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Preparação • 14 min de leitura • 15 de jun. de 2026 

# Classificação das Mastalgias: Manejo e Residência 2027

Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250

![Classificação das Mastalgias: Manejo e Residência 2027](https://ywclqnlfmrgtmezilnsj.supabase.co/storage/v1/object/public/blog-covers/classificacao-mastalgias-manejo-patologias-benignas-mama.jpg)

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#### Neste artigo

-   [Por Que Mastalgia Cai nas Provas de Residência?](#por-que-mastalgia-cai-nas-provas-de-residencia)
-   [Classificação das Mastalgias: Cíclica, Acíclica e Extramamária](#classificacao-das-mastalgias-ciclica-aciclica-e-extramamaria)
-   [Diagnóstico Diferencial: Patologias Benignas da Mama](#diagnostico-diferencial-patologias-benignas-da-mama)
-   [Manejo Terapêutico: do Acolhimento ao Tamoxifeno](#manejo-terapeutico-do-acolhimento-ao-tamoxifeno)
-   [Mastites e Infecções: Condutas Puerperais e Não Puerperais](#mastites-e-infeccoes-condutas-puerperais-e-nao-puerperais)
-   [Conclusão: O Que Levar para a Prova](#conclusao-o-que-levar-para-a-prova)
-   [Perguntas Frequentes](#perguntas-frequentes)

A mastalgia — a dor mamária — é uma das queixas mais frequentes no consultório de ginecologia e clínica médica. Estimativas da literatura descrevem prevalência de 65% a 70% das mulheres em alguma fase da vida, com impacto real na qualidade de vida e enorme carga de ansiedade. A boa notícia, e o ponto central que as bancas adoram cobrar, é que a associação entre dor mamária isolada e câncer de mama é baixa: varia entre 0,8% e 2% dos casos, segundo estimativas amplamente citadas em revisões de mastologia.

Para quem se prepara para as provas de residência médica 2027, o tema é de alta rentabilidade. O examinador quer saber se você consegue classificar corretamente a mastalgia, tranquilizar a paciente com segurança e indicar investigação complementar apenas quando há critério. Neste guia, você vai dominar a classificação em três tipos, os diagnósticos diferenciais das patologias benignas da mama, o escalonamento terapêutico — do acolhimento ao tamoxifeno — e o manejo das mastites. Vamos lá.

## Por Que Mastalgia Cai nas Provas de Residência?

A resposta é direta: mastalgia é onipresente na prática clínica. Diferente de doenças raras que aparecem em questões de "pegadinha", a dor mamária é um problema que todo médico vai enfrentar — seja na atenção primária, no ambulatório de ginecologia ou na emergência. As bancas testam a capacidade do candidato de conduzir uma queixa prevalente com segurança, sem pedir exames desnecessários e sem subestimar o sofrimento da paciente.

O padrão de cobrança nos ciclos recentes segue uma tendência consistente: questões que exigem classificação correta da mastalgia, identificação de sinais de alarme e conduta baseada em evidências. O candidato que domina o manejo racional — orientação verbal, uso criterioso de analgésicos e indicação precisa de imagem — sai na frente.

### O peso da ansiedade e o papel do médico

Muitas pacientes chegam ao consultório já tendo pesquisado os sintomas e associado qualquer desconforto ao câncer. Cabe ao médico desmistificar essa relação com dados claros e acolhimento. Estimativas da literatura indicam que **85% a 90% dos casos de mastalgia se resolvem apenas com orientação verbal**, sem necessidade de medicação ou exames complementares — esse é o tipo de informação que tranquiliza a paciente e que as bancas adoram cobrar em alternativas de conduta.

### O que as diretrizes recomendam

As recomendações da FEBRASGO reforçam que a investigação por imagem deve ser reservada para situações específicas: pacientes com lesão palpável suspeita, fatores de risco elevados para neoplasia ou mastalgia acíclica focal persistente sem resposta ao tratamento inicial. Na maioria dos casos, a anamnese detalhada e o exame físico bem conduzidos são suficientes para afastar patologias graves e direcionar a conduta.

## Classificação das Mastalgias: Cíclica, Acíclica e Extramamária

A classificação correta em três categorias — cíclica, acíclica e extramamária — é o passo fundamental para o manejo adequado e aparece com frequência nos editais de residência. Saber qual tipo está diante de você define se você vai investigar por imagem, revisar a medicação da paciente ou simplesmente tranquilizá-la.

### Mastalgia Cíclica: o padrão hormonal clássico

A mastalgia cíclica é a forma mais comum e está diretamente relacionada às flutuações hormonais do ciclo menstrual. Ela se manifesta predominantemente na fase lútea, com pico de intensidade no período pré-menstrual, e remite espontaneamente após o início da menstruação.

**Características principais:**

-   Bilateral e difusa, acometendo principalmente os quadrantes superiores externos
-   Relação temporal clara com o ciclo menstrual
-   Mais comum entre 20 e 40 anos
-   Resolução espontânea com orientação verbal estimada em 85% a 90% dos casos

O manejo inicial baseia-se em tranquilização e medidas de suporte: sutiã com boa sustentação e analgésicos tópicos quando necessário. A restrição de cafeína pode ser tentada individualmente se a paciente percebe relação com os sintomas, porém as evidências que a sustentam são inconsistentes. A orientação verbal, garantindo que a dor não representa câncer, é a intervenção mais eficaz.

### Mastalgia Acíclica: quando a dor persiste sem padrão

A mastalgia acíclica é focal, persistente e não apresenta relação com o ciclo hormonal. Essa característica exige maior investigação por imagem, já que lesões focais — como cistos, fibroadenomas ou, mais raramente, neoplasias — precisam ser descartadas.

**Pontos-chave para diferenciação:**

-   Localização focal e unilateral na maioria dos casos
-   Persistência contínua, sem alívio menstrual
-   Ultrassonografia e mamografia têm indicação mais ampla, conforme a faixa etária
-   Em pacientes acima de 40 anos, a investigação deve ser mais proativa

Anticoncepcionais hormonais podem causar ou agravar mastodinia em algumas pacientes. O uso de contraceptivos orais combinados, anéis vaginais e adesivos hormonais deve ser investigado quanto à temporalidade com o início ou a troca do método; o ajuste é individualizado e não deve ser realizado de forma rotineira sem correlação clínica.

### Mastalgia Extramamária: dor referida e diagnósticos diferenciais

A dor extramamária origina-se fora do parênquima mamário, mas é percebida na região da mama. As causas mais relevantes incluem:

-   **Parede torácica:** miofascite, costocondrite e lesões musculares
-   **Doença de Mondor:** trombose superficial da veia torácica lateral ou da veia toracoepigástrica, caracterizada por cordão palpável, doloroso e visível na região mamária — diagnóstico essencialmente clínico
-   **Osteocondrite:** inflamação das articulações costocondrais que pode mimetizar dor mamária

A Doença de Mondor merece atenção especial nos editais por ser um diagnóstico diferencial clássico. A diferenciação com lesões intraparenquimatosas é fundamental para evitar procedimentos desnecessários. O diagnóstico é clínico, e o ultrassom Doppler pode confirmar a trombose quando há dúvida.

### Tabela Comparativa: Classificação das Mastalgias

Característica

Cíclica

Acíclica

Extramamária

**Relação com ciclo menstrual**

Sim (fase lútea)

Não

Não

**Localização**

Bilateral, difusa

Focal, geralmente unilateral

Variável, seguindo estruturas da parede torácica

**Duração**

Dias a semanas, com remissão menstrual

Contínua ou intermitente sem padrão

Depende da causa de base

**Investigação por imagem**

Pouca indicação inicial

Indicação mais ampla, especialmente >40 anos

Conforme suspeita clínica

**Causas hormonais**

Fisiológica (progesterona/estrogênio)

Anticoncepcionais, reposição hormonal

Não hormonal

**Resolução com orientação**

Estimada em 85-90%

Variável

Depende do tratamento da causa base

## Classificação das Mastalgias

Comparação entre os três tipos de dor mamária

Critério

🔄 Cíclica

⚡ Acíclica

📍 Extramamária

Início

Associada ao ciclo menstrual

Sem relação com o ciclo

Origem fora da mama

Localização

Bilateral, difusa

Unilateral, localizada

Parede torácica, irradiada

Caráter

Latejante, sensação de peso

Pontada, queimação

Variável, referida

Relação Hormonal

Estrogênio / progesterona

Sem relação direta

Não hormonal

**💡 Dica clínica:** A mastalgia cíclica é a mais comum e geralmente benigna. A acíclica e a extramamária exigem investigação mais detalhada para descartar causas patológicas.

Aprofundar o estudo de ginecologia com foco nos temas mais cobrados faz diferença real na hora da prova. Veja também: [Como Estudar Ginecologia para Residência Médica](/blog/ginecologia-e-obstetricia-residencia-guia)

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## Diagnóstico Diferencial: Patologias Benignas da Mama

A maioria das queixas mamárias na prática clínica tem origem benigna — e saber diferenciar essas lesões com precisão é o que separa uma conduta segura de um alarme desnecessário. O correto enquadramento no sistema BI-RADS é o passo decisivo para definir conduta expectante, acompanhamento ou intervenção cirúrgica.

### Fibroadenoma: o tumor benigno mais comum em jovens

O fibroadenoma é o tumor benigno mais frequente em mulheres entre 20 e 30 anos, com prevalência estimada em 10% a 15% dessa faixa etária. Na ultrassonografia, apresenta-se como nodulação bem circunscrita, hipoecóica, com bordos regulares e crescimento lento. Por essas características, é classicamente classificado como **BI-RADS 3** — lesão provavelmente benigna, com risco de malignidade inferior a 2%, que exige acompanhamento imagiológico em intervalos definidos.

Um ponto importante: o uso de anticoncepcionais hormonais **não precisa ser interrompido** em pacientes com fibroadenoma. A conduta padrão inclui observação clínica e ultrassonográfica periódica, com indicação cirúrgica reservada para lesões com crescimento rápido, atipia histológica ou incômodo estético significativo.

### Tumor Phyllodes: quando o crescimento rápido muda o cenário

Esta é uma das diferenciações mais cobradas em provas de residência. O Tumor Phyllodes pode se assemelhar macroscopicamente ao fibroadenoma, mas possui características que o tornam uma entidade distinta e potencialmente agressiva:

-   **Crescimento rápido e volumoso** — cresce de forma significativamente mais acelerada que o fibroadenoma, podendo atingir grandes volumes em curto período
-   **Histologia bifásica** — apresenta componentes epitelial e estromal; o estroma determina o comportamento biológico
-   **Tratamento cirúrgico com margens amplas** — excisão com margem de tecido mamário saudável adequada; a taxa de recidiva local é significativa com margens comprometidas
-   **Potencial de malignidade** — a maioria é benigna, mas subtipos borderline e malignos existem e exigem acompanhamento oncológico

A diferença prática central: enquanto o fibroadenoma permite acompanhamento conservador, o Tumor Phyllodes demanda excisão cirúrgica com margens desde o diagnóstico, independentemente do resultado da biópsia pré-operatória em fragmentos pequenos.

### Cistos mamários: manejo conforme a complexidade

Os cistos mamários são extremamente prevalentes na faixa etária de 35 a 40 anos. A diferenciação entre cisto simples e cisto complexo é o eixo central da conduta:

-   **Cisto simples:** anecóico, com reforço acústico posterior, paredes finas e regulares. Risco de malignidade estimado em 0,1%. Quando assintomático, não requer aspiração. Quando doloroso, a aspiração guiada por ultrassom é diagnóstica e terapêutica — classificado como **BI-RADS 2**.
-   **Cisto complexo:** conteúdo ecogênico, septos internos, paredes espessas ou componentes sólidos. Exige avaliação adicional — aspiração e, quando indicado, biópsia — para excluir lesão intracística. Pode ser classificado como **BI-RADS 4** quando há componente sólido suspeito.
-   **Cisto complicado:** conteúdo heterogêneo por hemorragia ou infecção, mas sem componente sólido verdadeiro. Costuma ser classificado como BI-RADS 2 ou 3 e pode receber acompanhamento ou aspiração se sintomático — conduta menos agressiva do que a do cisto complexo com componente sólido suspeito.

### BI-RADS: a ferramenta de estratificação que a banca adora

O sistema BI-RADS padroniza a comunicação entre radiologista e clínico e é cobrado diretamente nas provas. O correto enquadramento das lesões benignas evita tanto a subinvestigação quanto procedimentos desnecessários. Consulte também o Guia Completo do Sistema BI-RADS para Residência para aprofundar o estudo das categorias e suas respectivas condutas.

## Manejo Terapêutico: do Acolhimento ao Tamoxifeno

Na maioria esmagadora dos casos, a mastalgia se resolve sem medicação. A terapêutica segue uma hierarquia clara — do acolhimento à medicação reserva — e entender esse escalonamento é essencial tanto para a prática clínica quanto para as provas de residência e do Revalida.

### Primeiro e fundamental: orientação verbal é tratamento

A orientação verbal é considerada o **tratamento de primeira linha** para a mastalgia funcional. Estimativas da literatura apontam que 85% a 90% dos casos se resolvem apenas com a explicação cuidadosa de que a dor tem origem benigna e baixa associação com câncer. Na prática, o médico deve:

-   Confirmar por anamnese e exame físico que o quadro é funcional (cíclico ou acíclico sem lesão focal)
-   Garantir que, na ausência de sinais de alarme, exames de imagem não são necessários de imediato
-   Recomendar sutiã com boa sustentação, especialmente para dor acíclica difusa
-   Sugerir **analgésicos simples ou AINEs** (ibuprofeno, naproxeno) para crises agudas — evidências mostram eficácia moderada a curto prazo

### Fármacos que podem causar mastalgia

Uma cobrança frequente em provas é a lista de fármacos indutores. Investigar a história medicamentosa é passo obrigatório na avaliação:

-   ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina)
-   Metildopa
-   Ciclosporina
-   Estrogênios e anticoncepcionais hormonais

A revisão da medicação vigente pode eliminar a dor quando há troca ou ajuste de dose. Óleos como o de prímula e vitamina E **não são recomendados** — revisões sistemáticas não demonstraram benefício superior ao placebo, e o custo sem evidência de eficácia os torna condutas a serem desencorajadas.

### Tamoxifeno: quando a medicação reserva entra em cena

Para os casos em que a mastalgia é grave a ponto de interferir na qualidade de vida, no sono ou na função diária apesar das medidas conservadoras, o tamoxifeno é a droga de escolha. O esquema habitual é **tamoxifeno 10 mg/dia por 3 a 6 meses**, com reavaliação ao final do ciclo.

A dose de 10 mg/dia (metade da dose oncológica) e o uso em curto prazo reduzem a incidência de efeitos adversos como ondas de calor e irregularidade menstrual; contudo, o tamoxifeno é reconhecidamente associado a aumento de risco tromboembólico, exigindo cautela em pacientes com fatores predisponentes. O fármaco está contraindicado em gestantes, pacientes com história de tromboembolismo pulmonar e nas com risco elevado de câncer de endométrio. Estudos comparados a placebo relatam taxas de resposta expressivas em mastalgia grave, embora os intervalos variem na literatura — confirme as referências atualizadas no edital ou diretriz vigente antes de citar números específicos em prova discursiva.

### Resumo do escalonamento terapêutico

Abordagem

Indicação-chave

Nível de Evidência

Orientação verbal e reconforto

Mastalgia funcional (estimado 85-90% dos casos)

Forte (diretrizes)

Analgésico / AINE

Crises agudas não prolongadas

Moderada

Revisão de fármacos indutores

Suspeita de mastalgia secundária a medicamento

Consenso de boa prática

Tamoxifeno 10 mg/dia por 3-6 meses

Mastalgia grave ou incapacitante resistente às medidas iniciais

Forte (RCTs e revisões)

Óleo de prímula / vitamina E

Não recomendados — ausência de eficácia demonstrada

Forte (contra o uso)

A lógica para a prova é simples: mastalgia bilateral, cíclica, sem nódulo → orientação verbal e acompanhamento. Mastalgia grave, persistente, que compromete o cotidiano → tamoxifeno em dose reserva. Sempre buscar fármacos indutores na anamnese.

## Mastites e Infecções: Condutas Puerperais e Não Puerperais

A mastite puerperal é, disparadamente, o tema de patologia mamária benigna mais cobrado em provas de residência médica. O manejo correto exige decisões rápidas que impactam a saúde da mãe e a manutenção da lactação.

### Mastite puerperal: o que você precisa saber

A mastite aguda puerperal ocorre com maior frequência nas primeiras seis semanas pós-parto. O _Staphylococcus aureus_ é o agente etiológico mais comum. A apresentação clínica clássica inclui dor mamária unilateral, eritema, calor local, edema e sintomas sistêmicos como febre e calafrios.

**A regra de ouro que toda banca cobra: não suspender a amamentação.** A manutenção do aleitamento é fundamental para a drenagem do leite estagnado, principal fator perpetuador da infecção. A suspensão só é indicada em situações excepcionais — dor materna insuportável ou presença de abscesso não drenado. O leite de uma mama com mastite não oferece risco ao recém-nascido, e a interrupção do esvaziamento agrava o quadro infeccioso.

### Tratamento antibiótico: cefalexina vs. amoxicilina + clavulanato

A escolha do antibiótico deve cobrir o _S. aureus_ de forma eficaz:

-   **Cefalexina** — primeira linha na maioria dos protocolos, com boa penetração no tecido mamário e perfil de segurança estabelecido durante a amamentação
-   **Amoxicilina + clavulanato** — pode ser opção em contextos polimicrobianos ou em mastite não puerperal; na falha clínica em 48-72 horas com cefalexina, reavaliar presença de abscesso por ultrassom, coletar cultura e considerar cobertura para MRSA conforme epidemiologia local (ex.: clindamicina ou TMP-SMX), pois amoxicilina-clavulanato não cobre MRSA

Ambos os esquemas são seguros durante a amamentação. O tratamento deve ser mantido por pelo menos 10 dias para reduzir o risco de recidiva, mesmo com melhora clínica precoce. Consulte a diretriz institucional vigente para posologias específicas.

### Manejo do abscesso mamário

Quando a mastite não responde ao antibiótico em 48-72 horas, deve-se suspeitar de abscesso. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia.

-   **Punção aspirativa guiada por ultrassom** — técnica preferencial para coleções menores e uniloculadas, com menor morbidade e possibilidade de manter a amamentação no mesmo dia
-   **Incisão e drenagem cirúrgica** — indicada para abscessos maiores, multiloculados, com comprometimento cutâneo ou quando aspirações percutâneas repetidas guiadas por ultrassom não resolvem, conforme avaliação clínica e serviço
-   **Antibiótico parenteral** — indicado em sepse ou falha do tratamento oral (oxacilina endovenosa)
-   **Manutenção da amamentação** — deve ser mantida na mama contralateral e, na mama afetada, retomada assim que a dor permitir, mesmo com drenagem em curso

### Eczema areolar vs. Doença de Paget: o diferencial que cai em prova

A Doença de Paget da mama é uma neoplasia maligna rara que mimetiza dermatite areolar. O diagnóstico diferencial com eczema areolar é obrigatório e aparece com frequência nos editais.

Característica

Eczema Areolar

Doença de Paget

**Lateralidade**

Bilateral

Unilateral

**Sintoma principal**

Prurido intenso

Prurido + queimação

**Lesão característica**

Eritema, descamação, vesículas

Eritema, erosão, destruição progressiva do mamilo

**Resposta a corticoide tópico**

Melhora significativa

Sem melhora ou melhora parcial transitória

**Investigação**

Clínica

Biópsia + mamografia + ultrassom

A dica prática: lesão areolar **unilateral** que **não responde a corticoide tópico** e apresenta **destruição progressiva do mamilo** deve levantar suspeita imediata de Doença de Paget. A biópsia incisional é o padrão-ouro diagnóstico, e o tratamento é cirúrgico, seguindo os protocolos de câncer de mama. Aprofunde esse tema em [Rastreamento de Câncer de Mama: Novas Diretrizes](/blog/cancer-de-mama-rastreamento-diagnostico-classificacao).

### Mastite não puerperal

Menos frequente, mas igualmente relevante, a mastite não puerperal acomete mulheres fora do período de lactação e está associada a ductos ectásicos, tabagismo e diabetes. O espectro etiológico é mais amplo, incluindo anaeróbios e bactérias gram-negativas, o que pode exigir ajuste do esquema antibiótico. A recidiva é mais comum nessa forma, e a investigação de neoplasia subjacente deve ser considerada em mulheres acima de 40 anos com apresentação atípica.

## Matriz de Decisão: Condições Mamárias Infecciosas

Critério

Mastite

Abscesso

Dor

Moderada a intensa

Intensa, localizada

Febre

Sim

Variável

Eritema

Sim

Variável

Flutuação

Não

Sim

Conduta Inicial

Antibiótico + amamentação

Drenagem + antibiótico

Amamentação

Manter

Manter (contralateral); retomar na afetada assim que a dor permitir

## Conclusão: O Que Levar para a Prova

A mastalgia afeta a maioria das mulheres em alguma fase da vida e, apesar do alto impacto na qualidade de vida, raramente tem origem neoplásica — a associação com câncer de mama é estimada em 0,8% a 2% dos casos. Esse dado é o pilar que sustenta toda a conduta: a maioria absoluta das mastalgias não exige investigação oncológica imediata.

Leve estas cinco premissas para a prova:

1.  **Anamnese e exame físico são soberanos.** Distinguir cíclica de acíclica e focal de difusa define toda a conduta. A mastalgia acíclica focal e persistente é a que pede investigação por imagem.
2.  **Imagem seletiva e estratificada por idade:** ultrassom é exame inicial típico em mulheres jovens com lesão focal; em pacientes ≥40 anos, mamografia diagnóstica geralmente é indicada como exame inicial ou complementar ao ultrassom. Para mastalgia difusa ou cíclica sem achados focais, imagem não é rotineira.
3.  **Tratamento conservador como primeira linha.** Orientar verbalmente e garantir benignidade resolve estimados 85% a 90% dos casos. Menos exames, menos ansiedade iatrogênica.
4.  **BI-RADS como ferramenta de estratificação.** Cistos simples são BI-RADS 2 com risco de malignidade de 0,1%. Fibroadenomas são BI-RADS 3 — acompanhamento, não cirurgia de rotina.
5.  **Na mastite puerperal, _S. aureus_ é o agente prevalente e a amamentação não deve ser suspensa**, exceto em dor insuportável ou abscesso não drenado.

Dominar essa sequência lógica — história clínica, imagem seletiva, conduta conservadora — garante pontos consistentes em questões de ginecologia e mastologia. A medmentorIA oferece questões comentadas que reforçam exatamente essa aplicabilidade prática, com foco no que realmente aparece nos editais das provas de residência 2027.

## Perguntas Frequentes

### Mastalgia pode ser sinal de câncer?

Raramente. Em apenas 0,8% a 2% dos casos a dor mamária isolada está associada à neoplasia, segundo estimativas amplamente citadas na literatura de mastologia. Na ausência de nódulo palpável, alteração na pele ou fluxo papilar suspeito, a investigação oncológica de rotina não é necessária.

### Qual o agente etiológico da mastite puerperal?

O _Staphylococcus aureus_ é o agente mais comum, responsável pela maioria dos casos de mastite aguda puerperal. O antibiótico de primeira linha é a cefalexina, com posologia e duração conforme protocolo institucional vigente (habitualmente por pelo menos 10 dias).

### Pode amamentar com mastite?

Sim, e deve-se manter o esvaziamento da mama. A interrupção da amamentação agrava a estase láctea e pode favorecer a progressão para abscesso. A suspensão só é indicada em dor insuportável ou abscesso não drenado.

### Qual a dose de tamoxifeno para dor mamária?

A dose recomendada para mastalgia grave é de 10 mg/dia por 3 a 6 meses — metade da dose oncológica padrão, com menor incidência de efeitos adversos. Está contraindicado em gestantes e pacientes com histórico de tromboembolismo.

### Qual a causa mais comum de fluxo papilar hemorrágico?

O papiloma intraductal é a causa mais comum de fluxo papilar hemorrágico e tem origem benigna. No entanto, o achado exige investigação por imagem e, quando indicado, exérese cirúrgica para excluir malignidade — especialmente em mulheres acima de 40 anos ou com lesão palpável associada.

### O que define o BI-RADS 3?

O BI-RADS 3 classifica achados provavelmente benignos, com risco de malignidade inferior a 2%. A conduta indicada é o acompanhamento imagiológico em curto prazo (habitualmente 6 meses), sem necessidade de biópsia imediata. O fibroadenoma típico é o exemplo clássico dessa categoria.

DL

★ Caso nº 1 · role-model M.A.E.S.T.R.O.® 

Sobre a autora

### Dra. Lara Santos Rocha

Residente de Clínica Médica — HC-USP-RP (FMRP-USP) · CRM-SP 285250 

Médica residente de Clínica Médica no HC-USP-RP. Vive a preparação para residência por dentro — e revisa o conteúdo do blog com esse olhar prático.

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