transtorácico (TTE)** como exame inicial.
-   Se a TTE for negativa mas a suspeita clínica permanecer alta, ou se o paciente tiver **prótese valvar/dispositivo**, solicitar **ecocardiograma transesofágico (TEE)**.
-   Aplicar os **critérios de Duke** com os dados disponíveis.

#### Paciente INSTÁVEL (sinais de gravidade presentes)

Iniciar **antibioticoterapia empírica imediatamente**, coletando as hemoculturas simultaneamente. As situações que justificam essa conduta são:

-   Instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque séptico).
-   Insuficiência cardíaca aguda secundária a disfunção valvar.
-   Sepse grave com disfunção de órgãos.
-   Abscesso perivalvar identificado ou fortemente suspeitado.

Nesses cenários, cada hora de atraso no antibiótico aumenta a mortalidade. As hemoculturas devem ser colhidas **durante** a infusão do primeiro antibiótico, não antes.

### Resumo Prático em Tabela

Cenário

Hemoculturas

Antibiótico

Ecocardiograma

Estável, suspeita clínica

**3 pares ANTES** do ATB

Aguardar resultado

TTE → TEE se negativo/alta suspeita

Instável / IC / sepse / abscesso

Coletar **simultaneamente** ao ATB

**Iniciar imediatamente**

TEE direto se prótese ou complicação

Prótese valvar + febre

3 pares antes (se estável)

Contexto-dependente

**TEE de primeira linha**

### Pontos de Atenção que Salvam Vidas

-   **Não existe esquema empírico universal para EI.** O esquema depende do contexto: valva nativa versus prótese (precoce vs tardia) versus dispositivo cardíaco, e se o paciente é usuário de drogas intravenosas.
-   **Critérios de Duke são uma ferramenta, não um oráculo.** Pacientes com próteses, dispositivos ou EI por _Coxiella_/_Bartonella_ podem não preencher os critérios clássicos e ainda assim ter a doença. A clínica sempre manda.
-   **Hemoculturas negativas não excluem EI** — até 10 % dos casos têm culturas estéreis por antibiótico prévio, agentes fastidiosos ou fungos. Nesses casos, sorologia, PCR e o ecocardiograma ganham protagonismo.

O recado final para o plantonista: diante de febre persistente + fator de risco + sopro novo, pense em EI **antes** de pensar em exotismo. Coletar as três hemoculturas periféricas antes do antibiótico no paciente estável é o gesto simples que mais muda o desfecho.

## Diferenciação: Endocardite vs Febre Reumática e Outros Diagnósticos Diferenciais

Diagnosticar EI exige um olhar atento — diversas condições podem mimetizar o quadro de febre persistente, acometimento valvar e sinais laboratoriais inflamatórios. A confusão mais clássica acontece entre EI e febre reumática aguda (FRA), mas doenças como lúpus eritematoso sistêmico (LES), trombos não infecciosos e tumores cardíacos também entram no radar.

### Endocardite Infecciosa × Febre Reumática Aguda: a grande armadilha

Critério

Endocardite Infecciosa

Febre Reumática Aguda

**Etiologia**

Infecção direta da superfície endocárdica

Resposta autoimune pós-faringite por _Streptococcus_ do grupo A

**Tempo de latência**

Quadro agudo (dias) ou subagudo (semanas)

2 a 4 semanas após faringoamigdalite estreptocócica

**Febre**

Contínua, geralmente > 38°C, persistente

Febre associada a artrite, início mais breve

**Sopro cardíaco**

Novo sopro ou alteração de pré-existente (destruição valvar)

Cardite valvar (insuficiência mitral/aórtica por inflamação)

**Sinais periféricos**

Lesões de Osler, manchas de Roth, dedos em baqueta de tambor, esplenomegalia

Ausentes

**Articulações**

Artralgias inespecíficas

**Artrite migratória** de grandes articulações

**Manifestações cutâneas**

Raras (petéquias)

**Eritema marginado** (lesões anulares não pruriginosas)

**Neurológico**

Embolia séptica (AVC, meningite)

**Coreia de Sydenham** (movimentos involuntários, em crianças)

**Diagnóstico**

**Critérios de Duke** (hemocultura + ecocardiograma)

**Critérios de Jones** (manifestações major/minor + evidência de infecção estreptocócica prévia)

**Exame laboratorial-chave**

Hemocultura positiva, ecocardiograma com vegetações oscilantes

ASLO elevado, sorologias de estreptococo

**Tratamento**

Antibioticoterapia prolongada ± cirurgia

AAS, penicilina profilática secundária, anti-inflamatórios

**Atenção:** Critérios de Duke e Critérios de Jones têm nomes sonoramente parecidos, mas se aplicam a doenças completamente distintas — uma é infecciosa, a outra é autoimune. Essa é uma das confusões mais frequentes em provas de residência.

### Outros diferenciais essenciais

**Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES):** causa a endocardite de **Libman-Sacks** — vegetações estéreis sobre as valvas, geralmente menores e localizadas na face ventricular da valva mitral. FAN e anti-dsDNA positivos apontam para LES. O ecocardiograma mostra lesões menores e menos destrutivas que as vegetações de EI, e a hemocultura é negativa.

**Trombo não infeccioso:** trombos murais podem ser confundidos com EI. Vegetações de EI são tipicamente oscilantes, irregulares e móveis; trombos tendem a ser imóveis, com bordos definidos. A ausência de febre persistente, hemoculturas negativas e contexto de hipercoagulabilidade reforçam o diagnóstico de trombose.

**Fibroelastoma papilífero:** tumor cardíaco primário mais comum em adultos, geralmente assintomático, mas que pode causar embolia sistêmica. No ecocardiograma, aparece como lesão pequena, pediculada e móvel, com aspecto "frondoso" (semelhante a uma anêmona-do-mar), distinto das vegetações irregulares da EI.

**Síndrome carcinoide:** tumores neuroendócrinos produtores de serotonina causam placas endocárdicas fibrosas no lado direito do coração. O quadro cursa com flush cutâneo, diarreia e sibilos. O diagnóstico é confirmado pela dosação de 5-HIAA urinário elevado.

### O ecocardiograma como divisor de águas

Em todos esses diferenciais, o **ecocardiograma** — especialmente o transesofágico — é o exame-chave. Ele permite avaliar mobilidade (vegetações de EI oscilam; trombos e placas de LES são fixos), localização, destruição tecidual e tamanho das lesões. A combinação de achados ecocardiográficos com o contexto clínico, hemoculturas e sorologias permite fechar o diagnóstico com segurança.

> Para aprofundar os critérios diagnósticos de febre reumática, consulte: Febre reumática aguda — critérios de Jones revisados 2015

## Conclusão

A endocardite infecciosa é uma infecção do endocárdio que forma vegetações compostas por plaquetas, fibrina e microrganismos, acometendo preferencialmente as valvas cardíacas em áreas de turbulência de fluxo. A febre está presente em 80–90% dos casos, e a identificação de um sopro novo ou insuficiência cardíaca deve acender o alerta clínico desde a primeira avaliação. A diferenciação entre as formas aguda e subaguda orienta a suspeita etiológica: a aguda evolui rapidamente com estado toxêmico, enquanto a subaguda tem curso insidioso ao longo de semanas a meses. Os sinais periféricos ajudam a distinguir mecanismos imunológicos — como nódulos de Osler e manchas de Roth — de manifestações embólicas, como as lesões de Janeway. O diagnóstico definitivo se apoia nos critérios de Duke modificados, que combinam achados clínicos, microbiológicos e de imagem, com a atualização de 2023 incorporando PET/TC-FDG e TC cardíaca como critérios maiores e incluindo TAVI e dispositivos eletrônicos como fatores de risco. No cenário brasileiro, a consciência sobre o papel da febre reumática e do _Streptococcus viridans_ permanece essencial para a prática clínica. O reconhecimento precoce e a aplicação correta desses critérios são competências fundamentais para quem atua em clínica médica, infectologia e cardiologia — e também para quem se prepara para provas de residência.

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## Perguntas Frequentes

### Quais são os critérios maiores de Duke para endocardite infecciosa?

Critérios maiores: (1) hemoculturas positivas para organismos típicos ou persistentemente positivas, incluindo _Coxiella_ (IgG > 1:800); (2) evidência de comprometimento endocárdico por imagem (vegetação, abscesso, deiscência de prótese nova, regurgitação nova — esta última elevada a maior na atualização 2023).

### Qual a diferença entre nódulos de Osler e lesões de Janeway?

Nódulos de Osler são dolorosos, ocorrem nas polpas digitais e entãoar (fenômeno imunológico por complexos imunes); lesões de Janeway são indolores, palmares e plantares (embolos sépticos na pele). Uma questão clássica de prova é perguntar qual é de origem imunológica vs embólica.

### Quando solicitar ecocardiograma transesofágico (TEE) e não o transtorácico (TTE)?

TEE (sensibilidade ~90–95%) é preferencial em valvas protéticas, TAVI, dispositivos cardíacos, alta suspeita com TTE negativa, e complicações suspeitas como abscesso perivalvar. TTE (sensibilidade ~60%) é exame inicial mesmo com baixa sensibilidade.

### Como coletar hemoculturas corretamente antes de iniciar antibióticos?

Ideal: 3 pares de hemoculturas (1 aeróbia + 1 anaeróbia por par) em sítios venosos periféricos diferentes, com intervalo mínimo de 1h entre os pares. Não atrasar antibioticoterapia em pacientes instáveis — coletar hemoculturas simultaneamente e iniciar antibiótico.

### O que mudou nos critérios de Duke com a atualização Duke-ISCVID 2023?

Inclusão de PET/TC com FDG e TC cardíaca como critérios maiores de imagem; TAVI e dispositivos cardíacos permanentes como fatores de risco formais; e regurgitação valvar nova elevada a critério maior. O PET/TC tem baixa disponibilidade no sistema público brasileiro.

### Como diferenciar aguda e subaguda e qual o agente provável de cada uma?

Corte de 6 semanas: aguda (< 6 semanas) → _S. aureus_, válvula íntegra, toxemia, evolução rápida. Subaguda (≥ 6 semanas) → _S. viridans_, válvula já comprometida, início insidioso, melhor prognóstico.

### Qual a incidência da endocardite infecciosa no Brasil?

Incidência estimada em ~9/100.000 pessoas/ano no Brasil; globalmente, 7–15/100.000/ano. Proporção homem:mulher de 2:1, faixa etária predominante 40–70 anos, mortalidade aproximada de 25%.

### Quais são as indicações cirúrgicas na endocardite infecciosa?

IC refratária, abscesso perivalvar ou de anel, vegetações grandes (> 10mm) com embolias recorrentes, infecção não controlada por antibióticos (febre persistente > 5–7 dias) e infecção fúngica são as principais indicações cirúrgicas.

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Sobre a autora

### Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250 

Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

1º lugar · FELUMA Aprovada · Einstein (HIAE) 

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