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Preparação • 18 min de leitura • 15 de jun. de 2026 

# Doenças de Pele: Diagnóstico e Manejo Clínico

Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

![Doenças de Pele: Diagnóstico e Manejo Clínico](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/doencas-de-pele-diagnostico-manejo-clinico.jpg)

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#### Neste artigo

-   [A Barreira Cutânea: O Que o Generalista Precisa Saber](#a-barreira-cutanea-o-que-o-generalista-precisa-saber)
-   [Acne Vulgar: Fisiopatologia, Graus de Gravidade e Tratamento](#acne-vulgar-fisiopatologia-graus-de-gravidade-e-tratamento)
-   [Dermatites e Eczemas: Atópica, Seborreica e de Contato](#dermatites-e-eczemas-atopica-seborreica-e-de-contato)
-   [Psoríase: Doença Sistêmica e Imunomediada](#psoriase-doenca-sistemica-e-imunomediada)
-   [Vitiligo e Rosácea: Diagnóstico Diferencial e Novas Terapias](#vitiligo-e-rosacea-diagnostico-diferencial-e-novas-terapias)
-   [Manifestações Cutâneas de Alerta: Impetigo, Melanoma, Lúpus e Alopecia](#manifestacoes-cutaneas-de-alerta-impetigo-melanoma-lupus-e-alopecia)
-   [Conclusão](#conclusao)
-   [Perguntas Frequentes](#perguntas-frequentes)

As principais doenças de pele na prática clínica brasileira incluem a acne vulgar, a dermatite atópica, a psoríase, o vitiligo e a dermatite seborreica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na morfologia das lesões, na localização e na história do paciente. Dominar as classificações de gravidade é o que permite fazer a escolha terapêutica certa — e é exatamente isso que diferencia uma conduta segura de um encaminhamento desnecessário.

Para quem está no internato ou se preparando para provas de residência, a dermatologia pode parecer intimidadora pela variedade de condições. A boa notícia é que, com os critérios corretos em mãos, você aprende a raciocinar pelo padrão das lesões — e esse raciocínio se aplica tanto no ambulatório quanto nas questões do ENAMED 2026. Este guia reúne fisiopatologia, classificações, diagnósticos diferenciais e condutas atualizadas para as dermatoses mais prevalentes.

## A Barreira Cutânea: O Que o Generalista Precisa Saber

A pele é o maior órgão do corpo humano e atua como **primeira linha de defesa** do organismo contra agentes físicos, químicos e biológicos. Ela é composta por três camadas — epiderme, derme e hipoderme — e quando essa barreira é comprometida, o paciente se torna vulnerável a infecções, alergias e inflamações crônicas.

O **estrato córneo**, a camada mais externa da epiderme, é o principal responsável por impedir a perda transepidérmica de água e bloquear a entrada de patógenos. Ele funciona como uma parede de tijolos — os corneócitos — unidos por uma argamassa lipídica composta por ceramidas, colesterol e ácidos graxos. Quando íntegro, esse manto lipídico mantém a hidratação tecidual e impede a penetração de alérgenos.

Dois comportamentos cotidianos fragilizam diretamente essa barreira:

-   **Banhos quentes e prolongados:** a água em alta temperatura dissolve o manto lipídico, removendo a proteção natural da camada córnea.
-   **Baixa umidade do ar:** contribui para a xerose cutânea, que pode desencadear o "ciclo coceira-arranhadura" e facilitar infecções secundárias.

Idosos merecem atenção especial: apresentam diminuição natural dos constituintes cutâneos, tornando-os mais suscetíveis à xerose e à fragilidade da barreira. A recomendação prática é aplicar hidratante corporal ao menos duas vezes ao dia em períodos de clima seco.

Existem cerca de **3.000 doenças dermatológicas catalogadas**, e as queixas cutâneas estão entre os motivos mais frequentes de consulta na atenção primária. No Brasil, o generalista é frequentemente o primeiro a avaliar acne, dermatite atópica, psoríase, dermatite seborreica e vitiligo. As condições cutâneas são amplamente reconhecidas como problema global de saúde pública.

Para o médico em formação, reconhecer essas patologias e entender a fisiologia da barreira cutânea é parte essencial da prática clínica. [Guia do Internato de Clínica Médica](/blog/medicina-no-exterior-revalida-guia-completo)

## Acne Vulgar: Fisiopatologia, Graus de Gravidade e Tratamento

A acne vulgar é a dermatose mais prevalente na prática clínica. Estima-se que afete aproximadamente 9,4% da população global, representando uma das queixas mais frequentes nos ambulatórios de dermatologia e clínica médica. Compreender sua fisiopatologia e classificação por graus de gravidade é o primeiro passo para um manejo terapêutico racional.

### Os 4 Pilares Fisiopatológicos

A acne é uma doença inflamatória crônica da unidade pilossebácea, e sua formação depende da interação de quatro mecanismos fundamentais:

-   **Hiperqueratinização folicular:** acúmulo excessivo de queratinócitos no infundíbulo folicular, obstruindo a saída do sebo e formando o comedão.
-   **Hiperprodução sebácea:** estimulada principalmente por andrógenos, criando ambiente lipídico favorável à proliferação bacteriana.
-   **Colonização por _Cutibacterium acnes_:** a bactéria coloniza o folículo obstruído e ativa vias inflamatórias, incluindo o inflamassoma NLRP3.
-   **Inflamação:** a resposta imune inata e adaptativa gera pápulas, pústulas, nódulos e, nos casos mais graves, abscessos e fístulas.

Esses quatro pilares se retroalimentam: a obstrução favorece a colonização bacteriana, que amplifica a inflamação, que agrava a hiperqueratinização. Entender essa cascata é essencial para escolher o tratamento certo em cada grau.

### Classificação em 5 Graus de Gravidade

**Grau**

**Classificação**

**Características Clínicas**

Grau I

Acne comedônica (não inflamatória)

Comedões abertos e/ou fechados, sem lesões inflamatórias significativas

Grau II

Acne papulopustulosa leve

Comedões + pápulas e pústulas espalhadas, acometimento leve

Grau III

Acne papulopustulosa grave/nodular

Pápulas e pústulas numerosas + nódulos inflamatórios

Grau IV

Acne conglobata

Nódulos coalescentes, abscessos, fístulas e deformidades cutâneas

Grau V

Acne fulminante

Quadro sistêmico com febre, dor articular e possível acometimento ósseo

**Pontos-chave para fixar:**

-   A presença de **comedões** é o marcador que diferencia acne de rosácea — esta última não apresenta comedões e acomete predominantemente adultos entre 30 e 50 anos.
-   A **acne grau IV (conglobata)** pode causar deformidades permanentes, exigindo intervenção agressiva.
-   A **acne grau V (fulminante)** é uma emergência dermatológica: além das lesões cutâneas graves, o paciente pode apresentar febre, artralgia e lesões ósseas líticas.
-   A **acne neonatal** é um diagnóstico à parte: geralmente regride espontaneamente até os 3 meses de vida.

### Tratamento: Princípios Gerais

O tratamento segue lógica escalonada conforme o grau de gravidade. Alguns princípios são inegociáveis:

-   **Antibióticos orais** (doxiciclina, minociclina) devem ser usados por no máximo **3 meses** para evitar resistência bacteriana.
-   **Isotretinoína** é o tratamento de escolha para acne grave (graus III a V) e para casos refratários. A dose cumulativa-alvo descrita na literatura acadêmica é de **120 a 150 mg/kg** ao longo do tratamento, fracionada conforme a dose diária tolerada e monitoramento laboratorial.
-   **Clascoterona** (antiandrogênico tópico), nova opção terapêutica para pacientes com acne vulgar, com menor risco de efeitos sistêmicos comparado aos antiandrogênicos orais — consulte as diretrizes vigentes de dermatologia para indicação, posologia e formulação disponível no Brasil.

## Checklist de Gravidade da Acne Vulgar

Classificação por grau para decisão terapêutica

I 

Acne Comedônica (Leve)

Comedões abertos e fechados, sem lesões inflamatórias significativas.

Peróxido de Benzoíla (tópico)  Retinóide tópico  Ácido salicílico 

II 

Acne Papulopustulosa (Leve a Moderada)

Comedões + pápulas e pústulas inflamatórias. Poucas lesões, sem cicatrizes profundas.

Associação BPO + Retinóide  Antibiótico tópico + BPO  Ácido azelaico (tópico) 

III 

Acne Papulopustulosa Grave/Nodular (Moderada a Grave)

Nódulos inflamatórios, cistos superficiais. Risco de cicatrizes. Acometimento extenso.

Antibiótico oral (Doxiciclina/Minociclina)  Retinóide tópico  BPO tópico 

IV 

Acne Conglobata (Grave)

Nódulos grandes, abscessos, fístulas e drenagem de material purulento. Cicatrizes graves.

Isotretinoína oral  Corticoterapia intralesional  Drenagem de abscessos 

V 

Acne Fulminans (Muito Grave)

Início súbito, ulcerações necróticas, sintomas sistêmicos (febre, artralgia, mal-estar). Emergência dermatológica.

Corticoterapia sistêmica  Isotretinoína (após controle)  Suporte hospitalar 

Escala de Gravidade

Leve  Muito Grave 

**⚕️ Nota clínica:** A classificação orienta a escolha terapêutica. Avalie sempre o impacto psicossocial e o risco de cicatrizes. Encaminhe ao dermatologista nos graus III–V.

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## Dermatites e Eczemas: Atópica, Seborreica e de Contato

Os eczemas formam um grupo de doenças inflamatórias da pele — não contagiosas — que afetam as camadas superficiais e compartilham características como eritema, prurido e lesões que variam conforme a fase clínica: na fase aguda predominam vesículas com exsudato claro; na crônica, observa-se liquenificação (espessamento da pele) e crostas. A dermatite de contato lidera em prevalência, correspondendo a cerca de **80% dos casos de eczema**. Aproximadamente 20% das crianças pequenas são atingidas por dermatites, e em torno de 3% dos adultos convivem com doenças eczematosas.

### Dermatite Atópica: Critérios Diagnósticos e Manejo Atualizado

A dermatite atópica é uma inflamação crônica da pele, especialmente comum em crianças e em centros urbanos. O diagnóstico clínico permanece o pilar da abordagem, e os **critérios de Hanifin e Rajka** continuam sendo a referência mais utilizada na prática médica.

Para o diagnóstico, o paciente deve apresentar **pelo menos 3 critérios maiores** e **pelo menos 3 critérios menores**:

**Critérios Maiores:**

-   Prurito (obrigatório)
-   Morfologia e distribuição típicas: lesões flexurais em adultos; lesões faciais e extensoras em crianças
-   Dermatite crônica ou recorrente
-   História pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite alérgica, dermatite atópica)

**Critérios Menores (seleção dos mais relevantes para a prática):**

-   Xerose (pele seca)
-   Ictiose palmar, queratose pilar ou dermatite das mãos e pés
-   Reatividade imediata em testes cutâneos (tipo I)
-   IgE sérica elevada
-   Início precoce da doença
-   Tendência a infecções cutâneas (_Staphylococcus aureus_, _Herpes simplex_)
-   Dobras infraorbitárias de Dennie-Morgan
-   Pitiríase alba
-   Conjuntivite recorrente
-   Ceratocone

**Apresentação por faixa etária:** Em crianças, as lesões predominam na face (bochechas) e nas superfícies extensoras dos membros. Em adultos, tornam-se mais localizadas em áreas flexurais (antecubitais, poplíticas), pescoço, punhos e mãos, com liquenificação marcante.

**Manejo em 2026:** A base do tratamento começa com **hidratação cutânea rigorosa**, aplicada ao menos 2 vezes ao dia após o banho. Para casos moderados refratários a corticoides tópicos, os **inibidores de JAK tópicos** representam uma evolução terapêutica em desenvolvimento — bloqueiam a via JAK-STAT, reduzindo citocinas inflamatórias como IL-4, IL-13 e IL-31; a disponibilidade e indicação regulatória variam por país e devem ser confirmadas antes da prescrição.

O uso de corticoides tópicos segue princípio de escalonamento por potência e localização:

-   **Face, pálpebras e dobras:** baixa potência (hidrocortisona 1%)
-   **Tronco e membros:** média potência (mometasona, betametasona valerato)
-   **Mãos, pés e áreas liquenificadas:** alta potência (clobetasol), por períodos curtos com desmame gradual
-   **Manutenção:** uso em dias alternados ou intermitente ("weekend therapy") para minimizar atrofia cutânea

### Dermatite Seborreica: Malassezia e Glândulas Sebáceas

A dermatite seborreica diferencia-se dos demais eczemas pela sua associação direta com o fungo **Malassezia** e pela predileção por áreas ricas em glândulas sebáceas — couro cabeludo, região central da face (sobrancelhas, sulcos nasolabiais), região esternal e retroauricular. Apresenta eritema com escamas gordurosas e amareladas, além de prurido geralmente leve. Em crianças, pode manifestar-se como "crosta láctea". O tratamento inclui antifúngicos tópicos (cetoconazol, ciclopirox olamina) e, em casos mais extensos, antifúngicos orais.

### Dermatite de Contato: Alérgica e Irritativa

A dermatite de contato divide-se em **irritativa** (resposta tóxica direta, sem mecanismo imunológico) e **alérgica** (hipersensibilidade tardia mediada por linfócitos T). A história ocupacional e de hábitos é fundamental: cosméticos, metais (níquel), borracha, medicamentos tópicos e plantas estão entre os alérgenos mais comuns. O **teste de patch (epicutâneo)** é o exame padrão-ouro para identificação do alérgeno na forma alérgica.

A hidratação cutânea, aplicada ao menos 2 vezes ao dia, é uma recomendação transversal a todos os eczemas e deve ser encarada como parte do tratamento, não como cuidado acessório.

## Psoríase: Doença Sistêmica e Imunomediada

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, imunomediada e de natureza sistêmica — não se limita à pele. O ciclo de renovação dos queratinócitos, que normalmente leva cerca de 27 dias, é acelerado para apenas **4 dias**, resultando na formação de placas espessas e descamativas. A **variante vulgar (em placas)** corresponde a 90% dos casos e é o fenótipo mais prevalente na prática clínica.

### Diagnóstico Clínico e Dermatoscopia

O diagnóstico é fundamentalmente clínico, baseado na morfologia e distribuição das lesões: placas eritematosas com escamas prateadas, bem delimitadas, em superfícies extensoras (cotovelos, joelhos, couro cabeludo). O **Sinal de Auspitz** — também chamado de fenômeno do orvalho sangrento — ocorre quando a remoção mecânica das escamas revela pontos de sangramento capilar, refletindo a vascularização dérmica dilatada e fragilizada.

A dermatoscopia amplia a acurácia diagnóstica:

Achado Dermatoscópico

Significado Patológico

Vasos em pontos distribuídos regularmente

Capilares dérmicos dilatados e tortuosos

Escamas brancas difusas

Hiperceratose e paraceratose epidérmica

Fundo vermelho-homogêneo

Inflamação dérmica crônica

Vasos glomerulares (espiralados)

Formas mais inflamativas ou em progressão

Esses padrões ajudam a diferenciar psoríase de dermatite seborreica (vasos arboriformes) e de líquen plano (estrias de Wickham).

### Fatores Genéticos e Fenótipos

O locus **HLA-Cw6 (PSORS1)** é o principal determinante genético da psoríase. Pacientes portadores desse alelo tendem a desenvolver a **Psoríase Tipo 1**, com início precoce (entre 20 e 30 anos) e forte história familiar. A prevalência na população geral varia de **1% a 3%**, com acometimento de pele, articulações (artrite psoriásica) e unhas — manifestando-se como pitting, manchas salmão e onicólise.

### Classificação de Gravidade: A Regra dos 10

A decisão terapêutica depende da estratificação de gravidade. A **Regra dos 10** é o critério prático mais utilizado nas diretrizes:

-   **PASI > 10** (Psoriasis Area and Severity Index)
-   **BSA > 10%** (Body Surface Area — superfície corporal acometida)
-   **DLQI > 10** (Dermatology Life Quality Index — impacto na qualidade de vida)

Quando qualquer um desses três parâmetros ultrapassa 10, a psoríase é classificada como **moderada a grave**, indicando necessidade de tratamento sistêmico. A psoríase eritrodérmica — forma grave e potencialmente fatal — pode comprometer 80% a 90% da superfície corporal, exigindo internação hospitalar.

### Manejo Terapêutico em 2026

O arsenal para psoríase moderada-grave expandiu com os imunobiológicos: agentes anti-TNF (adalimumabe, etanercepte, infliximabe), anti-IL-17 (secuquinumabe, ixequizumabe, brodalumabe) e anti-IL-23 (guselcumabe, risankizumabe). A escolha considera comorbidades, perfil de segurança e acesso. A natureza sistêmica da psoríase exige abordagem multidisciplinar: rastreamento de artrite psoriásica, avaliação cardiometabólica e suporte psicológico fazem parte do cuidado integral.

🔬 medmentorIA

## Diferencial Clínico

Psoríase vs. Líquen Plano vs. Dermatite Seborreica

Característica

Psoríase

Líquen Plano

Dermatite Seborreica

Tipo de Lesão

Placas eritematosas com escamas **prateadas**

Pápulas planas **poligonais violáceas**

Placas eritematosas com escamas **gordurosas/amareladas**

Prurido

Moderado a intenso

**Muito intenso**

Leve a moderado

Localização Típica

Extensoras (cotovelos, joelhos), couro cabeludo, região lombar

Face flexora (punhos, tornozelos), mucosa oral

Couro cabeludo, face (dobras nasolabiais), tórax anterior

Sinal Clínico

**Sinal de Auspitz** (sangramento puntiforme)

**Estrias de Wickham** (reticulado branco)

Sem sinal patognomônico específico

Histologia (referência anatomopatológica) 

Acantose regular, microabscessos de Munro

Dermatite de interface em banda, corpos coloides

Espongiose leve, neutrófilos no estrato córneo

Associação Sistêmica (verificar com revisor médico) 

Artrite psoriásica, síndrome metabólica, DCV

Hepatite C (associação descrita na literatura)

HIV (formas graves), Parkinson (associação descrita)

Adaptado de diretrizes dermatológicas · medmentorIA

## Vitiligo e Rosácea: Diagnóstico Diferencial e Novas Terapias

Duas condições frequentemente subestimadas na prática clínica — e com impacto profundo na qualidade de vida. A rosácea, com seu eritema centrofacial persistente, e o vitiligo, marcado por manchas acrômicas de origem autoimune, demandam abordagens distintas e merecem olhar atento.

### Rosácea: Muito Além da "Pele Sensível"

A rosácea afeta predominantemente adultos entre 30 e 50 anos e seu diagnóstico é essencialmente clínico. O sinal mais distintivo para diferenciá-la da acne vulgar é a **ausência de comedões** — enquanto a acne se caracteriza pela presença de pápulas, pústulas e comedões, a rosácea manifesta-se por eritema centrofacial persistente, telangiectasias e, em fases avançadas, rinofima.

Os gatilhos são bem estabelecidos: calor, álcool e radiação UV são os principais fatores de exacerbação. Orientar o paciente sobre evitá-los faz parte do manejo tanto quanto a prescrição medicamentosa.

Um ponto que muitos subestimam é o acometimento ocular. A literatura descreve manifestações oculares em parcela significativa dos pacientes com rosácea — incluindo blefarite, conjuntivite e, em casos mais graves, ceratite. A investigação oftalmológica deve fazer parte da rotina de acompanhamento, especialmente quando o paciente relata olho seco, fotofobia ou sensação de corpo estranho.

### Vitiligo: Destruição Autoimune dos Melanócitos

O vitiligo é a causa mais frequente de despigmentação cutânea e resulta da destruição autoimune dos melanócitos na epiderme. No Brasil, estima-se uma prevalência em torno de **0,54% da população**, com surgimento predominante entre 13 e 22 anos (média de 20 anos). Cerca de 20% dos pacientes possuem parente de primeiro grau com a doença, e há forte associação com doenças tireoidianas — o que justifica a solicitação de perfil tireoidiano na investigação inicial.

A condição divide-se em dois grandes grupos:

-   **Vitiligo não segmentar** (mais comum): lesões bilaterais e simétricas, com curso imprevisível
-   **Vitiligo segmentar**: distribuição unilateral, tende a estabilizar mais precocemente

O diagnóstico é clínico, podendo ser auxiliado pela lâmpada de Wood, que acentua a despigmentação. O diagnóstico diferencial inclui hanseníase indeterminada — que se diferencia pela alteração de sensibilidade — e tinea corporis, confirmada por exame micológico.

### Inibidores de JAK: Uma Nova Era no Tratamento do Vitiligo

Os inibidores de JAK têm emergido como opção terapêutica promissora para o vitiligo não segmentar, com evidência publicada na literatura recente. A classe atua bloqueando a via JAK-STAT, reduzindo a resposta autoimune contra os melanócitos e permitindo a repigmentação, principalmente em áreas faciais. A disponibilidade de formulações tópicas (como ruxolitinibe) e sua indicação formal variam conforme o país e o contexto regulatório; consulte as diretrizes locais antes de prescrever. A associação com fototerapia NB-UVB tem mostrado resultados promissores em estudos iniciais.

Para o médico residente, conhecer essa classe terapêutica representa uma mudança de paradigma no manejo de uma condição historicamente de difícil controle.

## Manifestações Cutâneas de Alerta: Impetigo, Melanoma, Lúpus e Alopecia

Algumas manifestações cutâneas funcionam como sinais de alerta para condições graves — infecciosas, neoplásicas ou sistêmicas. Saber identificá-las precocemente muda desfechos. Veja os quatro cenários que todo generalista precisa dominar.

### Impetigo: Bolhoso ou Crostoso, a Conduta Muda

O impetigo é a infecção bacteriana cutânea mais comum em crianças, causada principalmente por _Staphylococcus aureus_ e _Streptococcus pyogenes_. A distinção clínica entre as formas orienta diretamente a terapêutica:

-   **Impetigo crostoso (não bolhoso):** forma mais prevalente, com lesões eritematosas que evoluem para crostas melicéricas ("cor de mel"). Tratamento de primeira linha: **antibiótico tópico** (mupirocina ou ácido fusídico), reservando antibiótico sistêmico para casos extensos ou sem resposta em 48–72 horas.
-   **Impetigo bolhoso:** causado por cepas de _S. aureus_ produtoras de toxinas epidermolíticas; apresenta bolhas flácidas de rompimento rápido. Por ter maior risco de disseminação, recomenda-se **antibiótico sistêmico** desde o início (cefalexina ou amoxicilina-clavulanato), mesmo em lesões localizadas.

Tratar impetigo bolhoso apenas com tópico é um erro frequente que pode evoluir para complicações — atenção especial nas questões de prova.

### Melanoma: A Regra do ABCDE e a Importância Crítica da Letra "E"

O melanoma cutâneo representa percentual pequeno dos cânceres de pele, mas é responsável pela maioria das mortes por neoplasia cutânea. A regra do ABCDE é a ferramenta de triagem mais difundida, mas a letra **E — Evolução** é frequentemente subestimada e é, na prática clínica, um dos sinais de alerta mais importantes:

-   **A** — Assimetria: uma metade da lesão não corresponde à outra
-   **B** — Bordas irregulares, serrilhadas ou mal definidas
-   **C** — Cor variada (tons de marrom, preto, azul, vermelho ou branco na mesma lesão)
-   **D** — Diâmetro maior que 6 mm
-   **E** — **Evolução:** qualquer mudança no tamanho, forma, cor, textura ou sintoma (prurido, sangramento) de uma lesão pré-existente. Pergunte ativamente: _"Essa pinta mudou nos últimos meses?"_

Lesões com evolução documentada merecem avaliação dermatoscópica e baixa tolerância para biópsia excisional quando houver suspeita clínica.

### Lúpus Eritematoso Sistêmico: Fotossensibilidade em Mulheres Jovens

O LES atinge prioritariamente **mulheres jovens em idade fértil**, com proporção feminino:masculino de aproximadamente 9:1. A fotossensibilidade é uma manifestação clínica clássica do LES — presente nos critérios históricos do ACR e reconhecida como sinal de alerta — e manifesta-se como exantema desencadeado ou agravado pela exposição solar, incluindo o clássico **eritema em asa de borboleta** sobre a região malar e dorso do nariz; nos critérios EULAR/ACR 2019, o domínio mucocutâneo pontua lúpus cutâneo agudo/subagudo e úlceras orais.

Toda mulher jovem com eritema facial fotodistribuído, artrite e fadiga deve ter o LES no diagnóstico diferencial. A investigação inicial inclui FAN, anti-dsDNA, complemento (C3/C4) e hemograma. O encaminhamento precoce ao reumatologista reduz dano orgânico irreversível.

### Micoses Superficiais e Alopecia Areata

As dermatofitoses (Tinea corporis, Tinea cruris, Tinea pedis) são causadas por fungos que colonizam áreas de calor e umidade. Um ponto que gera questões de prova é a **duração do tratamento**: pode variar de **7 a 60 dias** dependendo da localização e extensão. Tinea capitis e onicomicose frequentemente exigem terapia sistêmica prolongada — oriente o paciente sobre adesão ao tratamento completo mesmo após melhora clínica aparente.

A **alopecia areata** é uma doença imunomediada que causa perda capilar não cicatricial em placas, mas com curso significativamente influenciado por fatores emocionais. Estima-se que parcela expressiva das doenças dermatológicas possua comorbidades psiquiátricas associadas — o manejo ideal é multidisciplinar, e ignorar a dimensão psicossomática compromete a resposta terapêutica.

**Resumo dos pontos-chave desta seção:**

-   Impetigo bolhoso exige antibiótico sistêmico; o crostoso pode iniciar com tópico.
-   No ABCDE do melanoma, a **Evolução** é um dos sinais mais importantes — pergunte sempre sobre mudanças recentes.
-   LES deve ser suspeitado em mulheres jovens com fotossensibilidade e artrite.
-   O tratamento de micoses superficiais comuns pode durar semanas; tinea capitis e onicomicose frequentemente exigem terapia mais prolongada — oriente adesão completa.
-   Alopecia areata tem componente psicossomático relevante — investigue estresse e comorbidades psiquiátricas.

## Conclusão

A dermatologia continua sendo, antes de tudo, uma especialidade clínica e visual. O médico generalista que domina as cinco dermatoses mais prevalentes — acne, dermatite atópica, psoríase, dermatite seborreica e vitiligo — consegue conduzir o manejo inicial com segurança, reduzir encaminhamentos desnecessários e beneficiar o sistema de saúde como um todo.

A tecnologia hoje trabalha a seu favor. Ferramentas de apoio diagnóstico baseadas em inteligência artificial funcionam como extensão do olhar clínico — nunca como substitutas. A perspectiva da IA na dermatologia em 2026 é de complementaridade: ela auxilia na triagem, na padronização de critérios e na sugestão de diagnósticos diferenciais, mas a decisão terapêutica final permanece com você, que integra história clínica, exame físico e contexto do paciente.

Esse domínio é exatamente o que o ENAMED 2026 e o internato exigem. As provas valorizam raciocínio clínico aplicado, não apenas memorização de classificações. Quando você entende a fisiopatologia por trás de uma placa eritemato-descamativa ou diferencia dermatite atópica de dermatite seborreica na prática, constrói a base que sustenta tanto a aprovação quanto a segurança no plantão. A medmentorIA pode ajudar você a percorrer esse caminho com estratégia e consistência.

## Perguntas Frequentes

### Qual a diferença entre acne e rosácea?

A principal diferença clínica é a **presença de comedões (cravos) na acne**, que estão completamente ausentes na rosácea. Além disso, a rosácea foca em eritema centrofacial persistente, telangiectasias e rinofima (nos casos avançados), enquanto a acne envolve obstrução da unidade pilossebácea com lesões inflamatórias variadas. A rosácea acomete predominantemente adultos entre 30 e 50 anos; a acne tem pico na adolescência, mas pode persistir na vida adulta.

### O vitiligo tem cura ou apenas controle?

O vitiligo é uma condição crônica sem cura definitiva, mas o controle terapêutico avançou significativamente nas últimas décadas. O uso de inibidores de JAK tópicos (com evidência emergente em estudos recentes) associado à fototerapia NB-UVB tem demonstrado repigmentação em estudos iniciais, especialmente em áreas faciais; confirme disponibilidade e indicação regulatória no Brasil antes de prescrever. O objetivo terapêutico atual é estabilização da doença e repigmentação progressiva.

### O que é o sinal de Auspitz na psoríase?

É o surgimento de pequenos pontos de sangramento — chamados de "orvalho sangrento" — após a remoção mecânica das escamas de uma placa de psoríase. Esse sinal reflete a vascularização dérmica dilatada e fragilizada, característica histológica da doença. É um achado semiológico clássico cobrado em provas e relevante no diagnóstico diferencial com outras dermatoses descamativas.

### Como tratar impetigo em crianças?

Depende da forma clínica. No **impetigo crostoso** (não bolhoso), o tratamento de primeira linha é antibiótico tópico — mupirocina ou ácido fusídico — com antibiótico sistêmico reservado para casos extensos ou sem melhora em 48–72 horas. No **impetigo bolhoso**, por maior risco de disseminação, recomenda-se antibiótico sistêmico desde o início (cefalexina ou amoxicilina-clavulanato), independentemente da extensão das lesões.

### A partir de qual grau de acne é indicado o uso de isotretinoína?

A isotretinoína é geralmente indicada a partir do **Grau III resistente** ao tratamento convencional, sendo obrigatória nos **Graus IV e V**. Também pode ser indicada em graus menores quando há alto risco de cicatrizes, impacto psicossocial grave documentado ou falha terapêutica com antibióticos sistêmicos por 3 meses. A dose cumulativa-alvo descrita na literatura é de 120 a 150 mg/kg ao longo do tratamento.

DL

★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.® 

Sobre a autora

### Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250 

Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

1º lugar · FELUMA Aprovada · Einstein (HIAE) 

Caso de sucesso nº 1 da IA M.A.E.S.T.R.O.® — a trajetória de aprovação da Dra. Lara é o primeiro role-model a partir do qual o algoritmo M.A.E.S.T.R.O.® aprende e se calibra (fine-tuning). É o caso 1 de milhares de aprovações que a IA está aprendendo para guiar cada estudante.

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