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title: "Contabilidade para Médicos: Guia Completo com 11 Dicas · MedMentorIA"
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Preparação • 18 min de leitura • 14 de jun. de 2026 

# Contabilidade para Médicos: Guia Completo com 11 Dicas

Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

![Contabilidade para Médicos: Guia Completo com 11 Dicas](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/contabilidade-medicos-dicas-essenciais.jpg)

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#### Neste artigo

-   [Por que médicos precisam de contabilidade especializada?](#por-que-medicos-precisam-de-contabilidade-especializada)
-   [Regimes tributários para médicos: Simples, Presumido ou Real?](#regimes-tributarios-para-medicos-simples-presumido-ou-real)
-   [Fator R e equiparação hospitalar: como reduzir impostos legalmente](#fator-r-e-equiparacao-hospitalar-como-reduzir-impostos-legalmente)
-   [Livro-caixa e carnê-leão: obrigações do médico autônomo (PF)](#livro-caixa-e-carne-leao-obrigacoes-do-medico-autonomo-pf)
-   [Imposto de Renda para médicos: declarações obrigatórias e deduções](#imposto-de-renda-para-medicos-declaracoes-obrigatorias-e-deducoes)
-   [Separação de contas PF e PJ: o alicerce da saúde financeira](#separacao-de-contas-pf-e-pj-o-alicerce-da-saude-financeira)
-   [Despesas dedutíveis: o que pode ser abatido legalmente](#despesas-dedutiveis-o-que-pode-ser-abatido-legalmente)
-   [Reforma Tributária e o impacto na contabilidade médica em 2026](#reforma-tributaria-e-o-impacto-na-contabilidade-medica-em-2026)
-   [11 dicas essenciais de contabilidade para médicos](#11-dicas-essenciais-de-contabilidade-para-medicos)
-   [Conclusão: contabilidade como investimento na sua carreira](#conclusao-contabilidade-como-investimento-na-sua-carreira)
-   [Perguntas Frequentes](#perguntas-frequentes)

A contabilidade para médicos envolve a escolha entre três regimes tributários — Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real —, o registro rigoroso de receitas e despesas via livro-caixa ou fluxo de caixa, e o cumprimento de obrigações como o carnê-leão (para quem atua como PF) e a DMED (para prestadores PJ). Em 2026, a transição da Reforma Tributária (EC 132/2023) exige atenção redobrada de todo profissional de saúde com CNPJ ativo: as regras ainda estão sendo regulamentadas e podem impactar diretamente sua carga fiscal.

A boa notícia é que você não precisa ser especialista em finanças para manter a casa em ordem. Com as orientações certas — e um contador com experiência no setor de saúde ao seu lado —, é possível pagar menos impostos dentro da lei, evitar autuações e construir uma carreira médica financeiramente sustentável. Este guia reúne tudo o que você precisa saber, incluindo um checklist com 11 dicas aplicáveis imediatamente, independentemente do estágio da sua carreira.

## Por que médicos precisam de contabilidade especializada?

A contabilidade especializada para médicos não é um luxo — é uma necessidade prática que impacta diretamente sua renda líquida e sua segurança fiscal. Médicos que atuam como pessoa jurídica precisam escolher entre três regimes tributários distintos, manter registro rigoroso de todas as entradas e saídas financeiras e cumprir obrigações como o carnê-leão — recolhimento mensal obrigatório de imposto sobre rendimentos de pessoa física — e a DMED (Declaração de Serviços Médicos e da Área da Saúde). Em 2026, o cenário fica ainda mais complexo com a transição da Reforma Tributária, exigindo atenção redobrada de todo profissional de saúde com CNPJ ativo. [planejamento-de-carreira-medica-por-onde-comecar](/blog/carreira-medica-alem-da-medicina-tradicional)

Essa necessidade, porém, colide com uma realidade que todo profissional de saúde conhece: **a formação médica no Brasil simplesmente não ensina gestão financeira**. Enquanto residências e faculdades preparam médicos com excelência técnica, raramente oferecem qualquer orientação sobre impostos, obrigações tributárias ou estruturação societária. O resultado é uma lacuna que afeta desde recém-formados abrindo o primeiro CNPJ até profissionais experientes faturando em hospitais privados. E atenção: médicos **não podem se cadastrar como MEI (Microempreendedor Individual)**, o que elimina a opção de formalização mais simples disponível para outras categorias profissionais.

O impacto fiscal concreto é significativo. No regime do Lucro Presumido, a alíquota de presunção de lucro para serviços médicos é de **32%** do faturamento bruto, com limite anual de enquadramento de até **R$ 78 milhões** por ano. Na prática, o percentual médio de tributação mensal para médicos varia entre **13,33% e 16,66%**, dependendo da composição de receitas e da estrutura societária adotada — e esses números podem mudar conforme avança a implementação da Reforma Tributária. [https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/reforma-tributaria](https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/reforma-tributaria)

Por isso, buscar um contador especializado em saúde não é apenas recomendável — é a forma mais eficiente de garantir que toda a complexidade burocrática fique nas mãos certas, liberando você para focar no que realmente importa: cuidar dos seus pacientes e construir uma carreira sustentável.

## Regimes tributários para médicos: Simples, Presumido ou Real?

A escolha do regime tributário é uma das decisões financeiras mais impactantes para médicos que atuam como Pessoa Jurídica. Ela determina quanto do seu faturamento vai para os cofres públicos e quais obrigações você precisa cumprir ao longo do ano — e é feita anualmente, o que significa que uma decisão mal avaliada pode custar dezenas de milhares de reais em impostos desnecessários.

No Brasil, médicos PJ podem optar por três regimes principais: **Simples Nacional**, **Lucro Presumido** e **Lucro Real**. Cada um tem regras específicas de enquadramento, alíquotas e obrigações acessórias. A melhor opção depende do seu faturamento, estrutura de custos e planejamento de longo prazo.

### Simples Nacional: simplicidade para quem fatura até R$ 4,8 milhões

O Simples Nacional costuma ser a opção mais vantajosa para empresas com receita bruta anual de até **R$ 4,8 milhões**. Ele unifica o pagamento de tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia (DAS), simplificando bastante a rotina fiscal.

As alíquotas variam conforme o Anexo de enquadramento e o **Fator R** (razão entre folha de pagamento e faturamento). Para serviços médicos, a tributação pode começar em **6% no Anexo III**, quando o Fator R é igual ou superior a 28%, podendo chegar a **15,5% no Anexo V** quando a proporção da folha é menor.

**Principais características:**

-   Limite de faturamento anual: R$ 4,8 milhões
-   Alíquotas: de 6% a 15,5%, conforme Anexo e Fator R
-   Pagamento unificado em guia única (DAS)
-   Menor complexidade nas obrigações acessórias
-   Indicado para clínicas menores e profissionais em início de carreira

### Lucro Presumido: o regime mais comum entre médicos

No Lucro Presumido, o governo presume qual foi o lucro da empresa com base na atividade exercida. Para serviços médicos, a presunção é de **32% sobre a receita bruta**. Sobre esse valor presumido, incide o IRPJ de 15% mais a CSLL de 9%, resultando em uma alíquota efetiva que pode variar entre **13,33% e 16,66%** sobre a receita bruta, dependendo da composição tributária mensal.

**Principais características:**

-   Limite de faturamento anual: até R$ 78 milhões
-   Presunção de lucro: 32% sobre receita bruta de serviços médicos
-   Alíquota efetiva: entre 13,33% e 16,66% sobre a receita bruta
-   Obrigatório para empresas que não se enquadram no Simples e faturam abaixo do limite do Lucro Real

### Lucro Real: obrigatório para grandes faturamentos

O Lucro Real é obrigatório para empresas com receita bruta anual superior a **R$ 78 milhões**. O imposto é calculado sobre o lucro efetivo — receitas menos despesas operacionais comprovadas, como aluguel, folha de pagamento, equipamentos e insumos.

**Principais características:**

-   Obrigatório para faturamento acima de R$ 78 milhões/ano
-   IRPJ: 15% sobre o lucro real + adicional de 10% sobre parcela que excede R$ 60 mil por trimestre
-   CSLL: 9% sobre o lucro real
-   Permite dedução ampla de despesas operacionais
-   Exige contabilidade detalhada e obrigações acessórias mais complexas
-   Pode ser vantajoso para clínicas com alto volume de despesas dedutíveis

### Tabela comparativa dos três regimes tributários

Critério

Simples Nacional

Lucro Presumido

Lucro Real

**Limite de faturamento**

Até R$ 4,8 mi/ano

Até R$ 78 mi/ano

Acima de R$ 78 mi/ano (obrigatório)

**Alíquota efetiva**

6% a 15,5% (serviços médicos)

13,33% a 16,66% sobre receita bruta

Variável (depende do lucro efetivo)

**Base de cálculo**

Receita bruta

32% da receita (presunção)

Lucro efetivo (receitas – despesas)

**Obrigações acessórias**

DAS único

DCTF, ECD, ECF

DCTF, ECD, ECF, SPED

**Perfil ideal**

Clínicas pequenas e profissionais iniciantes

Médicos com faturamento moderado e estrutura enxuta

Grandes clínicas e hospitais com alta dedução de despesas

**Complexidade**

Baixa

Média

Alta

### Como comparar os regimes na prática

Não existe um regime universalmente melhor — a escolha depende do perfil financeiro de cada profissional. Para a mesma receita bruta, os valores efetivos de tributo variam conforme o Fator R (no Simples), a composição de PIS/COFINS/ISS (no Presumido) e o volume de despesas dedutíveis (no Real). Simule os três cenários com seu contador, que poderá calcular a alíquota efetiva real para o seu perfil, inclusive considerando as faixas progressivas do Simples Nacional e o adicional de IRPJ de 10% sobre parcelas que excedem o limite trimestral no Lucro Real. O planejamento tributário anual com apoio contábil especializado é a ferramenta que permite identificar a opção mais vantajosa para o seu caso concreto.

A Receita Federal disponibiliza orientações atualizadas sobre cada regime no seu portal oficial. [https://www.gov.br/receitafederal/pt-br](https://www.gov.br/receitafederal/pt-br)

## ⚖️ Regimes Tributários para Médicos

Comparativo: Simples Nacional vs Lucro Presumido vs Lucro Real

Critério

Simples Nacional

Lucro Presumido

Lucro Real

💰 Limite de Faturamento

Até R$ 4,8 mi/ano

Até R$ 78 mi/ano

Sem limite

📊 Alíquota Efetiva

6% a 15,5%\*

13,33% a 16,66%

IRPJ 15% + CSLL 9% sobre lucro

📋 Obrigações Acessórias

DAS único

DCTF, ECD, ECF

DCTF, ECD, ECF, SPED

✅ Perfil Ideal

Clínicas pequenas e autônomos

Clínicas médias com margem alta

Grandes hospitais e redes

🏥 Exemplo Médico

Consultório individual

Clínica com 5+ especialidades

Hospital ou holding médica

6%

Alíquota mínima para serviços médicos  
**Simples Nacional (Anexo III)**

13,33%

Alíquota efetiva mínima  
**Lucro Presumido**

24%

IR+CSLL mínimos sobre lucro  
**Lucro Real**

**💡 Dica:** A escolha do regime tributário pode representar diferenças expressivas na carga de impostos anual. Simule os três cenários com um contador especializado em saúde antes de decidir. _\*Alíquotas do Simples Nacional para serviços médicos enquadrados nos Anexos III e V; valores variam conforme faixa de faturamento e Fator R._

## Fator R e equiparação hospitalar: como reduzir impostos legalmente

Dois mecanismos legais podem reduzir significativamente a carga tributária de clínicas médicas, mas são frequentemente ignorados por profissionais que estão começando a estruturar seus negócios: o **Fator R** no Simples Nacional e a **equiparação hospitalar** no Lucro Presumido. Ambos exigem análise criteriosa com contador especializado, mas o potencial de economia justifica a atenção.

### O que é o Fator R e como ele funciona?

O Fator R é um cálculo que relaciona a folha de pagamento (incluindo pró-labore, INSS e FGTS) com a receita bruta da empresa nos últimos 12 meses. Quando essa razão é igual ou superior a **28%**, a clínica é enquadrada no **Anexo III** do Simples Nacional, com alíquota inicial de **6%**. Caso contrário, cai no **Anexo V**, com alíquota inicial de **15,5%**.

A fórmula é simples:

> **Fator R = (Folha de pagamento dos últimos 12 meses ÷ Receita bruta dos últimos 12 meses) × 100**

**Exemplo prático:** imagine uma clínica com receita bruta anual de R$ 600.000 e folha de pagamento (pró-labore + encargos) de R$ 180.000 no mesmo período. O cálculo seria: (180.000 ÷ 600.000) × 100 = **30%**. Como o resultado supera 28%, a clínica enquadra-se no Anexo III, com alíquota inicial de 6% — contra 15,5% do Anexo V. A diferença tributária pode ser expressiva dependendo da faixa de faturamento; simule com seu contador.

Na prática, isso significa que clínicas que investem mais em equipe e remuneração tendem a pagar proporcionalmente menos impostos. Estruturar o pró-labore de forma estratégica, dentro dos limites legais, é uma das formas mais eficazes de ativar o Fator R.

### Equiparação hospitalar: quando a clínica pode pagar menos IRPJ e CSLL

A equiparação hospitalar é um benefício fiscal previsto na legislação do Lucro Presumido que permite a clínicas que realizam serviços de internação reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em vez da presunção padrão de **32%** da receita bruta, a presunção cai para **8%** (IRPJ) e **12%** (CSLL) sobre a receita de serviços hospitalares.

Os critérios para usufruir desse benefício incluem:

-   A clínica precisa realizar efetivamente serviços de internação, com estrutura adequada de leitos e suporte
-   É necessário enquadramento como entidade hospitalar perante a Receita Federal
-   A contabilidade deve segregar claramente as receitas de serviços hospitalares das demais atividades
-   A análise deve ser feita caso a caso por contador especializado em direito tributário médico

A diferença é expressiva: enquanto uma clínica de consultórios paga sobre 32% da receita como lucro presumido, uma clínica com internação pode ter essa base reduzida drasticamente, gerando economia real de IRPJ e CSLL.

### Pontos de atenção antes de implementar qualquer estratégia

-   **Nenhuma dessas estratégias é automática** — ambas exigem planejamento prévio e acompanhamento contábil especializado
-   O Fator R deve ser recalculado a cada 12 meses; a empresa pode migrar entre Anexos conforme a relação folha/receita oscila
-   A equiparação hospitalar exige documentação robusta e estrutura comprovada de serviços de internação
-   Erros de enquadramento podem gerar autuações e multas, anulando qualquer economia pretendida
-   A reavaliação fiscal deve ser feita anualmente ou sempre que houver mudança relevante no faturamento ou na estrutura da clínica

Conhecer as nuances de cada regime é o que separa médicos que pagam impostos em excesso dos que otimizam legalmente sua carga fiscal. A medmentorIA oferece conteúdos de planejamento de carreira que incluem noções de gestão financeira médica, ajudando médicos em formação a se prepararem para esses desafios tributários desde a residência.

## Livro-caixa e carnê-leão: obrigações do médico autônomo (PF)

O livro-caixa é o instrumento central da gestão tributária de um médico autônomo. Nele, você registra absolutamente tudo o que entra e sai do consultório: honorários recebidos de pacientes, pagamentos de aluguel, compra de materiais, salários de funcionários — sem exceção. Para médicos pessoa física, **não é necessário nenhum registro formal na Receita Federal ou em cartórios** para manter o livro-caixa: basta um controle organizado, seja em planilha ou sistema, que permita a correta apuração mensal dos rendimentos.

É justamente essa apuração que alimenta o **carnê-leão**, o programa da Receita Federal para recolhimento mensal do Imposto de Renda sobre rendimentos recebidos de pessoa física. Se você atende pacientes particulares diretamente (o pagamento vem de PF), o carnê-leão é obrigatório sempre que seus rendimentos tributáveis ultrapassam o limite de isenção. Em 2024, esse limite era de **R$ 1.903,98 por mês** (Receita Federal, 2024); para 2025 e 2026, os valores atualizados devem ser confirmados no portal oficial da RFB antes de apurar.

Vale destacar: **a bolsa de residência médica é considerada rendimento isento** pela Receita Federal. Isso significa que, durante a residência, esse valor não entra no cálculo do carnê-leão. Porém, se você já atende como autônomo paralelamente, esses honorários seguem a regra normal e precisam ser lançados.

As alíquotas do IR no carnê-leão são progressivas e podem chegar a **27,5%** sobre a parcela mais alta do rendimento, além da contribuição ao INSS de 20% sobre os rendimentos de trabalho autônomo — até o teto previdenciário vigente (verifique o valor atualizado no portal do Ministério da Previdência Social). O imposto apurado deve ser recolhido via **DARF** com vencimento até o **último dia útil do mês seguinte** ao fato gerador. Atraso gera multa e juros — coloque no calendário.

**Passo a passo para preencher o carnê-leão web:**

1.  Acesse o portal e-CAC da Receita Federal com sua conta Gov.br
2.  No menu, localize "Meu Imposto de Renda" e selecione "Carnê-Leão"
3.  Escolha o mês de competência e informe todos os rendimentos recebidos de pessoa física no período
4.  Lance as despesas dedutíveis (aluguel, materiais, salários de funcionários, contador — desde que comprovadas e diretamente ligadas à atividade)
5.  O sistema calcula automaticamente o imposto devido com base na tabela progressiva
6.  Emita o DARF e efetue o pagamento até o último dia útil do mês seguinte

Um erro comum que custa caro: **misturar contas pessoais com as do consultório**. Mantenha uma conta bancária exclusiva para a atividade médica e registre cada movimentação. Essa separação rigorosa evita questionamentos da Receita e simplifica toda a sua vida tributária.

Para orientações oficiais atualizadas sobre carnê-leão e DMED, consulte diretamente o portal da Receita Federal. [https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/carne-leao](https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/carne-leao)

## Imposto de Renda para médicos: declarações obrigatórias e deduções

Para médicos, o Imposto de Renda não é apenas uma obrigação anual — é um campo minado de detalhes que varia conforme o modelo de atuação. Se você é PJ, precisa fazer **duas declarações** separadas: uma da empresa e outra como pessoa física.

### Duas declarações, duas realidades

Quando o médico é PJ, a tributação se divide em duas frentes. Na **declaração da pessoa jurídica**, informam-se a receita bruta e as despesas do CNPJ. Já na **declaração de pessoa física**, entram o pró-labore recebido da empresa, aluguéis, investimentos e todos os bens e direitos do ajuste anual. Ignorar uma dessas frentes é o caminho mais rápido para cair na malha fina.

### Modelo simplificado versus modelo completo

Na hora de declarar como PF, você tem dois caminhos. O **modelo simplificado** aplica um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a **R$ 16.754,34** (Receita Federal, exercício 2025/ano-calendário 2024). Prático, mas nem sempre vantajoso. O **modelo completo** permite deduzir item a item gastos com saúde, educação, dependentes, contribuições previdenciárias e pagamentos a outros profissionais — e costuma compensar para quem tem muitas deduções legítimas. Simule ambos antes de entregar.

### Tabela progressiva do IR — referência 2025

A tabela abaixo reflete os valores em vigor para o exercício de 2025 (ano-calendário 2024), conforme a Receita Federal. A tabela definitiva para o exercício de 2026 (ano-calendário 2025) **ainda não foi publicada oficialmente**; utilize os valores abaixo apenas como referência e confirme no portal da RFB antes de apurar.

Base de cálculo mensal (R$)

Alíquota

Parcela a deduzir (R$)

Até 2.259,20

Isento

—

2.259,21 a 2.826,65

7,5%

169,44

2.826,66 a 3.751,05

15%

381,44

3.751,06 a 4.664,68

22,5%

662,77

Acima de 4.664,68

27,5%

896,00

_Fonte: Receita Federal, tabela progressiva mensal — exercício 2025, ano-calendário 2024. Confirme valores atualizados para 2026 no portal oficial._

### Prazos fiscais obrigatórios — referência 2026

Os prazos abaixo são baseados no padrão histórico e/ou em informações disponíveis até a data de publicação deste artigo. **Datas futuras são previstas/não confirmadas** — consulte sempre o edital oficial da Receita Federal para confirmação.

Obrigação

Prazo habitual

Observação

Carnê-leão (mensal)

Último dia útil do mês seguinte

Obrigatório para rendimentos de PF acima do teto de isenção

DMED 2026 (ano-ref. 2025)

Previsto: fevereiro/2026 — não confirmado

Obrigatória para todas as empresas prestadoras de serviços de saúde

DIRPF 2026 (ano-cal. 2025)

Previsto: março–abril/2026 — não confirmado

Prazo oficial a ser divulgado pela RFB

DAS (Simples Nacional)

Dia 20 de cada mês

Pagamento mensal unificado

_Confirme todas as datas no portal oficial da Receita Federal antes de planejar sua agenda fiscal._

### Bolsa de residência: como declarar

**A bolsa de residência médica é rendimento isento** de Imposto de Renda. Mesmo assim, precisa ser declarada na ficha "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis", linha 14, sob o código "02 — Bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação". Residentes devem solicitar o informe de rendimentos da instituição para preencher corretamente (Receita Federal, 2025).

### Documentos: guarda mínima de 5 anos

A Receita Federal pode exigir comprovação de qualquer dado declarado por um período de **no mínimo 5 anos** a partir do exercício de referência. Isso inclui recibos de consultas, notas fiscais, extratos de carnê-leão e informes de rendimentos. Organização digitalizada é sua melhor defesa em caso de fiscalização.

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## Separação de contas PF e PJ: o alicerce da saúde financeira

Se você ainda usa a mesma conta bancária para pagar o aluguel do consultório e a mensalidade da escola dos filhos, saiba que esse é um dos erros mais comuns — e mais prejudiciais — na gestão financeira médica. A separação rigorosa entre contas de pessoa física e pessoa jurídica não é um capricho contábil: é o alicerce sobre o qual toda a saúde financeira da sua clínica é construída.

### Por que misturar contas é um risco real

Quando entradas e saídas pessoais e profissionais dividem a mesma conta, três problemas surgem quase imediatamente:

1.  **Dificuldade de apuração tributária**: sem clareza sobre o que é receita do consultório e o que é despesa pessoal, o cálculo de impostos fica impreciso — você pode pagar mais do que deveria ou, ao pagar menos, correr risco de autuações
2.  **Risco em fiscalizações**: a Receita Federal e as secretarias municipais esperam ver uma fronteira clara entre PF e PJ; a mistura de movimentações levanta suspeitas mesmo quando não há irregularidade
3.  **Perda de visibilidade do negócio**: sem saber exatamente quanto o consultório gera de lucro, qualquer decisão de investimento, contratação ou expansão passa a ser um chute

### Pró-labore versus distribuição de lucros: entenda a diferença

O **pró-labore** é a remuneração mensal do sócio pelo trabalho prestado — equivale, na prática, ao seu "salário" como médico que atua na própria empresa. Ele tem incidência de INSS e Imposto de Renda na fonte, e o valor deve ser compatível com o mercado. Já a **distribuição de lucros** é a parcela do resultado líquido que excede o pró-labore. Para empresas no Lucro Presumido, essa distribuição é isenta de IR e INSS — o que a torna uma forma eficiente de remuneração adicional.

Definir um pró-labore adequado — nem inflado a ponto de gerar tributos desnecessários, nem subdimensionado a ponto de atrair fiscalização — é uma das decisões que mais impactam sua carga tributária anual.

### Ferramentas práticas para manter a disciplina

**Softwares de gestão financeira** permitem categorizar automaticamente entradas e saídas, gerar relatórios de DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) e integrar com a contabilidade do seu escritório. O ideal é manter ao menos duas contas bancárias — uma exclusiva da PJ e outra da PF — e programar a transferência do pró-labore em data fixa, como um pagamento de folha.

### A regra 50-35-15 como referência de organização

Para quem busca um ponto de partida simples, a **regra 50-35-15** oferece um roteiro claro: destine 50% da receita líquida do consultório para **gastos fixos** (aluguel, salários de equipe, energia, software), 35% para **gastos variáveis** (material de consumo, congressos, manutenção de equipamentos) e reserve 15% para **poupança e investimentos** — seja para reserva de emergência, seja para crescimento da clínica. Essa proporção não é rígida e deve ser ajustada à realidade de cada profissional, mas funciona como um diagnóstico rápido: se os gastos fixos já consomem mais da metade da receita, há um sinal de alerta sobre a sustentabilidade do negócio.

## Despesas dedutíveis: o que pode ser abatido legalmente

Saber exatamente quais despesas podem ser abatidas é o que separa um médico que paga imposto a mais do que deveria de quem otimiza a carga tributária dentro da legalidade. A Receita Federal permite a dedução de diversas categorias, mas cada uma tem regras específicas — e a documentação comprobatória é o que sustenta tudo.

**Aluguel do consultório:** o valor mensal do aluguel é integralmente dedutível, desde que o espaço seja efetivamente utilizado para o exercício profissional.

**Folha de pagamento de funcionários:** salários, pró-labore de sócios, INSS patronal, FGTS e benefícios como vale-transporte e plano de saúde dos colaboradores podem ser abatidos.

**Materiais médicos e hospitalares:** luvas, seringas, medicamentos de uso no consultório, materiais de esterilização e insumos em geral entram como despesa operacional. O registro deve ser feito com nota fiscal em nome do profissional ou da pessoa jurídica.

**Equipamentos médicos e depreciação:** equipamentos como aparelhos de ultrassom, raio-X e autoclaves não são deduzidos de uma vez — sofrem depreciação ao longo da vida útil. A Receita Federal estabelece taxas anuais de depreciação conforme o tipo de bem (por exemplo, equipamentos de informática: 20% ao ano; máquinas e equipamentos em geral: 10%).

**Cursos de atualização e congressos:** congressos médicos, cursos de especialização e publicações técnicas são dedutíveis, respeitando o limite anual de deduções com educação estabelecido pela Receita Federal para o exercício vigente — consulte o valor atualizado no portal oficial.

**Serviços de contabilidade:** a mensalidade do contador que cuida da sua declaração e do livro-caixa é integralmente dedutível.

**Softwares de gestão e prontuário eletrônico:** sistemas de agendamento, prontuários eletrônicos, plataformas de telemedicina e ferramentas de gestão de consultório são despesas operacionais legítimas.

**Despesas de infraestrutura:** energia elétrica, água, internet, telefone e condomínio do espaço clínico são dedutíveis na proporção do uso profissional. Se o consultório funciona dentro da residência do médico, é necessário ratear as despesas entre uso pessoal e profissional.

### Livro-caixa (PF) vs. Lucro Real (PJ): diferença crucial

Para médicos autônomos que atuam como pessoa física, o livro-caixa permite deduzir apenas as despesas **diretamente relacionadas à atividade profissional**. Cada gasto precisa ter nexo claro com o exercício da medicina. Já no regime de Lucro Real para pessoa jurídica, **todas as despesas operacionais** podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sem a necessidade de vinculação individualizada tão restritiva.

### A regra de ouro: documentação comprobatória

Não adianta ter despesas legítimas se a documentação não estiver em dia. Notas fiscais, recibos com CPF/CNPJ, contratos de aluguel, comprovantes de pagamento de funcionários e extratos bancários organizados são indispensáveis. A Receita Federal cruza dados automaticamente — qualquer inconsistência pode gerar malha fina.

> **Dica prática:** organize as despesas por categoria desde janeiro. Separar notas fiscais de equipamentos, materiais, infraestrutura e educação ao longo do ano evita a corrida desesperada em março e reduz o risco de esquecer deduções legítimas.

## Reforma Tributária e o impacto na contabilidade médica em 2026

Em 2026, a Reforma Tributária (EC 132/2023) está em fase de transição, mas ainda sem regulamentação completa para o setor de saúde. Isso significa que nenhum médico PJ ou dono de clínica pode afirmar com segurança quais serão as alíquotas definitivas sobre seus serviços.

### O que muda: do sistema atual para o modelo de IVA dual

O sistema tributário brasileiro está substituindo gradualmente PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois novos tributos:

-   **CBS** (Contribuição sobre Bens e Serviços) — federal
-   **IBS** (Imposto sobre Bens e Serviços) — estadual e municipal

Juntos, formam o modelo de IVA dual. Para serviços de saúde, a Constituição previu a possibilidade de **alíquota reduzida ou regime diferenciado** — mas detalhes como o percentual exato e as regras de transição ainda não foram confirmados oficialmente em 2026 (previsto/não confirmado).

### O que o médico PJ precisa fazer agora

Embora as alíquotas finais do IVA para serviços de saúde ainda não estejam definidas, já é possível agir:

-   **Acompanhar o calendário de transição**: o cronograma prevê fases progressivas de implementação; fique atento às publicações do Congresso Nacional e da Receita Federal
-   **Manter seu contador próximo**: a escolha entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real continua valendo durante a transição
-   **Atualizar seu planejamento tributário anualmente**: o ideal é fazer reavaliação sempre que houver mudança legislativa ou alteração significativa no faturamento
-   **Não tomar decisões com base em especulações**: com a regulamentação ainda em andamento, aguarde as definições finais antes de reestruturar CNPJ, alterar regime tributário ou abrir novas filiais

O cenário regulatório tende a se consolidar nos próximos períodos, à medida que o Congresso Nacional aprove leis complementares. Médicos que mantiverem uma contabilidade organizada e um contador atualizado estarão em posição muito mais confortável quando vierem as definições finais — sem sustos, sem multas e com margem para decisões tributárias inteligentes.

## 11 dicas essenciais de contabilidade para médicos

A contabilidade médica não precisa ser um bicho de sete cabeças. Com organização e as orientações certas, você consegue manter suas finanças em dia, pagar menos impostos dentro da lei e construir uma carreira financeiramente sustentável. Confira o checklist completo:

**1\. Separe contas PF e PJ desde o início**

Essa é a regra de ouro. Misturar despesas pessoais com as do consultório é o erro mais comum — e mais prejudicial — que um médico pode cometer. Abra uma conta bancária exclusiva para a PJ e use-a apenas para receitas e despesas profissionais. [como-organizar-a-rotina-de-estudos-na-residencia-medica](/blog/plano-estudos-residencia-medica-guia-estrategico-2026)

**2\. Contrate um contador especializado em saúde**

Médicos não podem se cadastrar como MEI e enfrentam particularidades tributárias — como o Fator R, a DMED e o carnê-leão — que exigem conhecimento específico. O investimento se paga em economia fiscal.

**3\. Mantenha o livro-caixa atualizado**

Registre consultas recebidas, repasses de convênios, despesas com materiais, aluguel e salários. Softwares de gestão automatizam esse processo e reduzem falhas humanas.

**4\. Preencha o carnê-leão mensalmente**

Se você atende pacientes como pessoa física, o carnê-leão é obrigatório sempre que o rendimento mensal ultrapassar o teto de isenção vigente (confirme o valor atualizado na Receita Federal). A alíquota pode chegar a 27,5%, e o recolhimento em atraso gera multa de 20% mais juros.

**5\. Avalie o regime tributário anualmente**

Reavalie Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real com apoio do seu contador — especialmente quando houver mudança significativa no faturamento.

**6\. Calcule o Fator R antes de optar pelo Simples Nacional**

O Fator R determina se sua empresa se enquadra no Anexo III (6%) ou no Anexo V (15,5%) do Simples Nacional. Ignorar esse cálculo pode custar caro.

**7\. Documente todas as despesas com notas fiscais**

Toda despesa dedutível precisa de comprovante fiscal válido: materiais, equipamentos, aluguel, softwares, cursos. Despesas sem nota fiscal não podem ser abatidas.

**8\. Defina um pró-labore realista**

Equilibre um pró-labore compatível com suas necessidades pessoais e distribua o excedente como lucros e dividendos, que são isentos de IR para a pessoa física — dentro das regras do regime tributário adotado.

**9\. Guarde documentos fiscais por 5 anos**

A Receita Federal pode exigir comprovação de declarações e lançamentos fiscais por até 5 anos. Digitalize tudo e mantenha backups seguros.

**10\. Faça reserva de emergência antes de investir**

Monte uma reserva equivalente a 6–12 meses de despesas fixas em ativos de liquidez diária e baixo risco antes de pensar em investimentos mais arrojados.

**11\. Acompanhe as mudanças da Reforma Tributária**

Mantenha-se atualizado com fontes confiáveis e reavalie seu planejamento tributário sempre que houver novidade legislativa relevante para o setor de saúde.

* * *

**Priorização por fase da carreira:** Se você é **residente** ou está no início, foque nas dicas 1, 3, 4 e 9 — são a base que sustenta tudo o que vem depois. Para médicos **estabelecidos** com consultório ou clínica, as dicas 2, 5, 6, 8 e 11 geram maior impacto financeiro imediato. A dica 10 (reserva de emergência) é universal e inegociável, independentemente da fase.

## 11 Dicas Essenciais de Contabilidade para Médicos

Checklist completo para organizar suas finanças e crescer com segurança

1 

### Separe Pessoa Física e Jurídica

Mantenha contas bancárias e gastos pessoais totalmente separados dos profissionais.

2 

### Contador Especializado em Saúde

Profissional com experiência no setor médico identifica deduções que outros deixam passar.

3 

### Livro-Caixa em Dia

Registre cada entrada e saída do consultório — sem exceção.

4 

### Carnê-Leão Todo Mês

Antecipe o IR mensal e evite multas de 20% sobre o valor em atraso.

5 

### Avalie o Regime Tributário Todo Ano

Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real: reavalie a cada mudança de faturamento.

6 

### Calcule o Fator R

Folha ≥ 28% da receita = Anexo III (6%). Ignorar pode custar caro.

7 

### Documente com Notas Fiscais

Sem comprovante fiscal válido, a despesa não pode ser deduzida.

8 

### Defina um Pró-labore Realista

Equilibre remuneração e distribuição de lucros (isenta de IR para PF).

9 

### Guarde Documentos por 5 Anos

A RFB pode exigir comprovação a qualquer momento dentro desse prazo.

10 

### Reserva de Emergência Primeiro

6–12 meses de despesas fixas em ativos de liquidez diária antes de investir.

11 

### Acompanhe a Reforma Tributária

Regras ainda em transição: reavalie seu planejamento fiscal a cada novidade legislativa.

💡 Dica Final

Comece implementando uma dica por semana. Em 11 semanas, sua contabilidade estará totalmente organizada!

## Conclusão: contabilidade como investimento na sua carreira

Ao longo deste guia, ficou claro que a contabilidade especializada não é um custo — é o investimento que sustenta a sua carreira médica a longo prazo. Três pilares resumem tudo o que você precisa priorizar: **escolher o regime tributário adequado** (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real), **manter a organização rigorosa de receitas e despesas** e **acompanhar de perto as mudanças legislativas**, especialmente a transição da Reforma Tributária.

O primeiro passo é simples: separe as contas de pessoa física e pessoa jurídica e busque um contador com experiência em saúde. Se você ainda está na residência, comece a se preparar agora — quanto antes você construir essa base, mais tranquila será a sua trajetória como profissional autônomo ou sócio de clínica. A medmentorIA está aqui para ajudar você a organizar sua rotina de estudos e planejamento de carreira com conteúdos práticos e atualizados.

## Perguntas Frequentes

### Posso ser MEI como médico?

Não. Médicos são considerados profissionais liberais e estão vedados de se enquadrar como MEI (Microempreendedor Individual). A alternativa mais comum é abrir uma Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) ou uma sociedade com outros sócios, podendo optar pelo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real conforme o faturamento.

### Qual a diferença entre carnê-leão e livro-caixa?

São instrumentos complementares, não substitutos. O **livro-caixa** é o registro de todas as entradas e saídas do consultório — base para apurar receitas e despesas. O **carnê-leão** é o programa da Receita Federal usado mensalmente para calcular e recolher o IR sobre rendimentos recebidos diretamente de pessoa física. O livro-caixa alimenta o carnê-leão com os dados necessários para o cálculo do imposto.

### Como funciona a equiparação hospitalar e quem pode usar?

Clínicas que realizam efetivamente serviços de internação podem solicitar equiparação hospitalar perante a Receita Federal. Com isso, a base de presunção de lucro para IRPJ cai de 32% para 8%, e para CSLL de 32% para 12%, reduzindo significativamente a carga tributária. O benefício exige estrutura comprovada de leitos e suporte de internação, segregação contábil das receitas hospitalares e análise caso a caso por contador especializado.

### Qual o prazo de guarda de documentos fiscais para clínicas médicas?

O prazo mínimo é de **5 anos**, conforme a legislação tributária vigente. Isso inclui notas fiscais, recibos, contratos, extratos bancários, guias de imposto pagas e a DMED. Recomenda-se digitalizar todos os documentos e manter backups em nuvem para facilitar o acesso em caso de fiscalização.

### A bolsa de residência médica é tributável?

Não. A bolsa de residência médica é **rendimento isento** de Imposto de Renda, conforme entendimento da Receita Federal. Ainda assim, deve ser declarada na ficha "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis" da DIRPF, no código "02 — Bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação". Solicite o informe de rendimentos da sua instituição para preencher corretamente.

### O que mudou na tabela do IR em 2025/2026 para médicos?

Para o exercício de 2025 (ano-calendário 2024), a faixa de isenção mensal é de rendimentos até **R$ 2.259,20**, com alíquotas progressivas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5% nas faixas subsequentes (Receita Federal, 2025). A tabela definitiva para o exercício de 2026 (ano-calendário 2025) **ainda não foi publicada oficialmente** pela Receita Federal — consulte o portal da RFB para confirmar os valores atualizados antes de apurar seu imposto.

DL

★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.® 

Sobre a autora

### Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250 

Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

1º lugar · FELUMA Aprovada · Einstein (HIAE) 

Caso de sucesso nº 1 da IA M.A.E.S.T.R.O.® — a trajetória de aprovação da Dra. Lara é o primeiro role-model a partir do qual o algoritmo M.A.E.S.T.R.O.® aprende e se calibra (fine-tuning). É o caso 1 de milhares de aprovações que a IA está aprendendo para guiar cada estudante.

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