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title: "Doença Coronariana: Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento · MedMentorIA"
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Preparação • 18 min de leitura • 15 de jun. de 2026 

# Doença Coronariana: Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento

Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

![Doença Coronariana: Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/doenca-coronariana-fatores-risco-sintomas-tratamento.jpg)

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#### Neste artigo

-   [Fisiopatologia da Doença Arterial Coronariana](#fisiopatologia-da-doenca-arterial-coronariana)
-   [Fatores de Risco e Estratificação Cardiovascular](#fatores-de-risco-e-estratificacao-cardiovascular)
-   [Manifestações Clínicas: Da Angina Estável ao Infarto](#manifestacoes-clinicas-da-angina-estavel-ao-infarto)
-   [Síndromes Coronarianas Agudas: Diagnóstico e Classificação](#sindromes-coronarianas-agudas-diagnostico-e-classificacao)
-   [Manejo Terapêutico e Metas de LDL 2026](#manejo-terapeutico-e-metas-de-ldl-2026)
-   [Particularidades: Infarto de VD e DEAC](#particularidades-infarto-de-vd-e-deac)
-   [Conclusão](#conclusao)
-   [Perguntas Frequentes](#perguntas-frequentes)

A doença arterial coronariana (DAC) é causada principalmente pela aterosclerose — um processo inflamatório crônico que obstrui progressivamente as artérias que irrigam o coração. O quadro varia de angina estável silenciosa a infarto agudo com risco imediato de vida, e o diagnóstico depende da combinação de avaliação clínica, ECG em até 10 minutos e marcadores de necrose como a troponina de alta sensibilidade. Entender essa cadeia, da placa instável à reperfusão, é o que diferencia o médico preparado na emergência.

Para quem estuda para residência médica ou para o ENAMED 2026, a DAC concentra um volume desproporcional de questões: estratificação de risco, escores HEART/TIMI/GRACE, metas de LDL, contraindicações à trombólise e particularidades como o infarto de ventrículo direito e a dissecção espontânea de artéria coronária (DEAC). Este guia cobre todos esses tópicos com foco em conduta — exatamente como eles aparecem nas provas e nos plantões.

## Fisiopatologia da Doença Arterial Coronariana

A DAC é uma doença inflamatória crônica que permanece assintomática por décadas, manifestando-se clinicamente apenas quando a obstrução do lúmen arterial supera, em geral, 70%. Conforme estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 300 mil infartos agudos do miocárdio (IAM) ocorrem por ano no Brasil, com taxa de letalidade próxima a 30% — números que reforçam a importância do diagnóstico precoce e do controle agressivo dos fatores de risco.

### A cascata inflamatória da aterosclerose

O processo tem início com uma **lesão endotelial** — um microdano na camada íntima da artéria, desencadeado principalmente por hipertensão arterial, dislipidemia e tabagismo. A lesão permite que partículas de LDL penetrem na parede vascular, onde sofrem oxidação e disparam uma resposta inflamatória: monócitos são recrutados, transformam-se em macrófagos e fagocitam as partículas oxidadas, tornando-se as chamadas **células espumosas**. O acúmulo dessas células forma o núcleo lipídico da placa de ateroma.

Com o tempo, a placa cresce e pode seguir dois caminhos com consequências clínicas distintas:

-   **Placa estável:** espessa capa fibrosa rica em colágeno, núcleo lipídico relativamente pequeno. Cresce lentamente, obstrui o vaso de forma progressiva e causa angina de esforço.
-   **Placa instável:** capa fibrosa fina, núcleo lipídico volumoso e intensa infiltração inflamatória. Altamente vulnerável à ruptura — expõe conteúdo trombogênico ao sangue e pode causar trombose aguda, o mecanismo central do IAM.

### Por que a DAC é clinicamente traiçoeira?

O grande desafio é que os sintomas — tipicamente dor torácica constritiva (angina pectoris) — só aparecem quando a estenose já é hemodinamicamente significativa. Em idosos e diabéticos, o quadro pode ser ainda mais silencioso, com equivalentes isquêmicos inespecíficos ou ausência total de dor, retardando o diagnóstico e agravando o prognóstico.

O cateterismo cardíaco é o padrão-ouro para a avaliação anatômica das coronárias. Os escores de risco populacionais — como o Framingham e o SCORE — estimam a probabilidade de evento cardiovascular em um horizonte de **10 anos** e orientam a prevenção primária.

## Fatores de Risco e Estratificação Cardiovascular

Compreender quais fatores de risco são modificáveis — e como estratificá-los — é o ponto de partida para qualquer decisão terapêutica na DAC. Essa é também uma das áreas mais cobradas em provas de residência e no ENAMED 2026.

### Fatores de risco não modificáveis

São aqueles sobre os quais não há intervenção direta, mas que pesam significativamente na avaliação clínica:

-   **Idade:** homens ≥ 45 anos e mulheres ≥ 55 anos representam faixas de atenção elevada; acima dos 60 anos, o risco de complicações ateroscleróticas severas aumenta de forma expressiva.
-   **Sexo biológico:** homens têm risco cardiovascular mais elevado em faixas etárias jovens; após a menopausa, o risco feminino se equipara ao masculino.
-   **História familiar de DAC precoce:** parente de primeiro grau masculino com evento antes dos 55 anos ou feminino antes dos 65 anos.
-   **Genética e etnia:** determinam predisposição individual à dislipidemia, hipertensão e diabetes.

### Fatores de risco modificáveis

São os alvos prioritários da prevenção e do tratamento:

-   **Hipertensão arterial sistêmica:** a pressão elevada causa lesão endotelial — o gatilho inicial para a formação da placa de ateroma.
-   **Dislipidemia:** o acúmulo e a oxidação do LDL na camada íntima arterial, seguidos do recrutamento de macrófagos, é o mecanismo central da aterosclerose. Para aprofundar o manejo, confira Manejo de Dislipidemias.
-   **Tabagismo:** acelera a lesão endotelial e favorece a ruptura de placas instáveis.
-   **Diabetes mellitus:** neuropatia autonômica pode silenciar a dor torácica, tornando o diagnóstico mais tardio em diabéticos — especialmente idosos.
-   **Obesidade e sedentarismo:** contribuem para resistência insulínica, dislipidemia e hipertensão.
-   **Estresse psicossocial crônico:** associado a piores desfechos cardiovasculares em estudos de coorte.

### Estratificação do risco cardiovascular

A estratificação estima a probabilidade de um evento cardiovascular em determinado período e define a intensidade da intervenção. Dois escores são referência:

**Escore de Risco de Framingham** — estima o risco de eventos coronarianos em **10 anos** a partir de variáveis como idade, sexo, colesterol total, HDL, pressão arterial, tabagismo e diabetes. Classifica os pacientes em risco baixo (< 10%), intermediário (10–20%) ou alto (> 20%).

**SCORE (Systematic Coronary Risk Evaluation)** — desenvolvido pela Sociedade Europeia de Cardiologia, também com horizonte de **10 anos**, mas com foco em eventos cardiovasculares fatais. Utiliza idade, sexo, pressão arterial sistólica, colesterol total e tabagismo. É especialmente útil para identificar candidatos à intervenção farmacológica precoce.

> **Dica para a prova:** questões frequentemente cobram a identificação de fatores modificáveis versus não modificáveis e a interpretação dos escores de risco. Saber que o horizonte padrão é **10 anos** — tanto no Framingham quanto no SCORE — elimina alternativas incorretas com frequência.

## Matriz de Risco Cardiovascular

Representação didática — estratificação clínica deve usar escores validados (Framingham/SCORE/ASCVD)

Fatores de Risco

🟢 Baixo

🟡 Intermediário

🟠 Alto

🔴 Muito Alto

🩺 Hipertensão Arterial

Controlada  
sem outros fatores 

Moderada  
\+ 1 fator 

Elevada  
\+ 2 fatores 

Grave  
ou dano de órgão 

💉 Diabetes Mellitus

DM2 recente  
bem controlado 

DM2 longa evolução  
controle moderado 

DM mal controlado  
\+ fatores adicionais 

DM + complicações  
descompensado 

🚬 Tabagismo

Ex-tabagista  
cessado há > 1 ano 

Fumo leve  
baixa carga tabágica 

Fumo moderado  
carga moderada 

Fumo pesado  
alta carga tabágica 

Risco Baixo (< 10% em 10 anos) 

Risco Intermediário (10–20% em 10 anos) 

Risco Alto (> 20% em 10 anos) 

**⚕️ Nota clínica:** A estratificação deve considerar a combinação de fatores. A presença de múltiplos fatores simultâneos eleva o risco de forma multiplicativa, não apenas aditiva. Sempre avalie o perfil completo do paciente.

## Manifestações Clínicas: Da Angina Estável ao Infarto

A dor torácica é a forma mais conhecida de a doença coronariana se revelar — mas está longe de ser a única. Entender suas variações e saber por que certos grupos "escondem" o infarto com sintomas atípicos é decisivo para o diagnóstico precoce.

### A angina pectoris clássica

Quando pensamos em angina, vem à mente o quadro clássico: dor em aperto ou peso no centro do tórax, com possível irradiação para ombro esquerdo, mandíbula, braços ou dorso. Essa sensação de "pressão" esmagadora — e não uma pontada — associa-se a esforço físico ou estresse emocional e alivia com repouso ou nitratos. Trata-se da **angina estável**, cujo padrão é reprodutível: sintomas semelhantes a cada determinado nível de esforço, com intensidade e duração parecidas.

Na **angina instável**, a dor surge em repouso, é de início recente e apresenta intensidade progressiva — cada episódio mais intenso, mais prolongado ou desencadeado por esforço cada vez menor. Essa é uma síndrome coronariana aguda e demanda avaliação de emergência.

Um detalhe semiológico importante: a dor anginosa geralmente dura **≥ 10 minutos**. Dores torácicas fugazes, de poucos segundos ou isoladas, são menos prováveis de representar isquemia miocárdica significativa — embora não devam ser descartadas sem avaliação adequada.

### Sintomas atípicos e equivalentes isquêmicos

Nem todo paciente segue o roteiro clássico. **Idosos, diabéticos e mulheres** estão entre os grupos que mais frequentemente apresentam formas atípicas. A neuropatia autonômica do diabético, por exemplo, pode silenciar a dor torácica — o paciente sente apenas falta de ar súbita, náuseas, sudorese fria ou desconforto inespecífico, os chamados **equivalentes isquêmicos**. Na prática, um paciente diabético de 70 anos pode infartar apresentando apenas:

-   Dispneia de início súbito
-   Síncope ou pré-síncope
-   Náuseas e vômitos sem causa gastrointestinal aparente
-   Fadiga extrema inexplicada
-   Dor epigástrica mal definida

### Diferenciação rápida: estável vs. instável vs. infarto

Critério

Angina Estável

Angina Instável / IAM

**Gatilho**

Esforço físico ou estresse emocional

Repouso ou esforço mínimo

**Duração da dor**

Geralmente < 20 min; alivia com repouso

≥ 20 min (instável); IAM: ≥ 10 min contínuos

**Nitratos**

Alívio em minutos

Alívio parcial ou ausente

**Padrão**

Reprodutível

Novo, progressivo ou em repouso

**ECG**

Normal ou isquemia transitória

Alterações dinâmicas ou supra de ST

**Marcadores necróticos**

Normais

Elevados no IAM

Essa distinção determina a conduta: a angina estável permite programação ambulatorial, enquanto a angina instável e o cenário isquêmico com dor ≥ 10 minutos de características típicas exigem manejo emergencial.

## Síndromes Coronarianas Agudas: Diagnóstico e Classificação

As síndromes coronarianas agudas (SCA) representam uma das emergências mais críticas da prática clínica. O diagnóstico rápido e sistemático é o que separa um desfecho favorável de uma catástrofe cardiovascular.

### A tríade diagnóstica nas SCA

O diagnóstico de SCA apoia-se em três pilares simultâneos: avaliação clínica, eletrocardiograma e marcadores de necrose miocárdica.

**ECG precoce** — O ECG deve ser obtido em até 10 minutos após a chegada do paciente à emergência, conforme diretrizes internacionais. Ele identifica supradesnivelamento do segmento ST, alterações isquêmicas ou um traçado que pode evoluir dinamicamente. Para uma revisão da interpretação eletrocardiográfica, veja Eletrocardiograma para Iniciantes.

**Protocolo de troponina 0h/1h/3h** — A troponina de alta sensibilidade revolucionou a investigação das SCA. O protocolo 0h/3h (coleta na admissão e após 3 horas) é amplamente utilizado. O algoritmo 0h/1h, quando disponível, permite descartar infarto mais rapidamente, com valor preditivo negativo superior a 99% para a troponina dinâmica — mas sua implementação nacional ainda não tem data oficial confirmada. Na ausência do protocolo de 1 hora, o intervalo de 3 horas permanece como padrão seguro.

### Classificação universal do infarto (5 tipos)

-   **Tipo 1** — Tromboespontâneo por ruptura ou erosão de placa ateromatosa. Cenário clássico do IAMCSST.
-   **Tipo 2** — Isquemia por desbalanço entre oferta e demanda de oxigênio (sepse, taquiarritmias, anemia grave, hipotensão), sem ruptura de placa. O manejo difere: o tratamento antitrombótico agressivo pode ser prejudicial se não houver trombose coronariana.
-   **Tipo 3** — Morte súbita antes da confirmação laboratorial, com sintomas sugestivos de isquemia.
-   **Tipo 4a** — IAM associado a angioplastia coronariana (PCI), com elevação de troponina acima de 5× o percentil 99 associada a evidência clínica, eletrocardiográfica, de imagem ou angiográfica de isquemia.
-   **Tipo 4b** — IAM por trombose de stent.
-   **Tipo 4c** — IAM por reestenose coronariana.
-   **Tipo 5** — Relacionado a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG), com limiar de troponina próprio.

Os tipos 1 e 2 concentram a maior parte das decisões clínicas na emergência e são os mais cobrados em provas.

### Tabela comparativa: Angina Instável, IAMSSST e IAMCSST

Característica

Angina Instável

IAMSSST

IAMCSST

**ECG**

Infra de ST e/ou inversão de T; pode ser normal

Alterações isquêmicas sem supra persistente; pode ser normal

Supra de ST ≥ 1 mm em ≥ 2 derivações contíguas (limiares específicos em V2–V3 variam por sexo e idade)

**Troponina**

Normal ou limítrofe, sem curva dinâmica significativa

Elevada com curva dinâmica (↑ e ↓)

Elevada com curva dinâmica

**Fisiopatologia predominante**

Instabilidade de placa sem necrose (Tipo 1 ou 2)

Oclusão suboclusiva, microembolização ou desbalanço O₂

Oclusão total aguda (ruptura de placa + trombo)

**Risco de morte a curto prazo**

Intermediário a alto (estratificar por HEART, TIMI, GRACE)

Alto conforme estratificação

Muito alto; reperfusão imediata

**Conduta inicial prioritária**

Estratificação urgente; TIMI ≥ 5 ou GRACE > 140 → cateterismo em < 24 h

Estratificação urgente

ECG em até 10 min; reperfusão imediata — angioplastia primária (meta porta-balão ≤ 90 min) ou fibrinólise quando PCI indisponível no tempo-alvo

**Dose de ataque de AAS**

162–300 mg (mastigada)

162–300 mg (mastigada)

162–300 mg (mastigada)

**Meta de LDL (estatina alta potência)**

< 50 mg/dL

< 50 mg/dL

< 50 mg/dL

A dose de ataque de AAS, mastigada para absorção mais rápida, é padrão em todas as formas de SCA e não deve ser adiada. A meta de LDL abaixo de 50 mg/dL com estatinas de alta potência é recomendada pelas diretrizes de prevenção secundária [https://www.gov.br/saude/pt-br](https://www.gov.br/saude/pt-br).

### Escores de estratificação de risco: HEART, TIMI e GRACE

Para o IAMSSST, três escores orientam a tomada de decisão:

-   **HEART** — Avalia História, EKG, Idade, Fatores de risco e Troponina (0–10 pontos). Escore de 0 a 3: baixo risco; a partir de 4: risco intermediário a alto, com indicação de investigação invasiva precoce.
-   **TIMI** — Valores ≥ 5 indicam necessidade de intervenção invasiva precoce (cateterismo em < 24 h).
-   **GRACE** — Valores acima de 140 indicam cateterismo em < 24 h. Pacientes de **muito alto risco** — instabilidade hemodinâmica, arritmias ventriculares ameaçadoras, tamponamento, isquemia recorrente refratária — exigem cateterismo emergencial em < 2 horas, independentemente dos escores.

> **Resumo prático:** HEART > 3 = risco intermediário/alto; TIMI ≥ 5 = intervenção precoce; GRACE > 140 = cateterismo em < 24 h; muito alto risco = cateterismo em < 2 h.

## IAM com Supra vs IAM sem Supra

Comparativo entre os dois tipos de Infarto Agudo do Miocárdio

### IAM com Supra  
(STEMI) 

📊 ECG

Supra de ST ≥ 1 mm em ≥ 2 derivações contíguas (ou BRE novo/presumivelmente novo com critérios de isquemia compatíveis)

🔬 Patologia

Oclusão **total** da artéria coronária por trombo oclusivo

⚡ Reperfusão

URGÊNCIA MÁXIMA

Angioplastia primária em até **90 min**; fibrinólise se PCI indisponível no tempo alvo

### IAM sem Supra  
(NSTEMI) 

📊 ECG

Infra de ST, inversão de T ou ECG normal (troponina elevada)

🔬 Patologia

Oclusão **subtotal** ou intermitente da artéria coronária

⚡ Reperfusão

ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO

Cateterismo precoce em **< 24 h** conforme escore (GRACE/TIMI); muito alto risco: < 2 h

Resumo Comparativo

Janela Terapêutica

**STEMI:** Minutos  
**NSTEMI:** Horas a dias

Conforme diretrizes de síndromes coronarianas agudas vigentes (SBC/ESC).

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## Manejo Terapêutico e Metas de LDL 2026

O tratamento da DAC crônica e da SCA converge para dois eixos principais: redução agressiva do LDL-c e prevenção de eventos trombóticos. As diretrizes mais recentes estabeleceram metas cada vez mais rigorosas, com arsenal terapêutico escalonado para alcançá-las.

### Metas de LDL-c por categoria de risco

Para pacientes de **muito alto risco** — incluindo aqueles com doença aterosclerótica cardiovascular documentada, diabetes associado a outros fatores ou histórico de eventos recorrentes — a meta recomendada é LDL-c **< 50 mg/dL**, combinada a uma redução de pelo menos 50% em relação ao valor basal (conforme Diretriz Brasileira de Dislipidemias da SBC; confirme a meta vigente nos documentos da sociedade no momento da prova).

Categoria de Risco

Meta de LDL-c

Exemplos Clínicos

**Muito alto**

< 50 mg/dL

DAC documentada, AVC aterosclerótico, DM com dano de órgão

**Alto**

< 70 mg/dL

DM sem complicações, HAS com lesão de órgão-alvo, Framingham > 20%

**Intermediário**

< 100 mg/dL

Framingham 10–20% sem DAC estabelecida

**Baixo**

< 130 mg/dL

Framingham < 10%, sem fatores adicionais

Confirme os limiares atualizados no edital oficial e nas diretrizes vigentes da SBC/ESC no momento da prova, pois podem ser revisados a cada novo ciclo.

### Escalada farmacológica: estatinas, Ezetimiba e Inibidores da PCSK9

O tratamento começa com **estatina de alta potência**, capaz de reduzir o LDL-c em 50% ou mais:

-   **Atorvastatina 40–80 mg/dia** — uma das estatinas mais prescritas na SCA e prevenção secundária
-   **Rosuvastatina 20–40 mg/dia** — alternativa com potência semelhante, útil em pacientes com perfil hepático mais sensível
-   **Sinvastatina 40 mg/dia** — estatina de intensidade moderada (redução esperada de LDL-c 30–49%); não equivalente às de alta potência para SCA ou prevenção secundária quando alta intensidade é tolerada

Quando a meta não é atingida com estatina isolada, a **Ezetimiba 10 mg/dia** é o próximo passo. Ela inibe a absorção intestinal do colesterol e proporciona redução adicional de **15–20%** no LDL-c, com excelente perfil de segurança.

Para pacientes que permanecem acima da meta mesmo com estatina de alta potência associada à Ezetimiba, entram os **Inibidores da PCSK9** (Evolocumab e Alirocumab) — anticorpos monoclonais administrados por via subcutânea a cada 2–4 semanas, com redução adicional de **50–60%** no LDL-c. São indicados especialmente em:

-   DAC documentada com LDL-c persistentemente elevado apesar do tratamento otimizado
-   Hipercolesterolemia familiar heterozigótica
-   Intolerância comprovada a estatinas em doses adequadas

### Contraindicações à trombólise

Na SCA com supradesnivelamento de ST (IAMCSST), a trombólise é uma alternativa quando o cateterismo não pode ser realizado em tempo hábil. A avaliação das contraindicações deve ser imediata:

**Contraindicações absolutas:**

-   Hemorragia intracraniana prévia (qualquer tipo)
-   Neoplasia intracraniana conhecida (primária ou metastática)
-   AVC isquêmico nos últimos 3 meses (exceto AVC isquêmico agudo em até 4,5 h)
-   Suspeita de dissecção de aorta
-   Hemorragia ativa ou diátese hemorrágica
-   TCE significativo ou cirurgia intracraniana nos últimos 3 meses

**Contraindicações relativas:**

-   HAS grave não controlada (PAS > 180 mmHg ou PAD > 110 mmHg)
-   AVC isquêmico há mais de 3 meses
-   Sangramento interno ativo nos últimos 2–4 semanas
-   Úlcera péptica ativa
-   Gravidez
-   Punção vascular não compressível nos últimos 7 dias
-   RCP traumática prolongada (> 10 minutos)
-   Cirurgia de grande porte não intracraniana nas últimas 3 semanas (cirurgia intracraniana/intraespinhal é contraindicação absoluta)

A avaliação criteriosa dessas contraindicações antes da administração do trombolítico é essencial e frequentemente cobrada em provas de residência.

### Resumo prático das metas e do arsenal terapêutico

Componente

Detalhe

**Meta LDL-c — Muito alto risco**

< 50 mg/dL (+ redução ≥ 50% do basal)

**Meta LDL-c — Alto risco**

< 70 mg/dL

**Estatina de alta potência**

Atorvastatina 40–80 mg ou Rosuvastatina 20–40 mg/dia

**Redução esperada com estatina**

≥ 50% do LDL-c basal

**Escalada 1**

\+ Ezetimiba 10 mg/dia (redução adicional de 15–20%)

**Escalada 2**

\+ Inibidor da PCSK9 (redução adicional de 50–60%)

**Monitoramento laboratorial**

Perfil lipídico a cada 3–12 meses

## Particularidades: Infarto de VD e DEAC

Dois temas recorrentes em provas de residência exigem atenção diferenciada: o infarto do ventrículo direito (IVD) e a dissecção espontânea de artéria coronária (DEAC). Ambos têm particularidades diagnósticas e terapêuticas que frequentemente aparecem como armadilhas em questões de múltipla escolha.

### Infarto do Ventrículo Direito (IVD)

O IVD ocorre mais frequentemente associado ao infarto de parede inferior do ventrículo esquerdo, sendo a artéria coronária direita (ACD) proximal a principal responsável na maioria dos casos. O VD é menos propenso ao infarto isolado devido à menor massa muscular e à perfusão que ocorre tanto na sístole quanto na diástole — mas quando a oclusão da ACD é proximal, o comprometimento ventricular direito é significativo.

**Diagnóstico: a derivação V4R**

O achado eletrocardiográfico-chave é a elevação do segmento ST ≥ 1 mm em V4R (e possivelmente V4R a V6R), sendo V4R a derivação com maior especificidade diagnóstica para lesão aguda do VD. Sempre que houver infarto de parede inferior, solicitar derivações precordiais direitas é obrigatório — e esse é o tipo de detalhe que as bancas adoram cobrar.

**Tríade clínica clássica**

-   **Hipotensão**
-   **Turgência jugular elevada**
-   **Campos pulmonares limpos**

Essa combinação em um paciente com IAMCSST de parede inferior deve levantar imediatamente a suspeita de acometimento do VD.

**Manejo de volume: a regra de ouro**

O VD infartado depende criticamente da pré-carga para manter o débito cardíaco. A discinesia do VD reduz o enchimento do VE, e o desvio do septo interventricular em direção ao VE diminui ainda mais a complacência e o volume sistólico final do ventrículo esquerdo. Por isso:

-   **Nitrato é contraindicado** — a vasodilatação venosa reduz a pré-carga e pode precipitar hipotensão grave e choque.
-   **Betabloqueadores devem ser evitados no manejo inicial** — podem agravar bradicardia, bloqueio AV e baixo débito.
-   **Opioides/morfina devem ser evitados** — reduzem pré-carga e podem precipitar hipotensão.
-   **Diuréticos devem ser evitados se houver hipovolemia ou hipotensão** — a redução volêmica pode comprometer o enchimento do VD.
-   **Expansão volêmica cautelosa com bolus de cristaloide** — otimiza o enchimento do VD e melhora o débito esquerdo por interdependência ventricular; monitorar sinais de sobrecarga.

Em casos refratários, pode ser necessário suporte inotrópico e, em última instância, assistência circulatória mecânica.

### Dissecção Espontânea de Artéria Coronária (DEAC)

A DEAC é uma causa não aterosclerótica de SCA com destaque crescente nos currículos de residência. Caracteriza-se por hematoma intramural com ou sem ruptura da íntima. O mecanismo **outside-in** — hemorragia espontânea dos vasa vasorum com formação de hematoma intramural — é considerado o mais prevalente, diferenciando-se da ruptura intimal clássica vista na dissecção aórtica.

**Perfil epidemiológico**

Com base em estudos observacionais publicados sobre DEAC, a grande maioria dos casos ocorre no sexo feminino (estimativas variam entre 87% e 95% na literatura), com idade média de apresentação entre 44 e 53 anos. A DEAC é responsável por uma parcela significativa dos infartos agudos em mulheres com menos de 50 anos — tornando-a um diagnóstico diferencial obrigatório nesse perfil. Consulte as referências primárias mais recentes para os percentuais atualizados.

**Associação com displasia fibromuscular**

A displasia fibromuscular está presente em parcela expressiva dos casos de DEAC quando ativamente rastreada (por exemplo, com angiografia de outros territórios vasculares). Diante do diagnóstico de DEAC, a investigação de displasia em artérias renais, carótidas e ilíacas é recomendada pelas diretrizes. A dor torácica é o sintoma predominante em mais de 90% dos pacientes, mimetizando a apresentação típica do infarto aterosclerótico.

**Por que cai em prova?**

A DEAC testa a capacidade do candidato de pensar além da aterosclerose como causa única de SCA. Questões clássicas apresentam mulheres jovens, sem fatores de risco tradicionais, com IAM — e a resposta correta envolve considerar etiologias não ateroscleróticas. Além disso, o manejo difere do infarto convencional: a angioplastia eletiva tem resultados inferiores ao tratamento conservador em muitos casos, e a trombólise é contraindicada pelo risco de extensão da dissecção.

Para aprofundar o entendimento sobre descompensações hemodinâmicas associadas, consulte Insuficiência Cardíaca Aguda.

## Conclusão

A doença arterial coronariana exige uma abordagem que vai muito além do reconhecimento do infarto. Ela começa na prevenção primária — com o controle rigoroso das metas de LDL e o manejo dos fatores de risco modificáveis — e se estende até a excelência no atendimento à SCA, onde cada minuto conta. Dominar essa cadeia completa de conduta, da aterosclerose assintomática à angioplastia primária, é o que diferencia o médico bem preparado tanto na prática clínica quanto nas provas de residência e no ENAMED 2026.

Aprofundar esses protocolos com ferramentas de estudo estruturadas — como as trilhas de aprendizagem da medmentorIA, com questões comentadas alinhadas às ementas do ENAMED e do PROFIMED — aumenta suas chances de transformar esse volume de conhecimento em desempenho real na prova e, principalmente, em segurança para o paciente.

## Perguntas Frequentes

### Qual a dose de ataque do AAS na SCA?

A dose recomendada é de 162 a 300 mg, preferencialmente mastigada para absorção mais rápida e início de ação antiagregante mais imediato. Essa conduta é padrão em todas as formas de SCA (angina instável, IAMSSST e IAMCSST) e não deve ser adiada na sala de emergência.

### O que define um infarto tipo 2?

O infarto tipo 2 é definido por isquemia miocárdica decorrente de um desbalanço entre oferta e demanda de oxigênio, sem instabilidade ou ruptura de placa ateromatosa como mecanismo primário. Exemplos incluem anemia grave, taquiarritmias de alta frequência, sepse com hipotensão grave e espasmo coronariano. O manejo difere do tipo 1: a anticoagulação e a antiagregação agressivas podem ser prejudiciais se não houver trombose coronariana ativa.

### Quando indicar cateterismo em menos de 2 horas?

O cateterismo emergencial em menos de 2 horas é indicado em pacientes de **muito alto risco**, independentemente dos escores HEART, TIMI ou GRACE. Os critérios incluem: instabilidade hemodinâmica ou choque cardiogênico, arritmias ventriculares ameaçadoras à vida (FV ou TV sustentada), tamponamento pericárdico, isquemia recorrente refratária a tratamento clínico otimizado e complicações mecânicas agudas do infarto.

### Quais medicações evitar no infarto de VD?

Devem ser evitados **nitratos, opioides/morfina e betabloqueadores** no manejo inicial, pois reduzem a pré-carga ou o inotropismo — dos quais o VD infartado é criticamente dependente quando há hipotensão, bradicardia/BAV ou baixo débito. Diuréticos também devem ser evitados na presença de hipovolemia ou hipotensão. A conduta é expansão volêmica cautelosa com bolus de cristaloide e reavaliação frequente; excesso de volume pode piorar a dilatação do VD e o débito do VE.

### O que é o fenômeno "outside-in" na DEAC?

O fenômeno "outside-in" descreve o mecanismo mais prevalente da dissecção espontânea de artéria coronária: o sangramento se origina nos vasa vasorum — pequenos vasos que nutrem a parede arterial — e forma um hematoma intramural na camada média da artéria coronária, sem necessidade de ruptura prévia da camada íntima. Esse mecanismo difere da dissecção por ruptura intimal clássica e explica por que a DEAC pode ocorrer mesmo sem aterosclerose significativa.

DL

★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.® 

Sobre a autora

### Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250 

Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

1º lugar · FELUMA Aprovada · Einstein (HIAE) 

Caso de sucesso nº 1 da IA M.A.E.S.T.R.O.® — a trajetória de aprovação da Dra. Lara é o primeiro role-model a partir do qual o algoritmo M.A.E.S.T.R.O.® aprende e se calibra (fine-tuning). É o caso 1 de milhares de aprovações que a IA está aprendendo para guiar cada estudante.

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